O ethos da alma humana
4 Teimosias de borboletas, estrelas, sorrisos e âmbares
Notas iniciais
Meu coração é bom de briga. Digo isso com absoluta convicção — e, a maior prova de sua inclinação a brigar, até mesmo pelas causas perdidas, é a teimosia dele em te amar, rapaz. Foge à mornice em que os corações jovens mergulham hoje dia. Cada batida é um grito; um grito de libertação, de revolta, de independência. Emancipou-se, declara-se agora autônomo de mim. Tornou-se órgão avulso. O cérebro não lhe chega, a razão o ofende — mesmo que ainda mantenha curiosa ligação com o estômago e com os olhos, devo dizer. Algo sobre borboletas e estrelas, suspeito.
Meus desejos por ti serão expatriados do meu peito. Renunciarei deles e do coração caprichoso que é donde eles vêm. Deixa de cismas — é o que peço. O problema é que, veja só você, coração é bicho burro, tolo. Não entende essas coisas de reciprocidade; perde-se nas curvas do teu sorriso, atenta-se a esse dourado de teus olhos e ao fazê-lo, esquece de todo o resto. Com ele, não há argumentação, não há diálogo. Decerto cegou-se de obsessões e futuricionices — desses e de outros efeitos colaterais que adoecem gente apaixonada.
O engraçado é que, e repare só: meu coração é bom de briga. Briga comigo, com a razão e com a verdade. Com tudo, menos contigo. E é aqui que mora o cinismo dele e a graça da coisa: meu coração, por mais incrível que pareça, é caidinho por ti sem ressalvas nem brigas. Às vezes acho que tem a ver com borboletas, estrelas, sorrisos e olhos de cor âmbar, mas não tenho certeza. Coração é coisa tola, então, vá saber...
Autor: Mantoni Rúbia
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