Às vezes me pergunto se você pensa em mim tanto quanto eu penso em você. Se ensaia me mandar uma mensagem, mas recua por medo da minha resposta — embora você saiba que o medo nunca existiu entre nós. Você me conhece bem demais para saber como eu me sentiria. No fundo, eu queria que você mandasse. Queria que voltasse. Mas, acima de desejar a sua volta, eu desejava a certeza: de que você viria para ficar e não ir embora nunca mais.

É difícil aceitar que não te tenho mais. Olho para trás e me questiono se nossas diferenças de ritmo, de estudos ou de caminhos pesaram na sua decisão. Mas a verdade é que eu sempre te achei fantástica, cheia de sonhos, e sempre torci para que realizasse cada um deles.

Hoje, relendo o que você me escreveu sobre não conseguir me dar a reciprocidade e a presença que eu mereço, vejo que não foi mentira. Foi a sua consciência e a sua honestidade. O que para mim era uma dúvida, para você já era a certeza de que não podíamos seguir juntas.

Dói admitir que aquele clichê de envelhecer juntas não vai acontecer. Mas amar também é aceitar a partida. O meu amor por você é incondicional; eu não te desejo nenhum mal, só espero que você não sofra. O que vivemos foi real, foi lindo, e aceito que o nosso amor fique guardado para ser vivido em outra vida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!