Notas iniciais
Olá, pequenos detetives!

Minha ideia nessa fanfic era expressar os sotaques diferentes que eles usam na série, fazendo uma brincadeira. Espero que não tenha ficado muito forçado.

Qualquer erro de ortografia/pontuação por favor me avisem que eu arrumo na hora.

Enfim, um muito obrigada por ler até aqui!

Boa leitura! ♥

Era uma tarde quente na cidade de Osaka. Esperado de um dia de férias de verão. Nada fora do normal estava acontecendo naquele dia, tirando o fato do detetive colegial Hattori Heiji — Amigo de infância e interesse amoroso de Kazuha — Ligar para ela de uma cabine telefônica, algo incomum, já que ele tinha seu número de celular.

E aí?— O detetive de Osaka pergunta — Tudo na boa?

—Heiji? — Kazuha pergunta, enquanto muda o telefone de orelha.

“O que há com esse sotaque estranho…?”

—Sim, terminei de resolver um caso agora e resolvi te ligar.

—De um orelhão? — A menina questiona.

—Sobre isso, an... — O moreno engasgou — A bateria do meu celular acabou e eu queria muito falar com tu…!

”Com tu”? O que houve, Heiji?

—Nada, nada, só me escuta. Quer ir almoçar comigo amanhã naquele restaurante que você adora?

—Aquele perto da escola? Não queria passar lá porque estamos de férias. — Ela parou e analisou rapidamente — Aliás a gente não ia pro shopping?

—Ah, vamos por favor Kazuhinha. - Ele pronunciou seu nome de uma forma mais manhosa que o necessário — Depois disso a gente vai pro shopping, prometo.

”Kazuhinha”? Heiji, é você mesmo?

—Claro que sou eu, idiota! — Houve uma pequena pausa — Enfim, considere um encontro. Amanhã no restaurante ao meio dia.

—... -Não houve resposta. O que ela acabou de escutar?

—Ah, viu? A única coisa é que vou ter que cuidar do Conan por um tempinho amanhã. A Ran pediu pra eu ficar com ele um tempinho. Tudo bem, né?

—Então você tem a vergonha na cara de me chamar em um encontro e vai levar aquele moleque?— Ela falou com um tom levemente desapontado.

Ela ouve um riso sem graça e uma respiração abafada.

Eu sei, mandei mal, mas eu já tinha prometido pra ele antes, cê sabe, coisa de… homem pra criança.

—Mas realmente gosta dele, hein? Tudo bem, leve ele amanhã.

Do balacobaco. Até amanhã então.

—Até.

Do outro lado da linha a criança que estava ocupando a cabine ajustava os seus óculos, dando uma risada travessa.

“Pronto, agora é só ligar pro Heiji.”

Então prosseguiu com seu plano, ansiando pelo dia de amanhã. Chegar no restaurante foi muito fácil, para dizer a verdade. Era o único que tinha perto da escola e Heiji deu o nome junto com o endereço do local para seu amigo e também detetive Kudo ir.

O detetive do oeste já estava esperando na frente do restaurante como o combinado. Trajava uma regata laranja chamativa com gola em 'v’, uma calça verde escura larga com muitos bolsos e um boné branco estrito “#1 Detective”. Depois de alguns minutos avista um garotinho de óculos usando roupas escolares do ensino fundamental com uma estranha gravata-borboleta vermelha.

Tá atrasado, seu mané.

—É assim que você recebe seu grande amigo? — O menor disse com as mãos no bolso.

Foi mal, foi mal. Por que você não me disse que vinha me visitar?

—Não queria causar problemas. A Ran e o tio dorminhoco estão em um hotel não tão longe daqui. — A criança disse se encostando na parede do local.

Saquei. Vamos entrar então? Por incrível que pareça eu tenho mais o que fazer agora de tarde.

O local era um restaurante de comida tradicional japonesa. Apesar de não ser um restaurante extremamente luxuoso ainda assim era bem decorado e limpo. O mais novo se pronuncia:

—Eu tenho um presente pra você primeiro. — O pequeno detetive dizia dando uma risada sorrateira. Heiji estava com um mal pressentimento sobre isso.

—Presente seu? Isso definitivamente não é algo bom.

—Pode me agradecer depois, mano Heiji. — O mais velho sabia que quando havia essa mudança no comportamento de Kudo significava que alguém que não sabia da sua verdadeira identidade estava chegando.

Aquele rapazinho não era uma criança normal. Edogawa Conan era na verdade Kudo Shinichi, um detetive adolescente de 17 anos que assumiu uma nova identidade devido ao fato do seu corpo ter sido encolhido por uma droga que fora obrigado a tomar durante uma investigação quando covardemente fora atacado por trás, ficando inconsciente. Hattori Heiji era uma das únicas pessoas que sabiam de sua verdadeira identidade.

—Mas o qu…

O moreno nem tem tempo de terminar sua frase e vê sua amiga de infância Kazuha chegando. Trajava um vestido de verão branco com pequenos detalhes em verde.

—Agradecer o que, Conan? — Kazuha pergunta, olhando para o pequeno acompanhante dos dois.

—Ele estava me agradecendo por eu ter ajudado ele no caso de ontem. — O mais velho olha para ele com uma cara confusa — E o mano Heiji aqui tava me dizendo que ele tava nervoso pra hoje. Esse é o primeiro encontro de vocês, não é?

“Mas do que esse merdinha tá falando?” O moreno fuzila o menor.

—Pois é! -Kazuha comentou, se abaixando para ficar na mesma altura do garotinho — Ele ontem me ligou de um orelhão e até me chamou de Kazuhinha. Ele nunca faz isso.

Muita calma nessa hora, eu o quê? — Heiji tentava achar uma explicação para tudo isso, até que viu o pequeno detetive brincar com sua gravata moduladora de voz.

—Vai dizer que não se lembra. Só falta me dizer que não foi você quem me ligou.

O moreno queria ter algum lugar para olhar sem se sentir constrangido, então desvia o olhar e abaixa a aba de seu boné. Resolve mudar de assunto.

—Enfim, vamos entrar. — Disse limpando sua garganta — Estou faminto.

Conan abriu a porta do restaurante dando passagem para Kazuha e Heiji, ficando logo atrás deles. Apesar de não ser um lugar muito refinado contava com um balcão e mesas coladas na parede. Se acomodaram em uma mesa para quatro pessoas, sentando Kudo e o detetive maior de um lado e sua amiga de infância de frente para ele. O moreno se inclina falando com a criança em um tom inaudível para a moça:

—Que ideia é essa, seu bocó?

—Este é o meu presente. Vê se não estraga tudo. -Disse rapidamente -É verdade mano Heiji, a mana Kazuha está muito bonita hoje. -Propositalmente pronuncia essa última frase mais alto.

O maior sente seu coração falhar na batida. De repente o menu do restaurante parecia uma ótima coisa a se olhar.

—Heiji? -Kazuha diz encostando levemente sua mão na dele.

—Sim…?

—Por que fala essas coisas vergonhosas pra ele, seu idiota?

A vergonha e timidez do moreno se transformaram em raiva. Ele segura o braço de Kazuha com uma mão.

Escuta aqui.— Heiji vociferava — Pra começar essa ideia de encontro nunca existiu. Foi tudo planejado por esse pirralho.—Dizia apontando para a criança.

O menor se levanta fazendo a melhor cara de medo que conseguia e se esconde atrás de Kazuha. Esse maldito realmente sabia fingir muito bem ser criança.

—Você está assustando o pequeno Conan e ainda mente culpando uma criança. Me diz, como que ele supostamente imitou a sua voz? -Kazuha devolvia com o mesmo tom.

—Ele tem uma gravata que imita vozes e…— Quando o detetive mais velho olha, percebe que ele havia escondido o seu apetrecho.

—O que? Não seja ridículo. Quem inventaria algo assim pra dar pra um menino?

Mana Kazuha, ele está me assustando. -A criança diz com um tom choroso. A menina gentilmente o segura pelos braços, como uma forma de proteção para o mesmo.

O moreno respirou fundo. Brigar agora com ela não adiantaria nada. Depois de encarar novamente o cardápio em sua frente e serem atendidos por uma simpática garçonete Conan e Kazuha conversavam amigavelmente, quando ouve a seguinte frase:

—Ei, mana Kazuha, o que quer dizer quando uma pessoa é sua?

“...! Não, não, não!” Heiji pensava.

—Huh… É quando essa pessoa é importante para você ou que pelo menos que você goste bastante dessa pessoa.

—É mesmo? Então o mano Heiji deve gostar muito de você.

“‘Pera’, ele deletou aquela gravação. A não ser que…”

—Ah, está falando do que o Heiji falou aquele dia? Você entendeu errado, ele disse “O que você está fazendo?! Calminha, Kazuha!” — Parando para pensar, não fazia muito o sentido isso.

— Engraçado, eu me lembro claramente se era escutado “O que você está fazendo com a minha Kazuha?!” — Conan dizia aproximando a mão de seu bolso — Ainda bem que por sorte eu tava falando com ele no telefone essa hora e gravei, né?

—Ei, espera aí, seu…! — O mais velho disse se levantando depressa. Suas bochechas estavam rubras, o que acabou não passando despercebido pela menina.

—Hã? O mano Heiji está com medo?

Em uma explosão, o mais velho bate com a mão na mesa, fazendo um barulho alto e chamando atenção de algumas pessoas que estavam no local.

—Já chega! — Ele gritou, assustando a moça — Pequeno Conan, cê não tava afim de ir ao banheiro?

Heiji soltou essa última frase com o tom mais áspero que conseguia fazer. O pequeno detetive se levanta com um olhar confiante.

—Estava sim, aonde é o banheiro?

—Eu te mostro o caminho.

O banheiro era localizado próximo da cozinha do restaurante. Ambos os garotos davam passos rápidos pelo corredor. Assim que passaram pela porta Heiji rosnou.

Mas o que é que cê tá pensando, seu merdinha?

—Eu estou te ajudando, o que mais? No passo que vocês estão vocês não vão se casar nem em dez anos. Ou pior, ela pode conhecer outra pessoa.

O mais velho desviou o olhar como se algo o incomodasse e coçou a bochecha. Fazia isso quando estava com vergonha.

—Sabe… Você se confessou pra Ran em Londres. -Suspirou, reclinado as costas na parede espelhada do banheiro — Queria que esse momento entre eu e a Kazuha também fosse especial. Não em um restaurante de meia tigela que almoçamos quase todos os dias.

Essa revelação pegou o pequeno detetive de surpresa.

“Não imaginava que ele se sentia assim…”

A criança solta um suspiro e com um dos seus dedos massageia suas têmporas.

—Tolo. No fim das contas o lugar em que vai ocorrer não vai fazer a menor diferença. Tenho certeza que ela vai ficar feliz aonde quer que seja. Só diga como se sente. Por quanto tempo mais você pretende fazê-la esperar?

—Tsc… Mas cê é mesmo insistente, hein?

—O seu primeiro amor. Foi ela, não foi?

Heiji se sentia sufocado e exposto como um livro aberto. Há um tempo ele havia contado para Kudo sobre seu primeiro amor, que o próprio moreno não sabia quem era, mas coincidiu de ser a mesma pessoa pela qual compartilhava sentimentos agora. Sua respiração irregular o entregava. Meneou levemente, respondendo a pergunta de seu amigo. O pequeno suspirou, pondo-se a falar.

—Cada momento que eu estou com a Ran e a vejo sofrendo por… bom, por mim, é muito doloroso.

A criança colocou sua mão esquerda na altura do seu coração, apertando. Más memórias vieram para o detetive mirim. Tantas oportunidades perdidas, tantas lágrimas derramadas por Ran e até por ele devido ao seu tempo limitado como Kudo Shinichi.

—Eu sinceramente daria de tudo para estar com ela agora mesmo como seu namorado. Aparecer como Shinichi e depois ter que sumir repentinamente me fez pensar que realmente deveríamos esquecer os casos e os assassinatos e nos dar uma folga uma vez ou outra.

—É por isso que armou isso hoje?

—Também não aguento mais ouvir a Ran e a Kazuha fofocando sobre um certo alguém no telefone de madrugada.

—Tenho certeza que não sou a única pessoa sobre quem elas discutem.

— Claro que não, tolo. — A criança soltou uma risada divertida — Mas vem sendo um assunto bem recorrente, principalmente nesses últimos dias.

O mais velho se ergueu, soltando um suspiro. Ele realmente não conseguia ficar bravo com seu amigo detetive por muito tempo. Afinal ele também já fizera brincadeiras do tipo com Kudo.

—Chamar ela de Kazuhinha foi jogo sujo, seu pirralho.

—Então não desperdice a oportunidade. Vamos voltar?

Pera aí, cê promete parar com essa palhaçada?

—Está bem, está bem. — O pequeno disse se dando por vencido — Mas eu falo sério, não fuja disso.

Os dois rapazes lentamente voltaram para sua mesa. Heiji dessa vez senta do lado de Kazuha, a qual estava em silêncio com um olhar levemente tristonho. O moreno dá um suspiro pesado, encarando seu amigo e só pelo seu olhar o pequeno detetive já entendeu o recado. Se levantou novamente, esticando os braços para o alto.

—A comida está demorando, vou dar uma volta por aí.

—Não vá muito longe, pequeno Conan. —A menina se pronuncia, olhando para o garotinho.

A criança concordou, deixando somente os dois na mesa. Heiji encarava o vazio e respirava profundamente, sentindo as batidas do seu coração acelerar. A menina repara na mudança de comportamento do amigo.

—O que foi?

—Hum?

—Eu ouvi você suspirar três vezes nos últimos dois minutos enquanto olhava pro além. Cê tá pensando em algo?

Na real sim. Eu mandei muito mal hoje. Eu fui um pé no saco o dia todo, tanto com você quanto com o moleque. Foi mal. —Disse se referindo ao Conan.

Ele ouviu uma risada vinda da menina. O rapaz sorriu. A última coisa que queria agora era que sua amada ainda estivesse brava ou chateada com ele.

—Desculpas aceitas. Eu também fui bem arrogante hoje, me desculpe.

O olhar de Heiji mudou e Kazuha conhecia muito bem aquele olhar confiante que estava exibindo. Era como se sorrisse com os olhos. O rapaz respirou fundo novamente, reunindo toda coragem que precisava ter naquele momento. Sentia suas mãos suando e seu coração batendo em seu peito como um tambor. Tentando ignorar esse “desconforto”, se aproxima da menina, a abraçando de lado e apoia seu queixo no ombro dela. O garoto cochichou, se concentrando para não gaguejar.

—Eu queria saber se você queria ir em um encontro pra valer comigo. Sem casos nem distrações. Só nós dois.

Kazuha foi pega totalmente de surpresa pela declaração do moreno. Escondeu o rosto no ombro do detetive e com uma das mãos agarra sua regata. Sente o rapaz passar o outro braço envolta de seu corpo. Ela conseguia sentir sua respiração irregular e também as batidas do coração do rapaz. A menina concorda com a cabeça.

—Hey, se lembra que naquele dia que fomos raptados eu te disse que queria te falar algo importante e que ia repetir quantas vezes você quisesse?

—Achei que era aquela palhaçada que você tinha dito aquele dia… — Sua voz saiu tímida e as palavras que ele havia lhe falado vieram a sua mente.

“O que eu queria te dizer era que… Cada vez que você estremecia nas minhas costas… O seu cabelo pinicava na minha nuca e ‘tava’ incomodando…”

—Até parece que eu ia querer dizer isso. — Hattori riu baixinho — O que eu queria mesmo te falar era que eu posso ter demorado para perceber isso, mas eu gosto de você. — Ele apertou o abraço — Eu gosto… Muito de você e não vou deixar que te machuquem de novo.

A menina sentiu um arrepio devido a voz rouca do detetive. O mais velho entrelaça seus dedos no cabelo de Kazuha, fazendo um leve cafuné.

—Eu também gosto de você. Eu já tentei te falar algumas vezes, mas não conseguia. Sempre acontecia alguma coisa que me impedia de alguma forma.

Sério? Eu talvez já tenha tentado falar isso uma vez ou outra.— Heiji soltou uma risada e ouve a menina rindo também.

—Então a gente gostava um do outro há um tempão e não falamos isso um pro outro? — Kazuha dizia entre risadas.

—Ei, Kazuha.

O moreno chama sua atenção e sem exitar, ela levanta o rosto. Os olhos azuis do detetive tinham uma força incrível sobre a menina. Eles se atraiam como dois imãs. O momento parecia exclusivamente deles. Um selinho foi compartilhado. Mesmo tenha sido breve para os dois jovens pareceu que minutos haviam passado.

—Me diz uma coisa… A gente vai dar um pulo no cinema depois daqui, né? — Heiji perguntou, ajeitando a sua coluna que estava levemente encurvada. Sentiu falta de um calor que estava sob sua corpo.

Do que é que cê tá falando? A gente só ia no…

O moreno deu uma piscada com o olho esquerdo e a garota entendeu a mensagem. Kazuha deu uma risada e repousou sua mão na coxa do menino. Isso era estranhamente confortável para ambos.

Foi mal, eu meio que tinha esquecido que a gente ia pro cinema.

Depois de pouco tempo a comida chegou. O casal e o pequeno detetive comeram com uma atmosfera de felicidade.

O moreno odiava ter que concordar com seu amigo, mas ele estava certo. Não faria mal deixar um ou dois casos a mais com os policiais veteranos de Osaka. Shinichi estava verdadeiramente feliz por Heiji, apesar de todas as suas brincadeiras e provocações.

“Espera só até a Ran ver isso!”

A criança que estava do outro lado da mesa segurava o celular, sorrindo. Na tela estava uma foto que tirou do casal que estava em sua frente enquanto estavam se abraçando.

Algumas coisas realmente não mudam.

Notas finais
Isso é uma coisa que eu realmente imagino o Conan fazendo na série.

Essa acho que foi uma das maiores fanfics que eu escrevi. Minha recente paixão por Detective Conan acabou me fazendo escrever isso. Não escrevia cenas fluffys assim faz um tempo, então por favor peguem leve comigo.

Enfim, espero que tenham curtido. Será que vocês pegaram todas as referências de capítulos de Conan que eu escrevi? :D

Deixem um comentário e façam uma autora extremamente feliz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!