Maria Adelaide acordou tarde naquele dia, os olhos inchados,a boca amarga e a garganta doída de tanto chorar. Nunca fora tão humilhada! Mal tivera tempo de amaldiçoar pela vigésima vez os lindos cabelos e o sorriso perfeito de Chico Alves quando a criada bate a porta.

uma batida tímida, é verdade,mas alta o suficiente para irritar a já descontrolada senhorita. Frente ao silencio que se seguiu a criada desembestou a falar, tão rápido que mal respirava.

— O senhor Alves está a porta, senhorita,com um aspecto horrível de quem bebeu e com flores. tentei expulsa-lo, mas ele se recusa a deixar a soleira da porta. Já está chamando atenção! Grita a qualquer empregado que passa que a senhora mesma o mandou chamar. As pessoas estão falando, sabe. A senhora sua mãe em pessoa ouviu o boato enquanto ia a padaria. Senhor Alves, é o que dizem estava aos beijos com uma rapariga ontem no baile. É um escândalo! — A criada respira fundo e diminuindo o tom diz- Ele me mostrou esse bilhete, eu não sei ler, a senhora bem sabe, creio q o cavaleiro se esqueceu disso.

Passou, então ,apressadamente, o bilhete por baixo da porta. Os dedos trêmulos não se demoraram a vista tamanho o medo de que fossem pisotiados em outro aceso de raiva de sua senhora.

Adelaide pegou aterrada o bilhete e leu, em uma caligrafia que se assemelhava muito a sua o seguinte bilhete:desculpa algumas palavras . vem hoje tomar chá eu te explico tudo.

Do outo lado da porta Jandira lutava quanto um sorriso de escarnio que teimava em aparecerem sua boca.A longa caneta e os papeis de carta muito bem escondidos em seu surrado vestido.

Foi ao ver sua tão odiosa senhora sair atônita do quarto que ela percebeu o quão proveitoso foram as diversas horas parada em pé ao lado da porta enquanto Maria adelaide estudava. Valeu a pena ela pensou, sim valeu muito a pena.

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