O diário de uma filha de Hades

8 E é assim que se disfarça com: Lia. Ou não.


Notas iniciais
Oi pipous

15 de Outubro

Hoje fui acordada com muitos gritos.

Odeio ficar perto do chalé de Hermes, pois sempre que alguma coisa nova é contrabandeada, eles fazem praticamente uma festa. Às três da manhã. E adivinha quem acorda? Um chocolate pra quem falou eu!

– Acordem, acordem obras dos deuses! – Uma menina começou a bater na minha porta.

– Mmmm, bacon... – Esfreguei os olhos e olhei pela frestinha, já que meu chalé não tinha janelas.

– Nada de bacon, Lia! Saia do chalé! – Alguém gritou.

– Por quê? – Ergui a sobrancelha. Ouvi sussurros, mas eram baixos demais para distinguir o que falavam. Só fui me tocar quando vi um menino de 10 anos com umas bexigas na mão e a roupa cheia de tinta. Bati a porta na hora.

– Abra!

– Nunca! – Até coloquei uma cadeira na maçaneta, nos filmes funcionam...

Bateram de novo na porta.

– Saia ou vamos arrombar a porta!

Acho que não era brincadeira. O problema é que só havia uma saída, e agora desejo morte ao inteligente que fez meu chalé. Tranquei-me no banheiro e comecei a me concentrar.

– Sai do banheiro, Lia! Você não pode se esconder da gente...

E não consegui ouvir o resto, pois – graças ao meu papai lindo – consegui viajar nas sombras pra parar na casa na árvore.

– Ufa... – Me deixei cair, viajar é realmente muito cansativo. Se fosse no LoL, minha mana já estaria baixa e eu teria de voltar à base...

Ouvi a madeira ranger. E gritos femininos.

– Ai meus deuses! – A menina que parecia uma Barbie feita na China e que é vendida por 2 dólares tentou se cobrir com umas folhas de jornais velhas ali. Sério que eles estavam...

– Lia, bem agora? – Um Shawn irritado colocava a camisa de volta. Deuses, eu parecia um pimentão e a loira não estava diferente. Só não dava pra ver por conta dos dois quilos de farinha na cara dela.

– Oh, sinto muito se eu não sou o Oráculo pra saber que vocês estavam... – torci o nariz – copulando.

Ele começou a rir e mandou a menina ir embora. Fiquei com pena dela.

– Copulando? Sério?

– Fazendo oba-oba... – Ele riu mais. Fechei a cara. – Pare de rir de mim! Aliás, você não estava bravo comigo?

Shawn parou de rir e me encarou com aqueles olhos azuis que me lembravam muito um raio passando no céu.

– Verdade. Passar bem. – Fui rápida o suficiente para fechar o alçapão que levava qualquer um ao solo.

– Não, não, só deixo sair quando me desculpar. – Cruzei os braços e sentei em cima do alçapão.

Acho que ele não tinha ideia do que dizer, então sentou na minha frente e ficou me observando. Eu já fico muito sem graça quando me olham, imagine quando começam a rir de mim? Só me falta cavar um buraco no chão e dar uma de avestruz. Pena que estávamos em uma árvore, e acho que não seria muito inteligente, né? Seria?

– Lia, você já pode ser cosplay de pimentão. Sério.

Joguei um travesseiro – ou o que quer que seja – nele.

– Pare, seu ordinário! – Fiz beicinho e ele riu mais ainda. – Me desculpe logo, quero ir embora.

– Ah, quer? – Shawn pegou a almofada de unicórnio que joguei nele e deitou. – Ótimo. Acho que vou dormir... mmm...

Shawn poderia ganhar um prêmio ou entrar no Guinness, nunca vi ninguém dormir tão rápido. E foi até bom, porque pude dar uma viajada maravilhosa enquanto rabiscava no meu caderno que estava ali escondido dentro de uma almofada.

– Olha, o que você tá... – Shawn roubou meu caderno. – Esse sou eu? Nossa, você desenha bem, mas não conseguiu representar toda a minha gostosura...

O quê?

– Não, me dá isso aqui! – Ele riu e ergueu o caderno para o alto.

– O que eu ganho?

– Nada, você é um abusado! Um salafrário! – Estapeei o peito dele, o que não adiantou muito. Não custa tentar, certo?

– Lia, sua safada! Desenhando homem pelado, é? – Minhas bochechas ficaram coradas e ele riu mais ainda.

– É da aula de anatomia, poxa... Eu não... – A portinha do alçapão se abriu e acho que qualquer pessoa que entrasse ali veria uma cena não muito... Comum.

Emily, uma loirinha com orelhas de elfo ergueu uma sobrancelha quando entrou ali.

– Ok, continuem... Pombinhos... – Ela soltou um sorriso malicioso e minha vontade era de me jogar pela janela. Pena que Zeus não gosta nem um pouco de mim e, portanto, minha queda seria três vezes pior.

Shawn me olhou com uma cara de “o que está acontecendo?”. Revirei os olhos e aproveitei que ele já tinha terminado – ou quase, graças aos deuses – de ver meus desenhos e soltado um pouco o caderno. O menino dos cabelos muito pretos olhou confuso – como sempre – e soltou um riso baixo quando desci pela escadinha de madeira.

Eu poderia ficar muito irritada, mas felizmente (ou não) encontrei o deus grego da minha vida! E se você pensou em Chris, ganhou uma balinha. Mentira, eu já chupei a balinha, então você ganha o papelzinho.

– Oi, Lia! –Chris sorriu e minhas pernas quase ameaçavam cair. Faz quanto tempo que eu não como? Aliás, que horas são? – Opa, calma!

Ele riu e me deu um abraço, me impedindo de cair.

– O-oi... – Aja feito uma mulher que preste, Lia! – eu amo batata...

É, muito bom. Assim que faz!

– Deuses, Lia, você é uma piada mesmo. – Ele bagunçou meu cabelo. – E aí, o que estava fazendo lá na casa? Ouvi boatos de que estava com o novato lá em cima.

– Ehrm, eu... Espera, quem te disse isso?

– A Emily, ué. Incrível como meninas podem contar tudo, não? – Claro, com um gostoso igual ao Chris falando com elas... Juro que posso até contar a cor da minha calcinha pra ele...

– Pois é... Que shampoo você usa?

– Hã? – Despertei do meu transe.

– Não, nada... – Rápido! Alguma coisa! – Ah, acho que tem alguém te chamando ali!

Ele virou a cabeça. Saí correndo.

E é assim que você disfarça com a Lia!

Ou não.

Notas finais
Curtiram? Sentiram falta do Chris? AEHUAEHUEHA