O diário de Isabela
8 O novo início
Notas iniciais
Estava sentada em meu quarto branco a mais de uma hora chorando e me perguntando se tudo aquilo realmente poderia ser real. O mesmo enfermeiro de quando acordei entrou umas duas vezes e também me explicou que eu ia passar por umas sessões de terapia sozinha e com ele. Também me deu remédios que ele disse que eram diferentes do que eu tomava antes e que só tomaria mais duas doses daquela.
Passei uma semana fazendo terapia pela manha cedo e tendo que fazer desenhos, decifrar imagens, escrever redações, falar com minha, médica e também ser examinada todos os dias. Eu chorei toda as noites.
Eu precisava do André, e ele era apenas um fruto da minha imaginação.
Na segunda semana eu recebi finalmente a visita de meus pais, eu juro que faltei infartar de felicidade. Conversamos durante horas e eles começaram a vir nos dias seguintes para fazermos terapia juntos. Fazíamos também algumas sessões de perguntas e fiquei sabendo de tanta coisa nova. Meus pais tiveram um filho, ele tinha agora cinco anos. Minha mãe se formou finalmente na faculdade dos sonhos dela e era advogada. E das boas. Meu pai continuava sendo policial e já estava perto de aposentar. Ele também tinha levado um tiro em uma das operações ;o casamento deles durava até hoje e eles haviam se mudado par um bairro nobre. Era ótimo falar com meus pais. Eu já não chorava durante as noites.
Na terceira e ultima semana foi inteira de aulas. Eu estudava pela manha ( Português), pela tarde ( Matemática) e também pela noite (Historia). E estudara durante um ano essas três matérias. Tudo que eu deveria ter aprendido até o ensino médio. Me falaram que no ano seguinte eu teria um horário igual, e mudaria apenas as matérias ( Geografia, Ciências e Biologia) , e teria um terceiro ano que eu concluiria ali (Inglês, Física e Química). Seria um ano de vários conhecimentos novos para mim. Minha vida iria começar agora.
Finalmente eu iria embora. Finalmente minha vida seria normal. Mesmo que eu estivesse começando do zero, ao menos era uma vida real. Eu havia passado as três semanas procurando qualquer rastro do André pelo sanatório, porém não havia sinal nenhum dele por lá. Segundo as informações que passei para medico, enfermeiros e psicólogas... Não havia ninguém assim ali. E segundo a minha psicóloga, ele era um personagem de minha imaginação.
Foi lamentável.
Eu realmente estava apaixonada. Só que por alguém que só existia em meus sonhos.
Os meus pais não desgrudaram de mim nenhum dia sequer naquela primeira semana. Redecorei meu quarto que havia ficado do mesmo modo de quando saí., fiz compras, conheci a cidade que estava bem diferente, revi amigos de meus pais, revi bebês que agora eram adolescentes. Foram tantas novidades. Eu estava cansada de tantos eventos e saídas, de tantas coisas novas e nomes novos para decorar. De tanta novidade que havia acontecido em dez anos e até mesmo celebridades que haviam falecido e me surpreendeu. Porém era um cansaço que eu gostava. Era saúde.
Era segunda-feira e meus pais haviam voltado a trabalhar, afinal já tinham tirado um mês de recesso para ficarem comigo. Eu queria fazer algo mas não sabia o que nem com quem. Minhas aulas particulares só começariam na segunda que vem. Eu ainda frequentava o psicólogo, porem agora eram só três vezes na semana. Estava no meu quarto quando ouvi barulho de um caminhão e vozes na casa do lado. Lembrei que ela estava para vender... Só podiam ser os novos moradores. Desci as escadas correndo e fui cumprimenta-los.
Eles pareceram surpresos , eu provavelmente parecia uma criança. Estava ajudando a tirar as caixas de dentro do caminhão e colocando-as na grama da calçada. Eu estava dentro do caminhão quando ouvi uma voz inconfundível de lado de fora falando com a minha nova vizinha.
—Mãe, onde coloco isso?
Gelei dos pés a cabeça e caminhei até fora do caminhão. Só podia ser brincadeira...
— Ah, Isabela, esse é o meu filho. Filho essa é a nossa nova vizinha. Vou guardar essas caixas e volto já.
Ela saiu e nos deixou ali. Eu estava com os olhos arregalados olhando para ele. Se aquilo era um sonho eu não queria acordar.
Ele me olhou intrigado e sorriu falando:
—Prazer, sou o André!
Meu coração disparou a mil. E eu soube que tudo mudaria para melhor.
— FIM -
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