11-11-2013. Toda essa cidade é incrível, prédios, casas, lojas e até o trânsito é algo de se notar. Antes mesmo de partir para tentar a sorte em algum cassino foda, eu tinha que fazer o meu check–in no hotel genérico qualquer que eu tinha encontrado por ai na internet por um aplicativo que começa com tri e rima com bago, um hotel qualquer e decente e aconchegante com a presença divina e milagrosa que alguns chamam de Wi-Fi.

Eu admito que de novo eu fui vítima da maldita preguiça que me ludibriou a procrastinar só mais um pouco meu trabalho, oque eu estava fazendo era andar… não me arrastar para o hotel para o endereço do hotel, usando a desculpa na cabeça de que “não, eu só estou apreciando um pouco a cidade” o sentimento que a cidade passava era daora, mas eu conseguia tirar da minha cabeça que parecia que eu era o único que tava com um sorriso no rosto, credo, como tudo mundo na rua parece tão pálido e indiferente. Da cidade para um hotel apenas minutos longe do rush da cidade acabei caindo no sono logo depois de terminar o trabalho, com sorte eu consegui terminar logo antes de expirar a data de entrega e meu professor não podia contestar contra a minha irresponsabilidade.

12-11-2013. O silêncio era ensurdecedor, nada na rua, nada no hotel, nenhum pássaro no céu nenhuma cigarra na grama, parecia que tudo não podia ser mais perfeito para um dia, então porque não, era uma noite úmida e não tinha vento, parecia agradável para dar umas bandas por ai, eu não tinha comido muito desde que aterrissei, um hambúrguer ou uma porção de fritas ia ser uma recompensa perfeita.

A estranheza foi que começou quando eu já passei pela porta do meu quarto, as luzes do corredor estavam apagados eu podia ter quase certeza que uma neblina sairá pela fresta da porta do quarto ao lado, azar, minha fome não pode esperar. Eu andava pelas ruas mortas de uma cidade viva, era quase uma pintura em 4k, era tudo tão lindo, tao estático, o tempo parou? Espero que sim, ia ser foda demais, quando achei aquela senhora agachada de frente a parede no beco um instinto me que nunca me passou pela cabeça que eu tinha, o de um otário de filme de terror, claro, entre no beco com a senhora estranha, vai dar tudo certo. O beco qualquer não era escura, uma lâmpada da escada de incêndio do prédio ao lado convenientemente conseguia iluminar quase todo o beco, com exceção da maldita velha, não conseguia ver o rosto dela, mas, com certeza, ela era muito pálida como todos da cidade parecia que já estivam mortos, claro que eu tentei me aproximar, mas enquanto eu a chamava por ela eu podia ouvir sua respiração pesada e ofegante, infarto? Pensei, logo me vejo a quatro passos de distância da maldita, a chamei “senhora?” “Se é moradora de rua mesmo?” “Oque faz aqui?” “Precisa que eu chame alguém?” não sei porque eu me importava, obvio, que era a cena do filme “terror em lugar genérico” que o primeiro otário morre, ou quando ele caminha pro lugar escuro só pra convenientemente o monstro aparecer atrás dele.

Ela se virou… aquilo se virou me encarando, como se desejasse algo de mim, olhos pretos, seu rosto tinha três cicatrizes demarcadas em sua boca verticalmente como um corte, seus dentes podres e seu bafo fedia mais do que qualquer coisa estragada na minha geladeira, eu corri e corri pra de volta pro hotel, pagando todas as caminhadas matinais que eu prometi a mim mesmo que faria para parar de ser sedentário. Aquela coisa não me seguiu, não acho que me alcançaria, Usain Bolt não me alcançaria.

Até chegar no, hotel eu não pensava em nada eu subi direto para meu quarto, foda-se elevador, pensei estrategicamente coloquei uma cadeira entre a maçaneta da porta, seja la oque era aquilo nada ia entrar pela quela porta, me escondi de baixo da cama com um travesseiro e uma coberta pra me cobrir e me encolhi, eu não ia dormir, não ate o amanhecer, que eu ia dar um fora da quele lugar.