O diabo em solo sagrado
1 Capítulo único
Notas iniciais
–Mamãe... Mamãe! – Chamou a garotinha puxando o vestido da mãe.
–O que foi, querida? – Perguntou com a voz carregada de doçura
–Ali! – Apontou a criança – Quem é aquele homem? – Questionou inocentemente
–Não olhe para ele... – Instruiu a mãe sem dizer mais nada, antes que outra pergunta saltasse dos lábios da criança o som do piano encheu o local indicando o começo da missa. O homem franzino de pele escura* continuava a observar a menina, quando essa olhou para trás pela terceira vez o homem se curvou cordial, a olhou diretamente nos olhos e deixou a língua escapar de sua boca como se ele fosse uma serpente.
A crianças, sentiu-se fortemente atraída pelo gesto e hipnotizada pelos olhos amarelos do homem, estava tão fascinada que só se deu conta que andava quando parou em frente ao homem
–Olá, crianças... – Cumprimentou o homem com um sorriso perverso, a garotinha nem respondeu, a voz áspera do homem lhe causou um pânico imediato fazendo-a empalidecer, mas ela não fugiu, permaneceu encarando o cavanhaque do homem.
–Ei... Vamos sair daqui? – Disse ele esticando sua magra mão para a criança que virou a cabeça na direção da mãe
–Não vamos demorar, eu prometo... – Respondeu o homem ao gesto da menina, que lhe deu a mão e deixou-lhe a conduzir até os fundos da igreja, sem serem notados atravessaram uma rústica porta de madeira atrás do altar.
–Onde estamos? – Perguntou aflita a garotinha, o homem estralou o pescoço e sorriu.
– Já, já verá – Deixou a língua escapar-lhe da boca novamente.
Caminharam por longos minutos por um corredor estreito e sem nenhuma iluminação, chegaram então numa outra porta que o homem abriu já empurrando a menina para dentro. Sobre o chão de pedra havia pintado com sangue fresco um pentagrama invertido, a iluminação provinha de tochas acesas espalhadas ao longo do complexo, a garotinha amedrontada gritou por sua mãe, o homem lhe dirigiu outro meio-sorriso.
–Não adianta gritar – Arrancou a própria camiseta exibindo um corpo musculoso e ao mesmo tempo repugnante, lágrimas escorriam dos olhos da garotinha que ao dar uma melhor olhada a sua volta viu vários corpos de crianças caídos, alguns pareciam ainda frescos, outros já se decompunham, explicando o cheiro de podridão que envolvia o local.
O homem que agora exibia cascos no lugar dos pés empunhava uma foice curta
–O- Oque vai fazer com isso? – Perguntou a menininha já temendo o pior, o homem não a respondeu, apenas repetiu aquele gesto mecânico com a língua, a menina lembrou-se de que sua avó lhe havia dito, caiu de joelhos em voz alta começou a rezar.
–Não adianta! – Gritou o homem – Ele não lhe ouvirá, você não tem fé! – Completou. Acertou a garganta da garota com a foice, colheu seu sangue num cálice de ouro, do qual tomou um gole.
O mesmo cálice de ouro recebeu o vinho que banhava a hóstia, todos ali presentes foram condenados no momento em que a ingeriam foram acorrentados a uma maldição, todas as crianças que nascerem de seus ventres serão o sangue da próxima geração. O mal caminha sempre entre nós, isso serve como aviso, nunca confie em ninguém.
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