O dia em que vi aqueles olhos azuis
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem e comentem o que acharam.
=D
Estava eu calmamente caminhando pelas estradas asfaltadas do Oregon, sem nenhuma preocupação em mente, a não ser chegar na hora antes dos portões da escola serem fechados e eu ter que ficar do lado de fora, e pior que era ficar na chuva forte, como se alguém nas nuvens estivesse de pirraça me fazendo de alvo com a água de uma mangueira. Ah, quem sou eu? Meu nome é Kelsey Hayes, e eu nunca imaginaria que iria encontrar alguém tão especial, como encontraria num certa peça de escola.
Depois de andar por um bom tempo, ao avistar os portões do colégio, eu rapidamente comecei a correr antes que fechasse e também aproveitando que a chuva estava fina ainda. Corri, corri e corri e finalmente consegui passar pelo espaço apertado entre o portão e o muro enquanto o zelador olhava com cara feia para mim, algo que apenas dei um sorriso e corri para dentro do prédio.
Eu tenho 18 anos e estou no 3 º ano do ensino médio quase me formando. Nesta escola de nome não importante o suficiente para ser lembrada, existia vários clubes de entretenimento e esportes variados que os alunos entravam para ganhar créditos extras, fazer amizades, namorar, alguns realmente tentarem se tornar atletas. Eu sou uma garota de cabelo castanho bronze quieta e considerada inteligente e estudiosa porque a maior parte do meu tempo, eu passo na biblioteca lendo livros. Mas não se engane com isso. Eu não sou uma antissocial. Tenho varias amigas, saio com elas, já namorei alguns garotos que percebi que eram idiotas e dei um pé na bunda deles, coisas naturais da vida. Quando eu era mais jovem do que sou agora, meus pais morreram de um acidente de carro, e eu fiquei sozinha no mundo já que meus avós também já tinham falecido, e fui levada para um orfanato pelo serviço social, e recentemente fui adotada por um casal que passei a amar muito. Mike e Sarah. Dois vegetarianos obcecados por esportes que tinham duas crianças que eram o meu bem querer, e que gostaram de mim no momento em que entrei pela porta e pularam nos meus braços ao saber que eu seria daquele momento em diante, sua nova irmã mais velha.
Olhando agora para o que aconteceu comigo até agora, eu lembro do período em que o luto estava mais recente, que eu desejava ter um amigo que pudesse me entender inteiramente, e não apenas dar um apoio superficial escapando de oferecer um consolo mais profundo por não querer ficar ouvindo a trágica historia da garotinha adotada que perdeu tudo. Mesmo eu sabendo que isso talvez nunca acontecesse, eu ainda tinha fé e esperança que um dia eu encontraria esse alguém.
Enquanto eu devaneava sobre isso na sala, minha mente me trouxe de volta ao presente, ao perceber que a professora estava combinando quem iria participar da peça que o clube de teatro estava tentando recrutar para o festival de aniversario da escola.
- Jovens, como sabem o festival de aniversario da escola se aproxima, e como é tradição o clube de teatro irá apresentar uma peça com uma história clássica. – disse a professora parando no meio quando os alunos começaram o coro de negação e preguiça.
- Silêncio. Como eu dizia antes de ser rudemente interrompida, uma vez mais o clube de teatro está recrutando pessoas que queiram participar, pois estão com falta de pessoal. E como um bônus que o diretor ofertou aqueles que forem selecionados para fazerem parte da peça, ganharão uma nota extra para ajudarem aqueles que têm muita preguiça de conseguir uma nota mais alta. – disse a professora com um sorriso enquanto via os sorrisos maliciosos dos alunos.
Ao terminar de falar, o sino tocou anunciando o final da aula e rapidamente me levantei e segui para a porta rapidamente, antes que fosse barrada por “ele” de novo. Claro que não fui rápida o bastante.
- Yo, Kelsey. Por que a pressa gatinha? – disse um garoto que barrava minha frente.
- Você de novo? Faria o favor de me dar espaço Kishan?
- Não seja assim Kells. Vamos voltar a ser o que éramos. Dê-me mais uma chance. – disse Kishan me olhando com aqueles belos olhos dourados de pirata, no belo rosto viril e esculpido na pele de café.
- Não você perdeu essa chance quando ela apareceu, e você a preferiu e me jogou de escanteio. Agora fique com ela e me deixe em paz.
Sai pela brecha que seus longos braços deixaram na porta, e segui pelo corredor em direção ao meu armário para pegar minhas coisas, para poder ir para casa.
Enquanto eu passava pelo corredor que ninguém mais estava passando, algo pequeno e branco atraiu minha atenção. Quando olhei melhor novamente, percebi que era um pequeno gatinho branco rajado de listras pretas e de olhos azuis parecendo um tigre de bolso.
Sou muito apaixonada por gatos, e com cautela fiz sinal com a mão para que o gatinho chegasse perto, e depois de brincar um pouco com ele, me deixou pegá-lo no colo e alisá-lo na barriga o que fez com que ronronasse.
- Ah o que você estava fazendo perdido por aqui hein gatinho? Nunca o vi por aqui antes.
- Miauuu
- Que coisinha fofa. Tive uma ideia. Eu vou cuidar de você. Quer ser meu amigo gatinho?
- Miauuuu
O gatinho me respondeu esfregando sua cabeça no meu pescoço e fazendo aquele som relaxante. E por alguma estranha razão, me senti confortada com aquele toque, e em seguida meio confusa pelo olhar que vi naqueles olhos tremendamente azuis que me olhava com uma inteligência quase humana.
- Ah gatinho, queria que você pudesse falar ou virasse um amigo com quem eu pudesse ter um amigo verdadeiro. Bem vou guardar você onde alguém não possa acha-lo para expulsar.
Levei-o para o porão depois de dar uma passada na cozinha e pegar algo para o gato comer, e sai para ir para casa.
Nessa mesma noite, sonhei com um rosto belo de olhos azuis que me sorria deslumbrantemente e com gentileza enquanto me encarava. Pouco antes de acordar, lembrei-me de onde já tinha visto aqueles olhos. Eram os mesmos que os do gato.
Acordei naturalmente quase atrasada, tomei um suco de uva e com a torrada com manteiga ainda na boca, saí às pressas para chegar a escola a tempo e dar uma olhada no gato antes de ir para a aula. No fim não deu tempo de ir visitar o gato porque no momento que pisei no prédio o sinal tocou e tive que entrar e me sentar aguentando o olhar de Kishan que irritantemente ainda me observava de longe junto com a sua nova namorada.
- Gente, uma coisa diferente aconteceu e temos um estudante transferido para nossa turma hoje. – disse a professora pegando os olhares normalmente preguiçosos se aguçarem de curiosidade com a noticia.
- O pai dele é um empresário famoso da índia que ficará aqui no Oregon por alguns meses, e o filho resolveu vir para cá. Seu nome é Ren Rajaram, e ele fará parte de nossa turma a partir de hoje. Entre Ren. – disse a professora ordenando o novato a entrar.
Eu não acreditei quando olhei para o garoto que passava pela porta. Eram os mesmos olhos do sonho, e do gato. Inconscientemente eu fiquei encarando um pouco demais o novato, e percebi que ele rapidamente olhou para mim e o canto de sua boca se torceu num pequeno sorriso, que ele rapidamente disfarçou num sorriso falso de boas vindas ao se apresentar para os demais alunos da sala. Como eu poderia descrever? Ele era um garoto bonito. Pele de um bronze dourado com uma face meio delicada, mas viril. Lábios finos, olhos azuis como o céu e como o meu gato, cabelos negros e que pareciam sedosos, um corpão definido o que as outras garotas fizeram questão de notar ao lançarem olhares lascivos tão precisos e devassos para o corpo dele, que se disparassem raios laser, o coitado já estaria soltando os órgãos pelo estômago.
Muito tempo depois disso a vida seguiu normalmente. O enganoso sorriso que eu pensei ter visto que era para mim naquele primeiro dia, nunca mais eu o vi, e o garoto chamado Ren sempre quando passava por mim ao lado das muitas garotas que o cercavam, nem notava a minha presença coisa que eu também não dei muita bola.
Infelizmente eu me dirigia para o clube de teatro para ensaiar para peça. Como fui escolhida? Eu mesma ainda não acredito nisso. Além de ficar na biblioteca, eu gosto um pouco de música, principalmente cantar. Apesar de eu sempre ter mantido isso em segredo, alguém descobriu isso e era o presidente do clube de teatro que me viu e ouviu, e anunciou que tinha encontrado sua protagonista divina que ele rogou ao céu. E depois de ele muito insistir e eu precisar de nota extra também por causa de meus atrasos, concordei em participar. A peça era de Romeu e Julieta. Um típico romance trágico e melodramático de livro que eu gosto. Como eu fazia todos os dias, eu ia ver o meu gatinho que depois de notar a semelhança entre ambos, resolvi chama-lo de Ren também. Ele estava maior, e já era quase do tamanho do meu braço. Ele me ouvia por horas e horas sentado no meu colo enquanto eu estava sentada na janela lhe contando uma das histórias dos inúmeros romances que já li.
No dia seguinte depois das aulas, eu seguia para mais outro dos infinitos ensaios, e parei de repente. Na minha frente de costas, estava o tal do Ren e ao lado dele estava aquele irritante do Kishan que por algum motivo batia boca com ele, com o presidente do clube tentando acalmá-los.
- Parem com isso vocês dois, pelo amor de Deus. – disse o presidente afastando com esforço antes que ambos se atracassem como dois tigres prestes a se matarem.
- Kishan, porque o interesse de repente na peça se você acha isso tudo uma frescura e perda de tempo? – falou o presidente e senti um calafrio subir-me a espinha.
- Me deu vontade de ganhar pontos ora essa. E porque não posso? Sou mais talentoso do que o mauricinho ai. – disse Kishan com deboche para Ren que eu percebi que tinha estreitado os olhos para ele de desagrado.
- Por quê toda essa antipatia por mim? Nunca lhe fiz nada. E não creio que você esteja tão interessado nisso quanto eu, Kishan. – respondeu Ren com um sorriso malicioso.
Depois de um tempo espiando essa conversa chata entre os dois, me toquei que o motivo de Kishan era eu. Claro. Como eu ignorava o bastardo normalmente, é lógico que ele me perseguiria até onde eu teria que falar e olhar para a cara dele, mesmo que fossem apenas as falas dos personagens.
Ren tinha sido escolhido como o meu par o Romeu. Apesar de acha-lo bonito, não sentia nada de amoroso por ele como o exército de garotas que o vigiava todo o tempo.
Como era de se esperar, apesar de Kishan ser surpreendentemente talentoso para atuar, ele não era páreo para Ren que ganhou o papel.
O tempo passava e depois do aumento de ensaios, eu demorei mais a rever o meu gatinho Ren que eu morria de pena de deixa-lo sozinho, mas eu arranjaria tempo para brincar e falar com ele. Enquanto eu passava perto das árvores que margeavam o jardim da escola, eu não notei quando uma mão rapidamente tapou minha boca e um braço forte agarrou meus braços puxando para trás enquanto eu sentia uma respiração pesada no meu pescoço enquanto eu me sacudia e chutava quem me prendia mesmo que meu braço doesse, mas não adiantava.
- Hehe, fica quieta Kells. Senão você não vai poder aproveitar o que eu vou te dar daqui a pouco não é? – disse a voz de homem que quando olhei vi que era Kishan. Com a raiva finalmente me subindo a cabeça, mordi a mão que me tapava a boca e com um grito dele de dor a soltou, junto com meu braço quando dei um chute no meio da canela dele com toda a força que consegui reunir e me afastei.
- Seu canalha maldito. O que pensa que está fazendo me perseguindo a toda hora?
- Ora sua infeliz. Como ousa me chutar e morder? Não era você que me queria? – disse Kishan raivoso olhando para ela.
- Você disse muito bem. Queria quando pensava que você era um cara legal, e não um canalha como descobri que é. Eu amei você Kishan, dei meu coração pra você, e quase caí na burrice de me entregar completamente. Mas isso tudo já passou. Porque não me esquece como eu fiz com você? Siga em frente com sua vida e me deixe em paz, por favor.
Saí andando com lágrimas quase caindo pelo rosto ao finalmente colocar tudo pra fora depois de tanto tempo, e notar a satisfação que eu senti ao observar o choque que as minhas palavras fizeram com a eterna expressão de deboche dele. Eu já estava quase no estacionamento quando ele segurou meu braço de novo.
- Espera Kelsey... É verdade o que você disse? Espera. – disse Kishan me apertando o braço enquanto pedia para voltar e esperar.
- Me solta Kishan! Me solta! – eu disse quase gritando enquanto tentava puxar meu braço de volta. Antes que ele conseguisse me parar e puxar totalmente uma voz forte e furiosa interrompeu meus “quase” gritos, e libertou meu braço.
- Solte-a seu covarde. – disse Ren furioso enquanto torcia o braço de Kishan que tremia de raiva por Ren ter impedido.
- Me largue seu maldito. O que você tem haver com a conversa entre a minha garota e eu aqui? – disse Kishan enquanto encarava a face fria de Ren enquanto eu falava que não era mais a garota dele.
- Como Kelsey mesmo disse, ela era sua garota no passado. Agora não é mais. Agora a deixe em paz. – disse Ren.
Depois que Ren ameaçou chamar o diretor que passava ali perto, Kishan finalmente foi embora com uma ameaça futura nos olhos. Eu agradeci a Ren por ter me ajudado, e incrivelmente desse dia em diante, de colega de atuação me tornei sua amiga.
Era um novo dia, e como fazia tempo que não ia ver o meu gato resolvi ir de surpresa até o porão onde ele ficava. Eu senti que algo diferente iria acontecer hoje. Cheguei sem fazer barulho e entrei onde se encontrava o gato que dormia feliz e sossegado. Sem acordá-lo, o peguei nos braços e me sentei na beira da janela como sempre fiz. Nunca tinha visto o pôr do sol com o Ren gato antes. Assim que o sol sumiu do horizonte, o gato em meu colo começou a brilhar com uma luz azul e no lugar do gato, agora um homem grande e pesado de cabelos negros e pele de bronze. Era Ren o humano. Fiquei chocada com aquilo. Eu não era supersticiosa apesar de ser uma fanática por contos de fantasia, mas acreditar que meu próprio gato se transformou como numa história, era ridículo.
Delicadamente o deitei no colchão, e num silencio furioso sentei na cadeira de balanço que tinha lá, e esperei para ver a cara dele quando acordasse e sua explicação.
Demorou um tempo, mas ele finalmente despertou e lentamente abriu os olhos e espreguiçou o longo corpo parte por parte, até que como se tivesse os ouvidos do gato girou a cabeça e finalmente me notou sentada e furiosa mexendo lentamente com o pé e o observando. Primeiro descrença, depois choque, e por ultimo arrependimento em sua expressão ao ter sido descoberto.
- Kelsey eu posso explicar. – disse Ren para mim que nada falei. Apenas levantei a sobrancelha com a expressão indiferente e fria esperando ele falar.
Eu o vi suspirar, e me encarar com aqueles olhos azuis traidores do amigo e gatinho que eu pensei que podia confiar o que acendeu uma chama de raiva na minha expressão de gelo e ele percebeu isso e falou rapidamente.
- Nenhuma palavra? Entendo. Eu mereço isso. Deixe-me explicar. Respondendo a sua pergunta, sim. O gato e eu somos um só. Você talvez não acredite, mas eu fui enfeitiçado por um bruxo há muito tempo atrás quando eu era uma criança na Índia. Minha família procurava maneiras de se erguer e obter poder. E um dos meios que ele achou, foi pela magia que nos tempos de hoje ninguém acredita mais nisso. E como resultado, ele ofereceu meu corpo como pagamento. A cada terça e sexta feira, eu passo o dia como gato e depois viro homem novamente. Você não percebia isso, porque sempre saiu antes do sol se pôr. Eu nunca quis enganá-la Kelsey. Eu também sempre quis uma amiga como você que eu pudesse conversar, sem que tentasse dar em cima de mim.
Quando Ren disse isso, mesmo contra a minha vontade um riso escapou da minha boca, coisa que eu rapidamente cortei e mesmo contra a minha vontade um sorriso triste ficou no meu rosto.
- Ah, finalmente uma expressão diferente da máscara de gelo. Por favor, me perdoe. Eu não sabia como revelar a você sem que risse da minha cara, ou me chamasse de louco. E como eu sendo humano, você nunca chegava perto ou tentava falar comigo.
- Ah, e como eu poderia fazer isso se você nunca estava sozinho? Depois de um tempo desisti de tentar e escolhi ficar amiga só do meu suposto gatinho. E agora nem isso eu tenho mais. – eu disse com um suspiro triste ao sentir falta do gatinho que nas horas em que me senti mais solitária me consolou e me deu carinho.
- Não diga isso, por favor. Eu ainda sou o Ren o gato. Você apenas descobriu que eu sou o Ren humano também. Você não queria que eu pudesse falar e conversar com você? Seu desejo foi atendido. Por favor, não me abandone Kelsey. Você é a única amiga que eu tenho. Por favor, não me deixe. – disse Ren pra mim com lagrimas caindo pelo belo rosto.
- Ah, como eu poderia dizer não se você fala desse jeito? Mas que fique claro agora. Apesar de eu não achar muito possível, não se apaixone por mim. Eu gosto de você apenas como meu amigo. Entendeu? – eu disse a Ren firmemente deixando claro que eu não daria a ele mais nada do que isso.
- Tudo bem Kelsey. Apesar de não ser tão impossível quanto você pensa de alguém poder se apaixonar por você, eu não pedirei nada mais do que a sua amizade agora. Amigos ainda? – perguntou Ren me dando um daqueles sorrisos amigáveis como o do primeiro dia.
- Sim, gatinho manhoso. Amigos ainda. – eu disse isso enquanto me sentava em suas costas e colocava sua cabeça no meu colo enquanto cantarolava e mexia no seu cabelo, até que pegou no sono.
Mais um dia, e finalmente o dia da peça tinha chegado. Eu ainda não tinha esquecido de Kishan e sua obsessão. Eu sentia que ele ainda aprontaria novamente. Já era quase 7 da noite, e o palco do auditório estava lotado.
Eu estava pronta, e tinha a fala decorada completamente. Fui colocada num vestido daqueles de época, parecido com o da bela adormecida da Disney. Meu cabelo estava amarrado em uma bela trança, e uma bela tiara no topo da minha cabeça. Ren estava lindo como Romeu e seu traje de época como o meu. A peça correu muito bem, e atuamos esplendidamente e encarnamos o Romeu e a Julieta de fato. Depois dos aplausos saímos eu e Ren pelo estacionamento, em direção ao carro dele para irmos comemorar a noite de hoje no cinema quando antes de entrarmos no carro, me sinto sendo puxada de novo e dessa vez com violência e sou jogada para trás com um grito, fazendo Ren se virar e num ataque de fúria partir para cima de Kishan que de novo tentava me pegar e partiu para cima de Ren. Para o meu horror os dois trocaram golpes, chutes e socos, até que com um gancho de direita Ren derrubou Kishan que caiu no asfalto e não se mexeu mais. Eu corri de volta pros braços de Ren ainda tremendo e ele passou seus braços fortes ao meu redor e apoiou o queixo em minha cabeça enquanto me acalmava. Porque ele estava de costas ele não viu Kishan levantar meio tonto e erguer uma arma para atirar. No ultimo segundo, eu girei Ren para minhas costas na hora que a arma disparou, e senti uma dor aguda no peito e momentos antes vi Ren num golpe de fúria terminar a surra em Kishan e acabar com ele de uma vez, e voltar para mim me pegando nos braços e foi quando eu apaguei.
3 MESES DEPOIS
Não lembro exatamente o que aconteceu depois que eu apaguei. Só lembro vagamente de acordar no hospital toda entubada e enfaixada e sentindo dores terríveis. Ren sempre esteve ao meu lado e sofria com a culpa e ódio por Kishan. Eu soube depois que saí que ele tinha sido levado pela policia ao hospital para se curar da surra até quase a morte que Ren lhe deu num ataque de fúria, e depois que ficou bem foi em cana, e tá até hoje lá. Eu e Ren ainda somos só amigos, se você pensa que algo mudou por causa disso, foi apenas que nossa amizade ficou ainda mais firme ainda.
Enquanto estávamos no nosso lugar no porão, comigo sentada na beira da janela com ele deitado sobre minhas pernas com a cabeça em meu colo, olhamos para o sol se pondo enquanto eu cantava uma música e acariciava seus cabelos.
E quando o ultimo brilho do sol sumiu, a cabeça do homem que momentos antes estava deitada em meu colo, desapareceu e em seu lugar um fofo gatinho branco de olhos azuis e listras negras como um tigre surgiu dormindo naquela paz que pertencia só a nós.
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