O dia depois do amanhã
3 Salvar uma vida sem receber nada em troca
Notas iniciais
Chegamos na caverna.
_Eu estou com sono, posso dormir, Kardunk? — Akori disse
_Claro, sintam-se em sua propria caverna...
_Acho que tambem vou dormir — Volt disse, bocejando — Eu e Akori acordamos cedo demais hoje.
_Uma pergunta: Voces são parentes ou algo do tipo?
_Nao, apenas amigos — Akori respondeu deitado.
_Sim, apenas amig... — Volt caiu no sono.
"Vou caçar um pouco, já estou com fome novamente..." — Levantei vôo
Estava andando pela floresta, com os receptores atentos a qualquer som, eu escutaria até um pequeno rato andando no chão molhado, mas isso nao iria acabar com minha fome. Escutei um som que parecia ser um grupo, de iaques, então fui o seguindo tentando não fazer barulho.
Percebi que estavam numa caverna, fiquei lá na frente, abrindo as asas, tampando a passagem deles.
"Almoço grátis" — pensei
Mas nao foi isso que ocorreu... Eles começaram a me dar chifradas na barriga, então eu caí no chão, sem ar e eles me pisotearam.
De repente tudo ficou em um tom azulado, depois tudfo ficou colorido, cheio de linhas e circulos em volta de mim. Tentei me forçar a respirar, mas de nada adiantou, eu sentia meus pulmões queimando e meu coração tentando me lembrar de respirar, mas por mais que eu tentasse, eu nao parecia ter controle das minhas narinas.
"Deve ser assim que alguém se sente quando está morrendo..."
De repente tudo ficou escuro e aparentemente 5 segundos depois eu acordei, estava deitado de costas, mas estava em um lugar diferente, parecia dentro de uma caverna, mas não a que os iaques estavam. Me forcei a respirar e vi que minha respiração ja voltava a ser automática.
Tentei levantar meu pescoço um pouco, em vão. Continuei deitado lá, de bruços, enquanto eu sentia meu corpo todo latejar. Tentei novamente, mas percebi um machucado no meu pescoço, que escorreu quando tentei levantá-lo. Então a repousei e tentei mecher minha pata, consegui, então levantei meu pescoço novamente, ignorando a dor causada. Olhei pro meu próprio corpo, que estava cheio de ferimentos, principalmente meu peito e tórax.
"Como eu vim parar aqui? Onde estou? Quem me salvou??" — pensei ao ver do lado de fora da caverna, que era um lugar um pouco diferente, parecido com o mesmo do meu primeiro cervo.
Senti passos pesados atrás de mim e quando fui virar, nao suportei a dor no meu pescoço e deitei-a no chão. Frágil desse jeito eu seria presa fácil para outro animal do meu tamanho.
_Acordou? — alguem disse, voz de macho.
_Sim — falei baixo e percebi minha voz um pouco rouca.
_Eu trouxe isso, vai te curar — uma pata de furia da noite branca apareceu no meu campo de visão, segurando uma planta que emanava um brilho amarelado em sua volta — coma.
Agarrei a planta com a boca e mastiguei.
O furia da noite se sentou na minha frente, porém um pouco nas sombras, deixando visível apenas um pouco de sua aparência: Albino com marcas pretas, um olho roxo e outro um cinza bem escuro, com uma marca de garras nele.
_Obrigado por isso. — disse
_Sem problema — ele sorriu — nao há problemas em ajudar alguem necessitado.
_Eu sou Kardunk, prazer.
_Eu sou Gasjur, o prazer é todo meu.
Enquanto isso na caverna de Kardunk...
Volt acordou e se espreguiçou, abrindo suas asas ao máximo, encostando-as no topo da caverna.
_Akori! Acorda! — ele disse, cutucando o dragao esverdiado
_Mas... só mais 5 minutos, mãe — Akori respondeu
_AKORI
_Anh? Mas, hein? Ah, é você, Volt, que susto!
Volt olhou em volta, a procura de Kardunk, percebendo que nao estava lá, lambeu o focinho de Akori, que retribuiu com uma lambida na testa.
_Será que nós contamos para Kardunk... que nós somos... -Akori disse, mas foi interrompido.
_Melhor, pois nao poderemos esconder por muito tempo isso, vamos esperar ele voltar.- Volt disse
_Mas aonde ele foi?
_Nao sei, deve ter ido dar uma volta, beber água ou caçar
Volt colocou a cabeça pra fora da caverna e observou em volta, apenas os gaviões voando pelo céu árido.
_Sem sinal dele — ele disse
_Vamos ficar aqui, esperá-lo. — Akori disse.
_Tudo bem.
Voltando a Kardunk
_Mas aonde eu estou? — perguntei
_Não muito longe de onde foi atacado, eu estava te observando e decidi te ajudar. — Gasjur respondeu.
"Me... observando? Então o motivo daquela sensação!"
_Serio, obrigado mesmo — me levantei, já quase nao sentindo dor — Voce quer vim comigo?
_Mas claro! — ele sorriu
Levantei vôo e ele me seguiu.
Fale com o autor