O dia da faxina
1 A faxina, parte 1
Notas iniciais
Em uma bela manhã de sábado, L resolveu reunir todos na sala para decretar que aquele dia, deveria ser reservado totalmente a faxina geral da casa onde vivíam.
- Isso aqui parece um chiqueiro de porcos! — Reclamou enquanto o restante estavam atentos, sentados no sofá, ouvindo todo sermão. — Hoje eu quero ver essa casa brilhando, vocês me ouviram? — Todos acenaram que sim.
L estava com razão. Roupas espalhadas pela sala, uma cueca pendurada no ventilador de teto, tênis espalhado por todos os lados, pilhas de pratos de comida sobre a mesinha de centro e vários sacos de salgadinhos espalhados ao redor do sofá. E isso porque ele não queria nem ver o estado deplorável que estava o quarto dos meninos, não mesmo.
- Ouviu sua ovelha? — Mello provoca Near, que calmamente continuava a brincar com seu carrinho.
- Aqui está! — L carregava consigo várias vassouras e rodos, para os meninos. Ele as jogou no chão da sala. — Peguem!
- Está nervosinho, L? — Raito provocou. O moreno apenas lhe lançou um olhar mortal, que o fez engolir seco.
Enquanto Mello varria um canto da sala, mordia ao mesmo tempo uma barra de chocolate. A cada varrida era uma mordida, e isso incomodava profundamente Matt.
- Dá pra parar, seu animal. Varre isso direito. — O ruivo arranca o chocolate das mãos do loiro, que faz uma expressão não muito agradável.
- E isso aqui é seu, seu bastardo. — Mello joga um par de meias na cara de Matt, que fez uma careta com o cheiro não muito agradável delas.
- Isso está podre! — Ele as joga em um cesto de roupa vazio.
- È o cheiro que eu sinto quando estou perto de você. — Todos riem enquanto Matt lançava um olhar furioso para o loiro.
Simplesmente não dava certo para eles, limparem as coisas juntos. Pelo fato de, qualquer coisa ser motivo para briga. Seja por um par de meias jogado no tapete da sala, seja por embalagens vazias de chocolates em cima do sofá. Ou melhor, dentro do sofá. Porque a preguiça do Mello era tanta, que ele comia e empurrava as embalagens nas brechas do sofá da sala.
Enquanto arrumavam e discutiam, near calmamente catava seus brinquedinhos e os colocava em um baú de madeira. Sem querer, se distraia e acabava brincando com eles enquanto varria.
- Vamos carrinho. — Ele colocava um bonequinho pequeno dentro de seu carrinho de brinquedo e fazia um barulho com a boca de "brr", enquanto o movimentava para frente e para trás.
- O que está fazendo? — O loiro se aproximou indignado. — O que? Está brincando?! E ainda por cima enquanto estamos dando duro pra arrumar o barraco? — Disse exaltado.
Com seu olhar sem sentimento e seu rosto sem expressão, Near fita bem o rosto de Mello, que já estava visivelmente irritado.
- Calado, barbie humana. — E voltou a brincar.
Matt aparece das sombras e coloca mais lenha na fogueira.
- Senti cheiro de treta? — Ele segura os ombros de Mello, que a essa altura já esquartejava o albino com os olhos. — Se fosse comigo eu não deixava. — Sussurra próximo do ouvido de Mello.
- O que está havendo aqui? — L surge, assustando a todos.
- Vocês podem ao menos não brigar, pelo menos por um tempo? — Sua expressão era desanimada.
- Culpa sua L. Você faz dessa casa uma creche. — Raito recolhi os pacotes de salgadinhos deixado ao redor do sofá.
- Pois é L, você trouxe o Raito pra cá. Ai dá nisso! — O loiro retruca. Os três pupilos dão língua para Raito, que faz uma careta.
De repente, Near joga longe um de seus brinquedos e se afasta com medo. Todos o olham sem entender absolutamente nada. Com as mãos trêmulas, ele aponta em direção a uma barata grande, cascuda, andando em várias direções. Todos, sem exceção, correm e sobem para cima do sofá.
- Vai Mello! Mata! — O ruivo empurra o loiro para fora do sofá, fazendo o mesmo voltar. — Pensei que tu fosse homem!
- Eu sou, seu retardado. Mas e se aquela merda souber voar?
- Palhaçada isso. — Raito desce do sofá irritado. Na ponta dos pés, anda em direção da barata com um chinelo na mão. Ele mira e cria coragem para jogar, sem sucesso. Pois o coitado piorou a situação. A maldita barata voa, fugindo do chinelo, fazendo todos correrem para o quarto mais próximo que era do Near.
- Vocês são todos uns gays! — Diz Near, já cansado da situação calamitosa na qual se encontravam.
- Olha quem fala, tu também não fez nada pra matar aquele demônio. — Todos concordaram com o loiro.
- Eu sou criança. — O albino fitou seu olhar para um canto qualquer do quarto.
- Mas não é aleijado! Agora por mim, podem queimar essa casa. Não vou dormir enquanto ela estiver por ai. A barata pode chamar sua família e querer se vingar da gente. — Mello puxou uma barra de chocolate e começou a comê-la ali mesmo.
- Quer saber... — Matt abre a porta do quarto e sai. Voltando correndo, depois de uns minutos.
- Não insiste Matt. Você é tão covarde quanto todos aqui. L faz uma expressão ofendida.
- Tudo culpa sua seu filhote de Ai Ai*. Se não tivesse tido aquela brilhante ideia, não estáriamos aqui.
- Mano, sério, quem joga um chinelo a distância em um barata, achando que vai acertar? — A raiva na voz de Mello era palpável.
- Pelo menos eu tentei.. — Sussurra.
E assim, os cinco ficaram trancafiados no quarto por uma hora, um olhando para a cara do outro, com uma barata a solta na sala. A cada minuto que passava era agonizante. Afinal, o quarto se tornava pequeno para cinco pessoas, e isso nem era o principal problema. Eles simplesmente não conseguiam não discutir.
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