O destino de um shinigami em preto
11 Promessas se fortalecem
Notas iniciais
–WILLIAM! –Gritou em meio ao seu sono, o acordando em desespero.
–Oque....oque houve? –Perguntou meio desnorteado.
–Você está bem....você está bem... –Repetia baixinho a si mesmo.
–Sim Grell, eu estou. –Falou o abraçando e se deitando novamente, com os olhos vermelhos de sono. –Dorme, está tudo bem.
–Não muda... por favor. –Falou se entregando ao sono novamente.
[...]
Por anos Grell teve pesadelos desse jeito, era normal para ele. Seu coração despedaçado por quem sempre amou, irônico. Sentia-se desesperado por esse amor, mas de jeito algum conseguia o alcançar.
O amava desde crianças, por um tempo ele conseguiu pensar que isso foi recíproco mas, tudo mudou. Desde quando...
[...]
William após revisar cada setor, chegou em seu dormitório. Silêncio pairava, entrou pé por pé pensando que o ruivo estivesse já dormindo.
Nada.
Largou sua pasta na poltrona que tinha no quarto e passou a mão pelos cabelos cheios de gel, nem sinal de Grell. Tirou seu terno e começou a afrouxar a sua gravata quando ouviu um barulho vindo do dormitório ao lado: O de Grell, que estava quase se mudando para o do moreno.
–Oque você fe... –Parou a pergunta ao abrir a porta do quarto se deparando com Grell sentado no chão, que provavelmente teria caído da cadeira e com uma caixa nas mãos. –Eu não posso sair um minuto de perto que você acha um jeito de se machucar, parece criança. –Falou sentando-se no tapete e o puxando para seu colo. –Mas oque tens nessa caixa.
–Coisas. –Falou batucando com as unhas na tampa da caixa fazendo Will empurrar ele de leve. –Coisas antigas.
–Falando o acumulador compulsivo. –Disse arrancando uma risada gostosa do amado. –De quanto tempo atrás.
–Bem tudo da universidade eu queimei... –Falou pensando fazendo o moreno arregalar os olhos. –De quando era criança. –Falou arrancando a fita da caixa. –E não é pouquinha coisa...
–Quanta tralha... –Falou olhando a caixa e levando uma cotovelada fazendo Grell buscar uma coisa bem no fundo.
–Então não vai se importar se eu jogar fora... –Falou esforçando-se para achar. –Isso?
–Você ainda tem isso Grell.... –Falou analisando com cuidado e o abraçando.
–Eu falei para você. –Falou rindo. –Como eu poderia jogar fora a mais linda de todas? E ainda mais feita por você?
[...]
Na infância, William com certeza era outra pessoa. Doce e delicado. Foi criado mais por sua mãe, que ficava em casa em quanto seu pai trabalhava como supervisor do departamento. Ele e Grell eram bastante amigos. Como as coisas eram melhores quando eram crianças.
–Grell! Grell! –Gritava correndo entre o jardim de sua casa até o encontro do amigo que estava meio triste. –Olha oque eu achei? Sua boneca! –Falou alcançando a boneca de pano, um pouco macabra até.
–WILL! –Falou se jogando nos braços do amigo. –Obrigada! Mas... –Indagou fazendo William gelar. –Essa não é a minha boneca William.
–É sim.
–Não é.
–É sim.
–Então cadê a marca de caneta? -Perguntou fazendo William abaixar a cabeça.
–Eu lavei.
–Não é Will.
–Perdoe-me Grell.... –Falou brincando com os pés. –E-eu não achei a sua...Por isso eu mesmo fiz, mas não ficou igual...
–Aquela estava feia mesmo! –Falou beijando a bochecha de Will. –Essa é a mais bonita de todas sabia?
[...]
–Como eu poderia jogar fora uma boneca tão perfeita? –Falou se aconchegando nos braços do moreno.
–Eu me furei fazendo isso, acho muito bom que não tenha a queimado. –Falou soltando um riso abafado.
–Olha aqui, oque achei. –Falou mostrando uma camiseta vermelha, com umas manchas laranjas. –Isso nunca saiu.
[...]
O ruivo estava escorado em uma árvore, lendo um de seus livros quando sentiu algo gelado escorrendo pelo seu rosto, olhou para cima e viu Richard e Henry com um pote de tinta laranja na mão. Sentiu seus olhos arderem, mas engoliu o choro.
–Orgulho cheio, mente vazia. –Falou bufando e se levantando mas logo caindo com um empurrão novamente.
–Criatividade cheia, senso vazio. –Falou rindo do ruivo que virou seu rosto mas logo sendo puxando para cima.
–Vem Grell. –Falou puxando ele pelo pulso. –Eu saio um minuto e já arranja confusão.
–Oque você ta fazendo?! –Perguntou segurando o braço de William. –Eu sei me proteger!
–Estou a ver! –Pegou uma gota de tinta que logo cairia no olho de Grell. –Tão bem que já ia cair no seu olho.
–Porque continua meu amigo William? –Perguntou dando seus óculos para o moreno e limpando com a barra da blusa o rosto.
–Porque não continuaria? –Falou ajeitando os óculos no rosto do ruivo.
–Essa amizade faz mal a você Will.
–Estou perfeitamente bem de saúde Grell, você sabe.
–Bobo. –Falou o dando uma cotovelada e sujando a blusa de William. –Olhe oque falam de você! –Esbravejou tentando limpar a mancha. –Nem mesmo Eric fala mais com você.
–Não tenho amizades por interesses. –Disse rodando-o que usava uma saia de babados. –Fico feliz de ser amigo de você. –Deu um sorriso contagiante( algo raro nos dias de hoje). –Um dia todos terão inveja de eu ser amigo da princesa do departamento, da shinigami mais linda.
–Ai William, você é um doce. –Pensava “como queria que...fossemos mais que isso” .
[...]
–Como você era idiota Will. –Ria com as lembranças.
–Eu era idiota por te fazer feliz mesmo em tempos como aqueles?
–Eu sempre te amei, mas aquilo era um amor tão inocente.... –Falou bagunçando o cabelo perfeitamente arrumado de William que grunhiu. –E você era tão fofinho! –Apertou ele que riu. –E você ria bem mais!
–Eu prometo que vou rir mais, prometo. –Falou sorrindo forçadamente.
–OLHA ISSO! –Falou tirando uma foto da caixa de quando eles eram crianças, com a roupa toda suja e sorrindo. Ele deixou uma lágrima escorrer mas rapidamente a limpou. –Você me puxou na lama.
–Você me EMPURROU na lama. –Falou rindo. –Como eu quisera ser assim novamente.
–Você é melhor. –Falou o beijando. –Eu não quero que mude, nem para mais nem para menos. Eu me acostumei com seu lado rude, mas eu já era acostumado com seu lado amoroso.
–Eu estou realmente feliz com isso.
–Com oque? –Perguntou colando sua testa com a do moreno.
–Por estar casado com a princesa do departamento, a shinigami mais linda. –Falou o puxando pela cintura e o dando um beijo casto. –Parece que nossa promessa se fortalece.
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