O destino de um shinigami em preto
31 Pois tudo volta.
Notas iniciais
Suor pingava do rosto pálido da treinanda, que já tremia com a foice na mão. Por mais e mais vezes seguiu repetindo o ataque sobre o molde de treinamento, até ser obrigada a parar.
Com a sua idade, realmente era forte.
Na hora, Adrian entrou na sala e a segurou antes de a ver caindo no chão.
—Bom treinar, horrível ir até a exaustão. -Disse a escorando sobre os caixões. -Você está a mais de hora aqui. Não faz bem.
—Não me interessa.
—Também não faz bem me responder mocinha. -Sussurrou gargalhando, estendendo-a uma garrafa d'agua. -Tome devagar.
Ignorando o aviso, bebeu tudo em um gole apenas. Olhava fixamente para o chão, apenas parando quando ouviu um barulho ensurdecedor vindo da entrada.
Undertaker pediu para a menina ficar ali e saiu em passos rápidos para a entrada, deixando a ali. O vendo sumir no corredor, como a criança curiosa que era, saiu atrás, se escondendo atrás da porta.
—Michaelis. Não é bem vindo aqui depois do que fez. -Disse sem nenhum esboço de sorriso no rosto. -Realmente reviveu conde Phantomhive, não é? Ao menos algo bom sobre sua existência, demônio medíocre.
"é ele"
—Não fale assim Undertaker, estou aqui apenas por ordens do meu mestre. -Falou calmamente, com os olhos brilhando em um tom mais rubro, fazendo a menina recuar e tentar alcançar alguns dos sotobas do mais velho.
Ao ver o olhar de ódio para cima do de cabelos platinados, jogou com toda a força sobre a direção do demônio, qual se esquivou e fez a "arma" se despedaçar ao encontro da parede com a tamanha força.
—Senti mesmo o cheiro de outro do seu tipinho por aqui... -Vociferou, andando em passos rápidos para a direção de Anally, que se encolheu a onde estava.
Segurou ela pelo rosto, fazendo-a tremer com medo que ele fizesse algo.
—Oque você é do Sutcliff, você cheira igual a ele. -Disse afundando a unha no rosto pálido da menina, que apenas se debatia tentando o empurrar.
Ao ver a situação, Adrian se levantou com ódio da onde estava indo para cima de Sebastian. O puxou pelo fraque com uma mão e com a outra tirou a franja do rosto.
—Anally sobe. — mandou e a menina apenas se escondeu. -Anally eu mandei você subir.
Os dois se encaravam com ódio, e a pequena menina desviava olhar dos dois tentando sair da situação. Se sentia inútil por não ter acertado em Sebastian, mas não era o problema maior no momento; subiu as escadas em passos apressados quase caindo no último degrau.
—Eu já fodi e tirei uma parte de você com isso -Disse segurando a foice fortemente entre os dedos- E você não quer que seu dono veja você machucado de novo não quer? -Sussurrou, encarando os olhos rubros. -Saia da minha funerária antes que eu crave mais minha death scythe em você, seu cachorrinho inútil.
O demônio apenas o encarava, sem dizer uma palavra. Undertaker não se irritava assim com o tal desde a luta no navio, a alguns anos atrás.
—Eu mandei você sair daqui. -Disse fortemente, segurando o mordomo e o jogando sobre a porta. E logo chegando perto do corpo -Me machuque, mas NUNCA machuque essa criança, o pior vai vir para você. Você não conhece essa menina e espere não conhecer no futuro. -Sussurrou, com o salto da bota quase perfurando a garganta do Michaelis.
Soltou e deu apenas um chute nas costelas de Sebastian, que se levantou e ergueu as mãos.
—Não acabo contigo por causa do meu mestre. -Sussurrou botando a mão na maçaneta.
—Por favor, se bota no seu lugar. -Disse bufando. -Você não é nada, demônio. Agora NÃO VOLTE MAIS AQUI.
O verde dos olhos de Adrian brilhavam intensamente, fazendo a menina se assustar quando ele virou pra ela.
—VOCÊ ENLOUQUECEU ANALLY? –Perguntou socando um de seus caixões, enquanto a menor o olhava assustada. –NÃO É HORA PRA ISSO, OLHA A SUA IDADE, OLHA O SEU TAMANHO PERTO DELE!
—EU PODERIA...
—NÃO ANALLY VOCÊ NÃO PODERIA NADA! OLHA SEU TEMPO DE TREINAMENTO E OLHA A IDADE DAQUELE CACHORRINHO DE CONDE? –Gritou fazendo-a sair escada acima. –Volta aqui... Agora.
—Eu já entendi oque fiz, okay? –Perguntou com lágrimas escorrendo no rosto. –Mais algo que queira jogar na minha cara?
—Não era minha intenção anny...
—Então pense antes de falar. –Pediu subindo correndo.
—----x----
—Boa tarde Adri...an? –Grell ao entrar na funerária apenas viu o mais velho suspirando e resolvendo qualquer substância que estivesse ali. –... oque ela fez?
—Oi?
—Conheço a personalidade dela, oque ela fez?
—Se resolva com ela, e se conseguir a tirar de lá será uma vitória. –Disse apontando as escadas, arrumando os frascos.
Subiu os degraus de pedra, apenas com o barulho dos saltos e da chuva que caia na rua. Ele já imaginava que logo isso aconteceria, dois de personalidade forte sempre há alguma desavença.
—Anny querida, posso entrar? –Pediu batendo na porta.
—Pra que? Para me falar o quantas coisas erradas eu faço? Eu já SEI disso mãe. –Respondeu, apenas fazendo Grell suspirar.
—Eu não vim pra isso, apenas abre a porta okay? –Disse baixo, apenas ouvindo barulho da chave. –Vitória... –Sussurrou pra si mesmo e entrou no quarto.
—---x-----
—Seu pai não precisa saber disso okay? –Pediu suspirando, enquanto estavam quase na frente de casa.
—Eu não preciso saber de que?-Perguntou, assustando-as. –Não deveriam fofocar na rua.
—Era uma...heh surpresa...
—Sim uma surpresa....
Anally e Grell se encaravam com nervosismo, fazendo William bufar. Obvio que ele sabia que era mentira.
—Entrem...só...entrem. –Mandou e logo fechou a porta atrás de si. –Agora falem.
Começaram a falar ao mesmo tempo, se atropelando com as palavras. William apenas suspirou e levantou uma sobrancelha, cruzando os braços. Enquanto se atrapalhavam nas desculpas, ele apenas se sentou no sofá e ficou as encarando.
—Você...não esta acreditando né? -Anally perguntou se sentando no chão, vendo as gotas de chuva escorrerem dos cabelos.
—Nem um pouco. –Disse com um sorriso irônico. –Estou esperando.
—Por onde começamos... –A menina sussurrou baixo.
—Pela verdade, talvez? Ou talvez a explicação desse furo no seu rosto?
Apenas oque se ouviu por longos minutos foi a chuva forte da rua. Grell e Anny se encaravam, empurrando uma a outra para falar, mas nada saia. Grell decidiu que a menina não iria falar, fez menção para ela subir, respirou fundo e soltou em apenas um suspiro.
—Michaelis.
Só notou os olhos esmeraldas brilharem em um tom intenso. Os dois apenas se encararam por alguns segundos, até Grell se sentar ao seu lado e botar a mão na sua coxa. Só ouvia a respiração pesada. William apenas se levantou e o ruivo o seguiu com o olhar, tentando não se desesperar. A quietude do moreno assustava-o, ele esperava uma atitude bem pior. Continuou sentado no sofá, encarando o marido.
—Will...querido? – Chamou baixinho, mas rapidamente cobriu o rosto ao ver o vaso que estava na estante voando no chão. –William, está tudo bem, calma.
—Não não está. Como você acha que eu fico cada vez que ele machuca você? E agora ele vem na minha filha? -Gritou contra o ruivo que pediu que ele baixasse a voz para que a menina não ouvisse. – Você ACHA que eu gosto disso? De ver ele tentando arruinar minha família. Não Sutcliff eu não gosto, e odeio. E se ele botar a mão seja em um fio de cabelo seu ou dela não vai ter nem você nem Knox para me puxar. Eu não sei se você lembra, mas vocês são MINHA família.
—E por isso peço que se acalme meu amor. –Pediu chegando perto do mesmo, passando a mão de leve em seu rosto. –Eu prometo que tudo vai ficar bem, eu prometo que logo logo ele sumirá. Eu sei disso. –Disse selando seus lábios de leve. –E vai ficar tudo bem, nem eu nem ela vamos nos machucar mais. Agora me ajude a juntar isso...
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