O destino de um shinigami em preto
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Notas iniciais

O expediente acabava, um ruivo sumido, três preocupados. Ronald conversava com Alan sobre tal ato até ver o superior abrir o dormitório se deparando com os dois sentados em sua porta.
–O-oque vocês querem aqui? –Perguntou com a voz um pouco diferente que o normal, deixando apenas uma fresta da porta aberta.
–Porque faltou hoje? Sabia que a gente teve que fazer os seus relatórios? Sorte de ficar junto ao Supervisor porque você tem vantagens. –Ironizou.
–Não me fale o nome desse vigarista, não insinue nem mesmo pense sobre ele perto de mim. –Sussurrou batendo a porta na cara da dupla que se olharam perplexos.
–SUTCLIFF!
–SUTCLIFF SENPAI ABRA PORTA AGORA! –Gritavam os dois chamando a atenção de quem passava.
–OQUE VOCÊS QUEREM? –Abriu a porta aos gritos quase socando os dois.
–Entender a merda que você disse! –Disse Ronald sendo puxado para dentro do dormitório mas antes sussurrando para Alan – Fale com William!
Quando entrou viu que o quarto estava uma bagunça sem fim. A cama desarrumada, uniforme jogado em um canto, sapatos jogados no outro canto. Grell estava com uma trança despenteada e com seu pijama amassado vermelho e cinza e apenas calçando meias. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, o sinal de choro e a voz desregular.
–Eu...Eu lhe avisei não foi? –Disse com um sorriso desapontado.
–Cala a boca Knox. –Disse abaixando a cabeça mas logo sentindo um aperto. –Larga fora, não to pra abraço.
–Ta sim, não adianta reclamar, você precisa disso. Você é como um irmão para mim, lhe quero bem. –Disse ouvindo uma risada abafada. –Oque foi? –Perguntou se afastando do ruivo.
–Não imaginei que uma pessoa como você seria capaz de sentir coisas assim. –Gargalhou sentindo um travesseiro atingir sua cara. –HEY! –Gritou jogando o mesmo travesseiro em Ronald.
–Não seja tão estressado! Também não falo mais nada. –Disse emburrado.
–Ta crianção para disso. –Disse se sentando na beirada da cama pela crise de riso. –Ai ai você me fez rir.
–Afinal oque aconteceu? –Disse se recuperando da crise de riso mas vendo a expressão triste no rosto de Grell e se arrependeu de ter perguntado. –Desculpe-me.
–Não Ronald, não! Você me avisou e eu cai nas palavras sutis dele. Eu confiei e me entreguei, me entreguei a ele do melhor jeito que podia, com amor e sem ódio. E eu me fodi.
–Oque ele fez?
–Sabe...Sabe a Meredith? –Perguntou fazendo o Ronald que já fora apaixonado por ela só baixar a cabeça e assentir- Slingby viu ele e ela se....praticamente se comendo. Pronto falei. –Disse suspirando pesado. –Desculpe Ronald.
[...]
–Fale logo, você fez algo ao Sutcliff não fez? –Perguntou logo Alan batendo a porta logo que entrou, encontrando William lendo um livro nada preocupado. –Ah mas você não tem nenhuma vergonha na cara não é?
–Desde quando você ficou tão falante Humphries? –Perguntou só vendo uma expressão mais raivosa do castanho. –Oque tem o Sr. Sutcliff?
–Oque tem ele? –Perguntou num tom sarcástico soltando um grunhido. –Oque VOCÊ fez com ele.
–Eu não fiz nada. Nada que tivesse que lhe tirar do sério pelo menos. –Disse e continuou a ler seu livro.
–Então porque ele está chorando, com profundas olheiras e chamando o senhor de tudo quanto é nome? –Perguntou fazendo finalmente o moreno levantar os olhos do livro.
–Grell está chorando? –Perguntou com um pouco de preocupação a mostra.
–Se referindo a ele pelo primeiro nome, na frente de outra pessoa? Essa é nova... –Disse soltando um riso abafado. –MAS ESSA NÃO É A QUESTÃO.
Quando viu, William já tinha batido a porta.
[...]
O ruivo finalmente tinha pego no sono, Ronald estava deitado no chão usando um dos pijamas do ruivo como travesseiro. Os dois acordaram em um pulo ao ouvir as batidas na porta, fazendo Grell amaldiçoar a santa criatura que estava porta a fora.
Grell levantou arrumando a trança já despedaçada, quando viu quem era. Sentiu seu corpo gelar.
–VOCÊ NÃO VAI ENTRAR SE É OQUE ESTÁ PENSANDO! –Gritou sem mesmo abrir a porta.
–AH EU VOU! VOU MESMO! –Gritou Will arrebentando a porta. –Falei que ia.
–É você que vai arrumar, não eu. Sinto muito se vai ter que ver esse péssimo quarto vermelho em quanto arruma. –Disse com raiva. –Esqueci que não gosta dessa cor. –Exclamou em um certo tom de desprezo.
–Oque você está dizendo? –Perguntou mas logo sentiu sua face ardendo.
Finalmente Grell havia tomado uma atitude. Ele recuou e com a mesma mão que acertou a face de William cobriu a boca com os olhos marejados, como um pedido de desculpas. Mas estava incrivelmente enfurecido.
–EU ACREDITEI EM VOCÊ! –Gritou contra ele. –Eu...eu confiei em você! Você soube todos meus segredos, eu nunca escondi nada de você! Você sabe da coisa mais simples a mais vergonhosa! Eu me entreguei a você, eu sabia que podia confiar em você, que não seria apenas um brinquedo. –Disse gargalhando assustando os três. –Mas parece que estou errado.
–Oque...Oque eu fiz? –Perguntou se aproximando do ruivo que apenas recuou.
–Não se faça de imbecil....Agora fora...FORA DAQUI! EU NÃO QUERO LHE ENXERGAR! –Brandiu contra ele fazendo que os dois o expulsassem do recinto, deixando o moreno confuso.
Grell apenas foi até o banheiro e se trancou. Se jogou no chão e começou a chorar, chorar como nunca tinha feito. Ele abraçou os joelhos, ficando em uma posição confortável mas seu peito doía, ele só queria que fosse apenas uma memória, apenas um sonho, que ele se acordasse nos braços de William, que ganhasse aquele beijo que apenas ele sabia o gosto, que ouvisse mais das palavras lindas que o amado o falava. Ouvia os três discutindo, mas não ligou. Ele queria esquecer...Esquecer que aquilo fora real.
–Grell, abra a porta meu ruivo por favor. –Pediu William escorado na porta.
–Va-vai embora. –Pediu com a foz rouca.
–Eu não vou sair daqui até você abrir. –Disse sentando na frente da porta.
–Pre-preparado para ficar ai para sempre? –Perguntou soltando uma risada.
–Por você...por você eu aguento a eternidade. –Disse fazendo Grell soltar um soluço e sentir seu coração apertar.
[...]
Eric sorria feliz. Finalmente conseguiu derrubar os três mais odiados por ele.
–Oque tanto sorri meu amor? –Perguntou Alan se aconchegando com ele.
–Você não soube? Pensei que soubesse as coisas do Sutcliff.
–Ah ele está arrasado... Mas está sorrindo porque? –Perguntou sorrindo com um sorriso inocente.
–Ah meu pequeno....Você sabe que eu os odeio. Odeio por aquela amizade, por agora William estar junto aquela duplinha...
–FOI VOCÊ QUE FEZ ISSO NÃO FOI? –Gritou se afastando de Eric.
–Você não entende...Foi o melhor....
–Você ainda botou a Mere no meio para afundar Knox junto! Você...-Deu um suspiro longo e saio porta a fora.
–A onde você vai? –Perguntou com um ar indignado se levantando e indo atrás.
–Com pessoas que realmente merecem minha companhia.
[...]
Grell dormiu encostado na porta, segurando fortemente suas mechas de cabelo, por falta de seu cobertor ou de William. O ruivo tinha uma estranha mania de dormir enroscado em seu cobertor. Ronald puxava Will qwue continuava encostado na porta com um olhar desafiador.
–GRELL SUTCLIFF ABRA ESSA PORTA AGORA! –Gritou Alan batendo na porta do banheiro.
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