O despertar de uma little
1 Sensações
Você esta feliz assim?
— porque esta me perguntando isso? Pareço infeliz?- ela forçou um sorriso seco.
Sim.
O pedaço de fruta desceu arranhando sua garganta, aquilo não era o que Ana esperava ouvir.
Esta tão na cara assim, posso ao menos terminar a minha salada de frutas?
— não!
Mas que dia...
Ops! Não ouse terminar, sabe muito bem o quanto odeio palavrões.
Sim... Eu sei... Mas é que não quero tocar neste assunto.
Imagino que não queira, mas foi pra isso que viemos aqui, pra falar disto.
Pensei que estávamos aqui a negócios... J.A foi bem claro quando me disse que você estava interessada em publicar seus contos em nossa editora e...
Tenho certeza que ele foi Ana, porem a algumas semanas que venho lhe acompanhando e não posso deixar que você edite os meus contos.
Você o quê? — Rick, você melhor que ninguém sabe o quanto levo a serio meu trabalho.
Sei sim e esse foi um dos motivos que pedi ao J.A que fosse você a editá-los, mas ha alguns dias tenho lhe observado e não sei se você esta em condições de...
Você tem me seguido? — Ana gritou, atraindo olhares em suas direções.
Não... Talvez... Ouça
Você não tem esse direito.
Isso não importa.
Claro que importa... e a minha privacidade.
Ana escute... eu não te sigo ok... eu só busquei algumas informações. ..
Meu Deus
Escute Ana!Eu sei que você esta sofrendo fisicamente e mentalmente, sei das suas ultimas perdas, e quanto isso é doloroso, mas...
Ow... Rick ( Ana começa a falar em voz alta atraindo alguns olhares em sua direção)... – você não sabe nada sobre mim, não sabe nada sobre a minha vida, e você se quer estava la quando eu mais precisei... Você... É um... Canalha
(Ana se levanta pra sair, mas Rick a segura pelo braço).
Me solta, ou eu farei um escândalo aqui e agora mesmo...
Tudo bem Ana, vá em frente, pode gritar mas não lhe soltarei, escute o que tenho a lhe dizer e depois você poderá ir sem problemas, entenderei se não quiser falar comigo depois.
" Ana, mesmo contrariada, acaba se sentando, sabia que Rick estava certo, talvez ele estivesse ali por um bom motivo, e talvez ele pudesse ter uma boa noticia no meio a tantas tragédias que lhe atingira nesses últimos meses..."
Eu sei... Eu sei que já se passaram quatro meses Ana...
Cinco... Já se passou cinco messes Rick...
Ok! Cinco meses desde a tragédia com a sua mãe, e...
E o que você pensa que esta fazendo, seu cretino! Tortura psicológica? – é algum tipo de terapia... Porque se for não esta funcionando...
(o olhar de Ana, era fulminante, se ela pudesse estrangulava Rick ali naquele lugar mesmo, tocar em feridas que o nem o tempo pode cicatrizar, ele queria mesmo tirar ela do serio)
Ana... Ele disse num tom suave... Você quer ser feliz?
Olha Rick não sei aonde você quer chegar com essa conversar e não estou me sentindo bem, e eu vou pra minha casa. Mais tarde se você quiser que andasse edite o seu trabalho, sabe onde me encontrar, mas agora eu realmente preciso ir.
Dessa vez foi Rick quem se levantou por primeiro, rapidamente deu a volta na mesa e sem dizer nada se aproximou de Ana e abraçou.
Eu sei que não tem como voltar no tempo, acredite se existisse uma forma eu faria, sei que não posso reparar os meus erros, nem curar as suas feridas, mas eu estou aqui agora, deixa eu cuidar de você...
Ela tentou empurrar ele, mas não conseguiu, aquele abraço de alguma forma aconchegou o seu corpo, acariciou a sua alma, havia sinceridade ali... e ela se aquietou, sua cabeça lentamente encontrou apoio no ombro de Rick e por alguns instantes ela ficou ali quieta
Ele passou a sua face no rosto dela, a sua barba rasa, mexia com Ana, e por um longo tempo se entreolharam, e suas bocas foram ficando uma mais próxima da outra, mas ele não se atreveu a beijá-la.
Não faça essa cara, Rick, ela sussurrou...
Qual cara? Ele indagou.
Essa de gatinho abandonado, quem esta carente aqui sou eu, oh meu Deus o que eu estou dizendo...
Ele sorriu esta dizendo que precisa de mim?
Não sei, estou.. Eu acho que..
Não ache, Ana, venha comigo, vou te levar a outro lugar.
Ana estendeu a mão, e os dois se levantaram. Fez sinal para o garçom, deixando uma nota sob a mesa, pegou o casaco dela e sorriu, Ana olhou a sua volta, nenhum rosto ali era conhecido, ninguém imaginava o misto de sensações que a invadia naquele momento, encarou a velha do caixa, que retribuiu com um sorriso, e um gesto como que balançando a cabeça dizendo: — vai. E em passos lentos, caminharam para porta e saíram.
Enquanto saia lembrou se da sua avó, que partira logo depois da sua mãe, o quanto ela aprova Rick, mas ao mesmo tempo um vazio tomou conta do seu corpo, era as lembranças, e o sentimento de solidão, o medo e a realidade que ela estaca sozinha. E em meio aquela confusão, se aconchegou ainda mais nos braços de Rick e falou;
—não ouse pensar que esta perdoado... E ele... Sorriu... Sabia que sim.
Rick dirigiu o carro ate um parque, era primavera com cara de inverno, e havia uma exposição de flores raras.
Porque aqui? Perguntou Ana.
Informaram-me, que talvez aqui, tivesse aquela flor que me pediu, no dia que a gente se conheceu você ainda se lembra?
Sim, mas você não cumpriu a sua promessa.
Parece que é uma boa hora pra cumprir então não é?
Ana, não podia dizer que ele não estava se esforçando pra fazer esquecer as coisas ruins que lhe atingira. Mas talvez ele estivesse indo longe demais.
Rick espera... Quero lhe perguntar uma coisa.
Sim.
Definitivamente não é sobre trabalho que você queria falar comigo, é?
Se te alivia saber, era sim, mas podemos deixar pra depois, pois ele já é seu. Agora vamos aproveitar a feira?
É sobre nó, não é mesmo?
É sobre você, Ana. E também sobre mim. E quem sabe nós.
Ele terminou de estacionar, desceram...
Rick conhecia muito bem Ana, sabia que aquele lugar traria paz e tranqüilidade a ela, e assim ela poderia ter alguns instantes de alegria, e paz, coisas que ela não tivera nesses últimos meses. E ele estava certo, em poucos minutos, Ana sorria e exalava o perfume das flores que ali estavam exposta, e entusiasmada indagava com profundo interesse sobre todas as flores que podia... E o senhor que a atendia, era paciente e alegre, respondia ela com tanta clareza e delicadeza, sem se estressar com as perguntas daquela estranha garota.
Rick lembrou por alguns instantes do rompimento com Ana, mas sabia que não podia contar o verdadeiro motivo do seu afastamento, e ele se arrependeu de lembrar, seus olhos se encheram de água, deixando cair algumas lagrimas, mas rapidamente desejou voltar se ela o visse daquele jeito podia acabar estragando tudo.
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