O desejo do Papai Noel
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Natal. Uma das poucas festas que reúnem famílias, amigos, e com isso o amor ao próximo. Decorações natalinas enfeitavam casas e praças onde todos compartilhavam a alegria uns com os outros, sem se importarem com o frio ou o resfriado que possivelmente garantiram para o outro dia. Mas o espírito estava ali, presente para aqueles que admiravam. E na grande Nova York não seria diferente. Que por mais que a alegria se espalhava, alguns ainda não tinham o que ou como comemorarem.
Natal é época de solidariedade, e sim, haviam pessoas que ajudavam. Sakura Haruno é umas dessas pessoas. Uma mulher decidida de vinte e sete anos, médica pediatra, dona de cabelos exóticos e responsável pela festa beneficente natalina mais conhecida da cidade.
—Ino por favor, me ajude com isso! -Choramingou pelo telefone.
—Desculpa Sakura, mas não conheço ninguém para isso.
—Fale com Gaara.
—Já falei e ele não aceitou, sabe como é, não tem jeito com crianças. -Explicou triste.
—Tudo bem, te vejo mais tarde. -Desligou.
Ino Yamanaka e Gaara no Sabaku, eram seus amigos de infância, suas mães eram amigas e assim a amizade passou para os filhos, Ino também faz parte do hospital onde trabalha e Gaara é advogado. Como previsto desde pequenos, ambos agora estão casados.
Sakura guardou o celular no bolço do grosso casaco que vestia e bufou. Sentia as botas enterrarem na neve enquanto desviava das pessoas que carregavam sacolas de presente. O vento forte fez seus cabelos voarem tampando sua visão, tinha vontade de cortá-los e faria o quanto antes. Com a visão tapada, escorregou sobre o joelho.
—Opa.
Tirou os fios do rosto e encarou o dono dos braços que a seguravam. Os olhos azuis demonstravam preocupação, mais abaixo, nas bochechas três riscos de cada lado faziam presente o tornando intrigante. Uma touca laranja deixava ainda de fora alguns fios de cabelo loiros.
—...ça...moça!
Sakura piscou algumas vezes e percebeu que encarava a muito tempo o belo rapaz, ele a colocou no chão de modo certo e sorriu abertamente, mostrando os dentes brancos.
—Desculpe, e obrigada por me segurar. -Sorriu sem graças.
—Não tem problema moça, seria uma queda feia. -Riu.
—Culpa desse enorme cabelo, ainda vou cortá-los.
Ele a mirou arregalando os olhos.
—Seu cabelo é ROSA! -Apontou surpreso.
—Não é o primeiro que tem essa reação.
—Muito prazer moça dos cabelos rosas, sou Naruto Uzumaki. -Estendeu a mão ainda sorrindo.
—Sakura Haruno, sei que é estranho já que acabamos de nos conhecer, aceita um café como gratidão por me salvar.
—Adoraria, conhece algum lugar?
—Vamos.
Sakura assumiu a frente, se perguntando como teve coragem de chamar um estranho para tomar café da manhã. Nunca fez isso e jamais pensou que faria. De fato um rapaz bonito, mas é como sua mãe dizia. “Quem vê cara não vê coração”.
Chegaram ao café, ela cumprimentou todos, como se frequentasse o lugar a anos, sentou-se na mesa ao fundo do lado da janela e sorriu para o loiro.
—Nunca te vi por aqui, Naruto. -Falou chamando o garçom e fazendo seu pedido.
—Não sou daqui. -Coçou a nuca. -Minha mãe é daqui mas meu pai é japonês. Nasci no Japão e vivi lá minha vida toda.
—Ta explicado. O que faz aqui?
—Curiosidade, quis saber como é o Natal onde minha mãe viveu boa parte de sua vida. Cheguei hoje.-Mostrou a mochila, onde estavam suas roupas.- E obtive a sorte de encontrar uma garota linda que me pagou um café por salvá-la.
—Muito engraçado. Onde vai passar o Natal?
—Meus planos seriam passar na casa do meu amigo, mas a namorada dele esta passando um tempo. Então vou procurar um lugar. -Tomou um gole de sua xícara fumegante de chocolate quente. -Chega de falar de mim, e você, me fale um pouco.
—Não tenho muito o que falar. Bem, nasci e vivi aqui toda minha vida, moro sozinha em uma casa perto do parque, tenho vinte e sete anos e sou pediatra.
—Belo resumo, a propósito, tenho vinte e quatro e estou a procura de um emprego temporário.
—Naruto, você parece uma boa pessoa.
—E sou. -Afirmou sorrindo.
—Todos os anos faço uma festa de Natal, arrecadamos fundos para quem precisa, só que esse ano o nosso Papai Noel não vai poder vir por que está no hospital.
—Onde eu entro nisso?
—Hoje é dia 22 e ainda não encontrei ninguém para ser o bom velhinho. O que acha de bancar o Papai Noel por uma noite?
—To dentro Sakura-chan.
—Chan? -Perguntou duvidosa.
—Desculpe, é um costume no Japão fazer isso com quem fazemos amizade.
—Tudo bem. Ainda não tem lugar para ficar, certo? Tenho um quarto para visitas se quiser.
—Seus pais não disseram que não se deve abrigar estranhos? -Perguntou ladino.
—Disseram, mas já tomamos café juntos e agora será o Papai Noel. E também, existe polícia para que?
—Já que insiste tanto em ter minha presença perto da senhorita, eu aceito as duas propostas com o maior prazer.
—Você não sabe como acabou de me salvar novamente, Naruto.
Após tomarem café, Sakura o convidou para se instalar em sua casa, como morava perto de onde estavam, a rosada teria decidido mais cedo que faria suas voltas andando, por isso, voltaram para casa caminhando enquanto conversavam.
—Sua casa é bem legal, Sakura-chan.
—Obrigada. Vou mostrar seu quarto.
O chamou para que o segui-se. A sala continha dois sofás de três lugares em cinza claro. No centro uma mesa de vidro enfeitada com decorações natalinas. No canto ao lado do sofá se encontrava a árvore de Natal, de mais ou menos 1,80cm de altura, com diversos enfeites e no topo, uma estrala dourada rodeada de pisca piscas que caiam como cascata ao redor da árvore. Sakura mostrou o banheiro, simples como os outros que já vira antes. A cozinha mediana com paredes forradas em piso branco, o fogão próximo a uma janela, e ao lado a geladeira. Uma mesa de quatro cadeiras no centro com uma toalha de Papai Noel dando um clima feliz ao cômodo.
E por último o quarto, o loiro abriu a porta e se deparou com uma cama de casal com lençóis limpos. Um guarda-roupas de cinco portas marrom com bege, e uma escrivaninha para estudos ou que desejasse.
—Sei que não é muito luxuoso, mas é o que tenho para agora. -Explicou-se Sakura.
—Esta ótimo, e o espaço é grande, não é como se fosse ficar por muito tempo.
—Vou deixar que se instale, se precisar meu quarto é esse em frente ao seu, só tocar na porta.
—Obrigada Sakura-chan.
Naruto jogou a mochila em cima da cama e se juntou a ela, pegando no sono após uma longa noite de viajem.
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