O desafio
8 Cap - 15
— Fogo! — Sussurrei.
No momento em que meu consciente era desligado fazendo com que o meu subconsciente tomasse o comando por um período de tempo, eu começa a ter aqueles sonhos-lembranças estranhos.
Estava em uma casa enquanto ela era devastada pelo fogo. E eu estava parada no meio de tudo aquilo, em nenhum momento me desesperei, pensei em fugir, apenas continuei parada observando tudo ser tomado pelo fogo e em seguida sabia que seria eu. Quando senti o calor das chamas se aproximando, fechei meus olhos e pude sentir o calor diminuir e quando abri meus olhos novamente, eu já não estava mais parada no meio de uma sala em chamas, estava do lado de fora da casa, que agora, eram apenas cinzas. E eu não me senti triste por isso, como se soubesse o tempo todo que isso aconteceria.
A mesma cena se repetiu varias e varias vezes. Em um momento estava em uma sala tomada pelas chamas e segundos depois estava do lado de fora vendo-a em uma mistura de fumaça e cinzas. Até que pude ver a última e única cena diferente.
Tirei minhas mãos que estavam no bolso do casaco e pude ver que segurava um esqueiro. Deixei-o cair em meio a grama com fuligem. Senti uma mão segurar meus ombros.
Acordei com um suspiro desesperado.
— Devagar, devagar! — Ouvi alguém dizer.
Meus olhos estavam embaçados por ter levantando tão rápido e uma súbita dor tomou conta do meu corpo.
— Você sofreu queimaduras e tanto.
— O que?
Quando minha visão finalmente começou a voltar vi que estava em um quarto com paredes claras, mas não eram completamente brancas como tudo em Montreal. Havia um pequeno armário cinza e ao lado dele uma poltrona que dava de frente á uma janela, e quando olhei para ela quase fiquei cega, uma luz forte entrava, percebi que não era luz artificial e sim solar. Como eu sentia falta disso. Antes que eu pudesse me levantar uma figura escura se formou na minha frente.
— Robert? — Perguntei desconfiada.
— Quem mais seria? — Ele riu.
Tentei me levantar novamente.
— Ei, ei. Você precisa descansar, não ouviu o que eu disse? Você foi eletrocutada, Kristen. Podia ter morrido. No que estava pensando quando fez aquilo? — Disse enquanto me segurava levemente pelos ombros e me colocava novamente na cama.
Foi quando flashbacks passaram pela minha cabeça e lembrei o que havia acontecido.
— Dylan! — Tentei levantar pela terceira vez.
— Se você tentar levantar novamente eu juro que vou buscar correntes agora mesmo! — Dylan disse enquanto sentava-se ao meu lado na cama.
Eu precisava ao menos me sentar.
— Dylan, o que aconteceu com ele? Eu preciso ajuda-lo.
— Não, não precisa, ninguém pode fazer mais nada por ele. — Robert me encostou aos travesseiros novamente.
— O que? Ele... — Minha garganta fechou e senti que ia desabar em lágrimas.
— Por sorte vocês têm uma médica na equipe. Seu amigo esta bem, certamente melhor que você.
Suspirei tão aliviada que senti meus batimentos diminuírem.
— Você é um idiota.
— Velhos hábitos a gente nunca perde. — Ele disse enquanto me entregava um copo de água.
Desde que havia entrado lá, não sentia tanta sede quanto sentia agora.
— Pensei que os conlitimistas não podiam ser cuidados por pessoas de fora do grupo, ainda mais por um instrutor... — Dei ênfase na última palavra.
— E não podem, mas como você venceu o teste de uma forma incrível, pedi a eles que me deixassem cuidar de você dessa vez. — Ele deu de ombros e me entregou uma gelatina de abobora branca.
— Espera, aquilo foi um teste?
— Sim, e tudo o que você precisava fazer era colocar seu grupo em formação e não todos os outros de uma vez só. — Robert balançou a cabeça e sorriu enquanto me encarava.
— Ah. — Dei uma mordida na gelatina para poder esconder um leve sorriso que se formou, o que não resolveu muito.
Quando terminei de comer, ele pegou o papel da minha mão e foi jogar no lixo de um banheiro que havia lá. Enquanto Dylan dizia algo sobre remédios, eu tirei a coberta que estava sobre mim e pude ver que não estava usando mais minhas roupas e sim um vestido branco de seda.
Quando Robert apareceu na porta segurando alguns remédios e me viu olhando perplexa para o vestido.
— Nossa. — Ele limpou a garganta. — Quer dizer, você parece melhor.
— Foi você que...? — Gesticulei com a mãos sobre o vestido.
—Foram as enfermeiras. Eu não toquei em você, Kristen. — Sua expressão se tornou séria. — Além do mais, eu prefiro tocar em garotas conscientes. — Ele deu um sorriso malicioso.
— Ah, ta legal, deixa pra lá... Alias, quem foi que salvou a vida de Dylan? Alguém do grupo maior? — Questionei enquanto ia em direção a janela.
— Elizabeth.
— Elizabeth? Não sabia que ela entedia de medicina.
— Foram tantas as vezes que ela salvou a sua vida.
— Salvou a minha vida? — Me virei para ele.
Fale com o autor