O desafio
6 A continuação
Havia um alçapão na parede. A parede na verdade poderia ser um teto, porque a escada acabava nela, talvez aquilo realmente fosse o teto do que quer q seja aquele lugar. Comecei a empurrar o alcapão, mas eu estava fraca de mais para conseguir move-lo. Eu queria desesperadamente sair daquele lugar e não só do lugar onde eu estava em si, mas de tudo aquilo em minha volta. Comecei a empurrar o alçapão com as mãos, o que fez meu braço começar a queimar novamente, tentei me apoiar com o braço bom sobre ele e empurra-lo, nada resolvia, ele nem ao menos sai do lugar. Alem de estar sem força alguma o alcapão parecia antigo, como se a anos nunca ninguém tivesse o tirado do lugar, estava enferrujado o que só dificultava ainda mais as coisas. Tentei de todas as maneiras possíveis e talvez não possiveis, mas nada fazia com que aquele alçapão ao menos saísse dois cm do lugar. Eu estava cansada, com dor e acima de tudo com raiva. Raiva por tudo aquilo estar acontecendo, raiva por não saber ao menos porque aquilo estava acontecendo e por não conseguir abrir a droga de um alçapão. Sentia que já havia feito coisa mais dificeis do que abrir um simples alçapão enferrujado. Não que isso fosse simples, meus pensamentos estavam confusos, como se ao mesmo tempo pensamentos de outra pessoa surgissem juntos ao meu. Comecei a enlouquecer (mais?). Em um momento súbito de raiva e angustia comecei a socar o alçapão continuas vezes, ao mesmo tempo que xingava e chorava.
— Por que tem que ser assim — Mais socos — Por que vocês tem que fazer isso comigo? — Gritei em prantos. — Eu vou acaba com vocês seus idiotas. — Tentei forçar a voz para parar de chorar o que adiantou só por alguns minutos, dei um ultimo soco fraco e em seguida me sentei no chão. Não sabia o que fazer, não conseguia abrir o alçapão, mas tb não podia voltar.
Uma figura alta e robusta surgiu em meio a claridade e logo ela foi ganhando forma.
— Quem?
Ele não disse nada apenas sorriu ironicamente. Não sabia onde ele estava indo, mas ainda sim o segui, sabia que em Tyler eu poderia confiar e ele era o unica pessoa que eu me recordava.
Estávamos em cima de um telhado, talvez não fosse um telhado. Por aquele lugar ser subterrâneo, era complicado dizer exatamente o que era aquilo. Nunca poderia imaginar prédios em baixo da terra, mas era o que havia lá. Ao mesmo tempo que aquilo era subterrâneo, era como se fosse uma cidade normal, exceto por não ser possível ver o céu (obvio) e no fim era o que eu mais queria ver.
Tyler começou a correr mais rápido.
— Temos 2 minutos.
— 2 minutos, exatamente para que?
— Para sairmos daqui — Ele sorriu.
— Pensei que eu já havia tentado isso dezenas de vezes. — Disse me lembrando do sonho anterior.
— Você e — O chiado apareceu. — Sim, mas todos nós não.
— Um tipo de rebelião do bem? — Disse sem mencionar o chiado.
— É ? A rebelião do bem que você começou.
— Eu?
— Esqueceu que é a nossa comandante de operação e todos os outros títulos que as pessoas te subtitularam?
— É, acho que sim. — Forcei um sorriso.
Ele parou de correr e se posicionou ao meu lado.
— Aconteceu alguma coisa, K? Eles devem ter pegado pesado com você dessa vez.
Eles, pensei. Quem eram eles, afinal.
Continue... ( Part do tubo de ventilação)
Sebastian pegou algo no bolso da calça, era um tipo de mini faca. Começou a desrosquear os parafusos que prendiam o tubo de ventilação.
— Como passou com isso pelo detector? — Perguntei o mais baixo possível, não queria acordar ninguém, por mais que eu achasse impossível algum deles acordar, estavam completamente cansados, assim como eu e Sebastian, mas ainda sim queríamos descobrir o que estava acontecendo.
— Passando (?)
— Ótimo.
Finalmente ele terminou de tirar todos os parafusos, segurei a grade antes que caíssem. Continue...
Sebastian se posicionou ao meu lado, e começamos a observar atentamente a qualquer detalhe que fosse importante para o que quer que estávamos fazendo. Abaixo haviam duas pessoas que eu não conseguia identificar se eram mulheres, homens, ou um casal. Eles estavam completamente cobertos com uma roupa branca, parecidas com a do centro de pesquisas Languoribus. Luvas, roupões, botas na altura dos joelhos e tocas cobrindo completamente a cabeça. Eles seguravam alguns frascos que começavam a mudar de cor cada vez que eles chacoalhavam-os.
— O que são esses líquidos? — Sussurrei.
Sebastian nem ao menos prestou atenção, continuou a olhar focado para o que eles faziam.
Logo após alguns minutos outra pessoa entrou na sala, mas essa em questão não vestia nenhum tipo de vestimenta contra o que parecia algum vírus ou bactéria. Estava com uma roupa de paciente, parecia abatido.
— Não. — Sebastian queria gritar, mas sussurrou.
Olhei desesperadamente para ele, minhas veias pareciam saltar no pescoço. O pouco tempo que havia passado com ele, não tinha o visto tão aflito daquela maneira.
— Sebastian! O que foi? — Perguntei.
Ele colocou a mão sobre a boca em sinal de silêncio e continuou a observar. O garoto foi diretamente a uma maca e se deitou, parecia exausto e ao mesmo tempo sob algum medicamento. Uma das pessoas que estavam no local com ele, pegou uma seringa e colocou o liquido do experimento dentro dela, em seguida aplicou no braço do garoto. Eles ficaram em volta dele observando-o, nos primeiros minutos nada aconteceu. Olhei para Sebastian sem entender o que estava acontecendo, mas ele parecia estar mais confuso que eu, mas ainda sim, sabia de algo que eu não.
Minutos após a aplicação do líquido no garoto, ele começou a reagir. Suas pernas começaram a tremer bruscamente, em seguida seus braços e depois seu corpo todo. Parecia estar tendo uma convulsão. As duas pessoas tentaram segura-lo.
Parte que eles estão voltando.
— Verifiquem se a algum conlitimistas fora de seus quartos. Rápido! — Uma das pessoas falou ao celular e pude perceber que era uma mulher.
Olhei para Sebastian desesperada.
— O quarto tem câmeras.
— Acha que eu não sei disso? Não se preocupe, eu já resolvi.
Enquanto engatinhávamos de volta ao nosso quarto fiquei pensando que nós não havíamos deixado nenhum parafuso cair, então como ele apareceu lá?
— Kristen, vamos! — Sebastian me assustou.
Parei de me perder em pensamento e o segui. Finalmente chegamos ao quarto, Sebastian apontou para as câmeras que estavam cobertas com o seu cobertor, ele amarrou algumas blusas dele no cobertor que iam até sua cama, formando uma alça. Ele era realmente estratégico. Nós posicionamos na cama e então Sebastian puxou o cobertor fazendo com que parasse perfeitamente sobre ele e com um movimento tão rápido, que possivelmente as câmeras nem o capitaram.
Enquanto fingia dormir, realmente acabei pegando no sono. Amava dormir e estar em outro lugar, por mais que não fosse real, mas após todos aqueles sonhos, preferia a realidade. Queria saber o que estava acontecendo comigo, mas não daquela forma... Confusa, mas no fim parecia ser o único jeito de descobrir. Felizmente ou infelizmente não sonhei com nenhuma lembrança embaralhada dessa vez, nem ao menos sonhei. Talvez fosse por estar completamente cansada. Acordei com uma forte onda de luz direcionada ao meu rosto e um enorme barulho de passos e portas se fechando. Quando abri os olhos havia um colital apontando uma lanterna para minha cara, gritando para que eu acordasse. Levantei tão rápido que acabei batendo minha cabeça na lanterna dele, o que me rendeu uma leve dor em comparação com a que eu já estava sentindo. — AI! Cuidado com isso! — Gritei enquanto o colital me levantava pelo braço. Olhei em volta e estávamos todos de pé sendo segurados por colitais, Octavio estava mesmo sendo segurado pelo colital, já que ele estava de pé, mas ainda dormia profundamente. Olhei para Sebastian que estava com uma expressão tranquila, queria saber como ele fazia aquilo, mas imaginei que essa seria uma ótima hora para tentar.- Vocês são o nosso despertador? — Kate perguntou passando a mão pelo olho. Comecei a ouvir passos vindos de longe, passos rápidos de saltos.- Estão ouvindo? — Perguntei sem perder o foco do som.- Ouvindo o que? — Kate perguntou. Antes que eu pudesse responder, uma figura conhecida parou na porta. Jéssica. Todos ficamos em silêncio, não sabia ao certo porque ela estava lá, duvidava que fosse para nos convidar para o café da manhã, mas também não podia acreditar que seria por ontem à noite, Sebastian e eu havíamos feito tudo certo, eu acho. Uma inquietação começou a tomar conta do meu corpo. Será que ela teria percebido algo? Eu estava quieta demais, tinha que agir normalmente.- Por que devemos a honra da sua ilustre presença? — Disse ironizando e tentando manter um tom calmo.Sebastian percebeu o que eu estava tentando fazer.- Acho que você não conheceu nosso dormitório ainda, fique vontade. — Sebastian gesticulou com uma das mãos, já que a outra o colital segurava.Kate e Elizabeth começaram a rir, fazendo Jéssica se irritar ainda mais.- Já chega! — Ela fritou, fazendo com que Dylan ficasse com uma expressão mais seria ainda e Octavio acordar. — Acham mesmo que gosto de estar aqui? Esse seria o último lugar que eu queria estar. — Ela olhou com desprezo para o nosso quarto. — Mas infelizmente é o meu trabalho. Agora me digam, o que vocês fizeram ontem à noite? Todos começaram a se entreolhar, mas eu só conseguia olhar para Sebastian, enquanto ele mantinha a expressão de serenidade. — Nós estávamos dormindo. — Elizabeth quebrou o silêncio. — Será mesmo que todos, dormiam? — Jéssica começou a andar lentamente com os braços cruzados, até chegar em Dylan, o mais nervoso. Parecia que ele era o culpado.- Onde você estava? — Jéssica perguntou a ele. Dylan estava tão nervoso que mal conseguia responder, ele tinha medo dela. Ele não podia levar a culpa por algo que eu havia feito.- Ele estava dormindo, oras! — As palavras saíram repentinamente da minha boca.Jéssica direcionou o olhar para mim com desprezo, por que ela sempre fazia isso? — E você, Campbell, onde estava? — Posso responder por mim e por todos aqui, nós estávamos dormindo. Afinal, como poderíamos sair daqui? — Empurrei o colital, fazendo me soltar e gesticulei com os braços.- Kristen tem razão, o único local que teríamos acesso seria a porta, mas são vocês que a controlam pelo lado de fora. — Elizabeth disse.- Então como sair daqui seria possível? — Kate continuou.- A menos que você esteja querendo dizer que a incrível segurança do estado seja falha. — Insinuei. Não era a primeira vez que percebia isso, mas a gente trabalha muito bem juntos. Podia ver a expressão segura de Jéssica se esvair mais uma vez, nos causávamos isso. — Vocês estão certos. — Finalmente ela disse. Nós entreolhamos e sorrimos. — A segurança do estado não é falha e por esse motivo iremos achar quem saiu do quarto e quando acharmos, estarão desclassificados e acho que vocês já devem saber o que isso significa. — Sua expressão neutra já havia voltado. Pensei em como ela podia dizer isso na frente daqueles colitais, mas provavelmente eles eram ainda mais parte daquilo. — Acabamos aqui. — Ela disse aos seus fiéis colitais, que nos soltaram e foram embora fazendo com que a porta batesse atrás deles.
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