O corvo : Uma Releitura
1 Capítulo 1
Bate bate em minha porta
O som que se dissipa,
As cortinas se movimentam
Com o vento barulhento.
A vela bruxuleia,
Mas não se desfaz,
O corvo entra pela janela
Dizendo: Nunca mais!
Assustado eu me pergunto
O que é aquele assunto¿
O que vieste fazer aqui¿
Já não tardeis a noite¿
Lenita, Lenora!
Oh, corvo traz me ei lenora!
O som do meu eco se desfaz
Nessa nefasta escuridão
Tu ó corvo que jaz aí parado
Trazer me eis Lenora nestes bustos celestiais¿
E o corvo disse: Nunca mais.
Negrejas tu
Oh, corvo que vieste das profundezas do meu inferno
Volta pra essa vasta escuridão
Vá sem rumo e sem direção
E me deixe aqui com minha solidão
Postado no umbral
Eu me movi até os degraus
E o corvo disse: até mais.
Mas, inexorável com essas rimas banais,
O corvo grasnou: nunca mais.
Repousado ele ficou,
Fitando me com estranhes
Sentei me na poltrona,
Ao lado do meu vaso chinês
Sorvendo meu xerez.
Olhei para pintura de fronte a janela,
E lá estava ela
Contemplando me como o corvo o fez,
Com estranheza e insensatez;
Pergunto me,
O que farei desta vez¿
O corvo voou
E pousou nas laterais dos umbrais
Deixando essas palavras fatais:
Não a verás, nunca mais!
Oh, ser de alma rastejante
E pensamento errante,
Na voluptuosidade do tempo,
Eu pergunto aos ponteiros do relógio cronológico
O quanto resta do meu corpo biológico¿
Jaz aqui o corpo inerte,
Na beirada do alicerce.
Um suspiro,
E eis que o sopro da vida se vai.
O corvo levanta voo e diz
Não resta nada mais!
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