Bate bate em minha porta

O som que se dissipa,

As cortinas se movimentam

Com o vento barulhento.

A vela bruxuleia,

Mas não se desfaz,

O corvo entra pela janela

Dizendo: Nunca mais!

Assustado eu me pergunto

O que é aquele assunto¿

O que vieste fazer aqui¿

Já não tardeis a noite¿

Lenita, Lenora!

Oh, corvo traz me ei lenora!

O som do meu eco se desfaz

Nessa nefasta escuridão

Tu ó corvo que jaz aí parado

Trazer me eis Lenora nestes bustos celestiais¿

E o corvo disse: Nunca mais.

Negrejas tu

Oh, corvo que vieste das profundezas do meu inferno

Volta pra essa vasta escuridão

Vá sem rumo e sem direção

E me deixe aqui com minha solidão

Postado no umbral

Eu me movi até os degraus

E o corvo disse: até mais.

Mas, inexorável com essas rimas banais,

O corvo grasnou: nunca mais.

Repousado ele ficou,

Fitando me com estranhes

Sentei me na poltrona,

Ao lado do meu vaso chinês

Sorvendo meu xerez.

Olhei para pintura de fronte a janela,

E lá estava ela

Contemplando me como o corvo o fez,

Com estranheza e insensatez;

Pergunto me,

O que farei desta vez¿

O corvo voou

E pousou nas laterais dos umbrais

Deixando essas palavras fatais:

Não a verás, nunca mais!

Oh, ser de alma rastejante

E pensamento errante,

Na voluptuosidade do tempo,

Eu pergunto aos ponteiros do relógio cronológico

O quanto resta do meu corpo biológico¿

Jaz aqui o corpo inerte,

Na beirada do alicerce.

Um suspiro,

E eis que o sopro da vida se vai.

O corvo levanta voo e diz

Não resta nada mais!

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