O coração de Isabela.
26 Capítulo 26 - Família finalmente reunida - Parte 2.

Saí andando e fui até a praça e me sentei em um dos bancos. Não ia aguentar ter que explicar toda a história de novo.
O Téo chegou e sentou do meu lado.
— Porque você saiu daquele jeito?
— Só precisava respirar. – Eu disse para ele.
— Não acho que era só isso, acho que você estava com ciúmes da Manuela.
— Claro que não. – Eu disse rápido, mas pensando bem podia até ser. – Sei lá, acho que não. Só não queria ter que contar tudo de novo.
— Mas é importante Isabela, você tinha que estar lá quando sua mãe soubesse de tudo.
Dei de ombros e não disse nada. O Téo também ficou calado, ele estava estranho.
— Está tudo bem com você? – Eu perguntei para ele.
— Porque você não me chamou para ir com você ontem? Você me deixou de fora de novo. – Ele disse meio irritado.
— Ah Téo, eu precisava fazer isso sozinha. – Eu disse esperando que ele entendesse.
— Você não precisa de fazer tudo sozinha, para isso que você tem amigos. – Eu concordei mas fiquei um pouco chateada, nós éramos só amigos? – Eu queria estar lá com você. – Ele completou.
— Eu sei Téo. – Me senti um pouco mal, eu até pensei em contar para ele, mas eu sempre fui assim, não gostava de contar com outras pessoas se eu conseguia sozinha. Sempre fiz tudo sozinha.
Ficamos sentados calados por mais um tempo e eu me levantei.
— Vou voltar para lá. – Eu disse para ele. – Você vem também?
Ele concordou e foi comigo.
Chegando lá escutei só o final dessa conversa.
— Claro que vocês podem namorar, mas como a Manuela ainda é muito nova vocês têm que ter a minha permissão para o que forem fazer e vou estipular um horário.
Os dois sorriram, a Manuela parecia muito feliz.
A Rebeca viu que eu estava chegando e foi até mim me abraçando de novo.
— Filhinha, não consigo imaginar tudo que você sofreu na vida. Como uma pessoa pode ser tão cruel como essa Regina. Estou muito feliz de finalmente ter te conhecido. — Ela sorriu e eu sorri também.
Ficamos mais um tempo lá esclarecendo as coisas para a Rebeca mas eu não falei mais muita coisa, fiquei só ouvindo.
— Eu tenho que voltar para a cidade agora. – O Raul anunciou para todos.
— Espera só um pouco. – O Ofélio disse. – Queria aproveitar que estão todos aqui.
Todos estranhamos.
Ele chegou na frente da Marina e tirou uma caixinha do bolso. Era isso mesmo que eu estava pensando?
— Marininha, eu estava esperando tudo ficar bem com sua menina e toda a confusão acabar para eu te falar isso. Esse tempo que passei longe de você foi insuportável, agora não quero passar nem mais um minuto da minha vida sem você. – Ele agachou. — Você quer se casar comigo? – Ele olhou esperançoso para ela e ela sorriu emocionada para ele, nem pensou por muito tempo.
— Claro que sim! – E os dois se abraçaram e todos aplaudimos. Depois de tudo que aconteceu queria que a Marina fosse feliz.
Eu fui até ela e dei um abraço parabenizando.
Depois disso o Raul preparou para voltar para a cidade, sabia que ele tinha muitas coisas para resolver, mas eu queria que ele ficasse aqui um pouco mais, só que preferi não falar nada e dei um abraço nele.
— Não esquece de mim aqui não, tá?
Ele sorriu.
— Claro que não Isa. Vou te ligar todos os dias e vou vir aqui de vez em quando, vou conversar na minha empresa e estou pensando em mudar de volta para cá.
Fiquei animada.
Ele entrou no carro e foi embora. O Joaquim, a Júlia e o Felipe também foram com ele.
Depois que o Raul foi embora o resto do pessoal também resolveu ir. O meu carro ficou lá com a gente caso precisássemos dele.
Antes de ir embora a Marina me deu um abraço e disse que ia para a casa da Fiorina.
Entramos em casa e agora só estava eu, a Manu, a Rebeca, a Helena e a vó Nina.
Fomos comer porque já estava tarde, ficamos muito tempo conversando do lado de fora.
Depois sentamos na sala e a Rebeca começou a me perguntar sobre a minha vida. Sobre como foi viver com a Regina, sobre meus estudos, tudo.
— E o seu pai Isabela, como ele era? – A Rebeca me perguntou.
— Meu pai era incrível, foi a única pessoa que me amou na vida, depois que ele se foi eu fiquei perdida. – Eu disse com as lágrimas começando a sair dos meus olhos.
— Sinto muito pelo que aconteceu, eu imagino o quanto você sofreu. – Ela me abraçou e eu me senti melhor.
Ficamos o resto da tarde conversando, foi bom finalmente poder contar tudo.
Mais tarde foi decidido que eu ia ficar no quarto com a Manuela e a nossa mãe ia dormir com a Helena.
Fui tomar banho e deitei na cama, estava cansada. Quando a Manuela terminou o banho dela e foi deitar ela começou a conversar comigo.
— Estou tão feliz que finalmente estamos todos juntos. Acho que hoje foi o dia mais feliz da minha vida!
— Ai Manuela, menos.
— Você não está feliz? – Ela me perguntou.
— Claro que estou, mas não precisa dessa empolgação toda.
— Entendi. Foi bom conversar com meus amiguinhos também! – Eu não respondi para ver se ela percebia que eu queria dormir, não conversar. Mas claro que ela não percebeu. – Eu vi você conversando com o Téo, tem alguma coisa acontecendo entre vocês? – Ela não era tão bobinha quanto parece.
— Não tem nada acontecendo. E me deixa dormir, estou com sono! Boa noite! — Eu disse encerrando o assunto e virando para o outro lado da cama.
— Desculpa. – Ela disse. – Boa noite.
Antes dormir eu fiquei pensando se tinha alguma coisa acontecendo entre a gente, nós nos beijamos e ele disse que gostava de mim, mas hoje ele agiu diferente. Acho que ficou com raiva porque eu não contei para ele que estava indo para a cidade desmascarar a Regina.
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