O coração de Isabela.
11 Capítulo 11 - O reencontro das gêmeas.

Semana que vem era meu aniversário e eu deixei bem claro que não queria nada, era o primeiro aniversário que ia passar sem o meu pai e eu estava muito deprimida. Pensei também na Manuela que ia passar a aniversário sozinha, tive algumas notícias dela pelo Joaquim nas últimas semanas e ela estava bem.
Quando perguntei do nosso aniversário para o Joaquim, ele disse que eles iam tentar fazer algo para ela, mas não sabiam se ia dar certo... Tomara que dê certo, senti um pouco de saudades dela, era o que me faltava agora, sentir pena e saudades da Manuela. O Joaquim também me disse que ela falou que estava com saudades e que agora que sabia que tinha uma irmã gêmea queria muito poder passar o aniversário comigo e com a família.
Podia tentar ir ver ela, será que eu conseguiria?
Na quinta bolei um plano e contei para o Joaquim que topou.
O primeiro passo era pedir o Otávio para me levar com ele para a cidade e foi até fácil, ele aceitou na hora.
Na sexta-feira, no dia do meu aniversário, nós fomos para a cidade à tarde, eu, o Otávio e a Helena. Fomos para onde o Otávio trabalhava, fiquei encantada com os vestidos lá e quase esqueci do plano, quase.
O Otávio tinha uma reunião e me deixou com a Helena. Ficamos sentadas juntas em um banco e quando ela deu uma saída para ir no banheiro eu aproveitei que era a oportunidade perfeita e saí correndo para a rua.
Vi um carro preto e na hora já sabia quem era. Corri e entrei no banco de trás, o carro começou a andar.
— Oi Ofélio!
— Oi menina, como você está?
— Estou bem.
— E a minha Marininha?
— Ela também está muito bem e mandou eu dizer que sente saudades.
Ele pareceu feliz com a resposta e continuou a dirigir, eu coloquei a roupa que estava no carro, como é bom vestir minhas roupas, tive que colocar roupas iguais a da Manuela para o caso de alguém me ver eu poder fingir que sou ela, me lembrei de quando eu trocava com a Manuela aqui no carro, bons tempos.
Chegamos na gravadora e agora a parte mais perigosa do plano ia começar. Pelo que o Joaquim falou a Regina tinha saído junto com o Geraldo então eles só tinham que distrair o Sandro que estava com a Manu e o pessoal da gravadora que não podia me ver.
O Joaquim desceu e me cumprimentou.
— Que bom que você está bem Isa! Agora vamos ter que entrar com cuidado, eu vou ir na frente. O Felipe conseguiu colocar um remédio no suco do Sandro e daqui a pouco ele já vai ir para o banheiro e não vai mais conseguir sair. O André está distraindo o pai dele e a Julia ficou encarregada de distrair e secretária e a Priscila, elas estão na sala de ensaios. Vamos lá?
— Vamos! — Ele começou a andar e eu fui atrás, tínhamos que ser rápidos.
Ele me deu sinal de Ok e fomos até uma salinha pequena que tinha lá, era o local onde guardavam material de limpeza. Ele pediu para eu esperar lá dentro, logo depois o Felipe chegou me abraçando.
—Minha rainha, estava morrendo de saudades, feliz aniversário!
— Ai Felipe, chega pra lá! Você já fez o que tinha que fazer?
— Sim, minha anja, o capanga já está no banheiro.
A porta se mexeu e a Manuela entrou junto com o Joaquim.
— Isa!!! – Ela disse toda feliz e também me abraçou me apertando.
— Calma Manuela, está me apertando.
— Feliz aniversário irmãzinha! Estava com tantas saudades, estou muito feliz de te ver hoje! – Ela disse me abraçando ainda mais.
— Feliz aniversário também. – Eu disse.
— Eu te trouxe um presente. – Ela me disse animada.
— Como assim um presente?
Ela tirou um papel da bolsa e me entregou, quando vi o que era meus olhos se encheram de lágrimas.
— Obrigada Manu. – Eu disse, e dessa vez fui eu que abracei ela. Era uma foto minha com o meu pai. – Como você conseguiu isso?
— Eu achei no seu quarto, procurei em todas as gavetas.
— É sério, obrigada mesmo! – Eu disse, eu também estava muito feliz de ver ela.
Conversamos por mais um tempo, eu contei para ela sobre a família dela e como todos estavam bem e ela se animou ao saber que todos estavam bem, me perguntou sobre a mãezinha dela e se eu já estava me dando bem com ela, perguntou sobre os amigos dela, e quando ela me perguntou sobre o Téo tenho quase certeza que corei um pouco, ainda bem que ela não percebeu. Ela me disse que estava a mesma coisa com a Regina. Eu vi a tristeza nos olhos dela, tenho certeza que ela queria muito estar com a família dela hoje, ela devia estar se sentindo muito sozinha. Dei um abraço de novo nela.
— Sinto muito por você não poder estar com a sua família hoje.
— Obrigada maninha! Eu fico feliz em saber que pelo menos você vai estar com eles! — Mesmo assim ela ainda parecia triste. Nos afastamos do abraço e ela me perguntou:
— Posso te pedir um favor Isa? Pode ser o meu presente.
— O que é? – Lá vem ela.
— Eu vi que você parece ainda ter muitos ressentimentos em relação à nossa mãe, e eu queria que pelo menos hoje você tratasse ela como ela é, sua mãe.
— Não consigo fazer isso Manuela.
— Por favor, por mim?
Ah, como eu poderia recusar depois do presente que ela me deu, olhei mais uma vez para a foto do meu pai e disse:
— Tudo bem, vou tentar.
— Obrigada!! — Ela me abraçou de novo, acho que já eram abraços suficiente!
— Parabéns também Isa. – O Joaquim disse para mim e me abraçou rápido e olhou para a Manu, os dois estavam com olhares estranhos, pareciam bobos.
— Parabéns de novo também Manu. – Ele disse abraçou ela, um abraço demorado, não consegui me segurar:
— Vocês dois estão parecendo bobos, estão namorando por acaso?
Eles se olharam e viraram envergonhados.
— Não Isa! – A Manu disse olhando desesperada para mim.
— Agora você tem que ir Isa, já ficamos muito tempo aqui. – O Joaquim disse, tenho certeza que era para escapar da situação.
— Eu levo ela lá fora agora Joaquim! – O Felipe disse.
— Tudo bem, mas deixa eu sair na frente para ver se tem alguém.
Ele saiu e voltou um tempo depois.
— Está liberado.
Fomos até o elevador, eu dei outro abraço na Manu e nos despedimos, quando o elevador chegou eu entrei com o Felipe, e percebi que o Joaquim e a Manu estavam se olhando daquele jeito de novo, antes da porta fechar eu tive que dizer:
— Falem logo que estão apaixonados um pelo outro porque esses olhares estão me deixando enjoada. – E a porta fechou.
Na entrada me despedi rápido do Felipe e dessa vez retribui o abraço dele, tinha sentido saudades dele também, aquele tempo que passei na casa deles eu me acostumei. Entrei no carro e voltei para o trabalho do Otávio.
Chegando lá a Helena veio correndo até mim preocupada me perguntando porque eu tinha saído e eu só respondi que tinha ido dar uma volta. Ainda bem que deu tudo certo, mais uma missão cumprida.
O Otávio depois chegou com uma caixa.
— Feliz Aniversário Manuela! – E me abraçou.
Um presente? Fiquei animada, se era um presente do Otávio, era um presente bom. Abri a caixa rápido e era um vestido, o vestido não era totalmente do meu estilo, mas era mais moderninho do que aqueles que eu tenho que usar no vilarejo.
— Adorei Otávio! Obrigada!
— Sabia que ia gostar, não quer colocar ele de uma vez? — Estranhei.
— Para que vou colocar ele agora?
— Nada, só estava pensando em levar você e sua mãe para jantar hoje, aí você podia já ir pronta.
Eles estavam aprontando alguma coisa, tinha falado para minha mãe que não queria nada, mas eu tinha achado estranho o Otávio aceitar tão rápido eu vir aqui hoje com ele, e agora esse vestido... Mas se tinha alguma coisa acontecendo, eu tinha que ficar o mais bonita que pudesse, então fui colocar o vestido e ele também deixou eu usar a maquiagem que é usada nas modelos das fotos. Fiz uma maquiagem bem simples. Ficou ótimo!
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