Capítulo II Eu serei você

Ao cair da noite, o céu estava com um pavilhão de estrelas. Há essa hora o duelo já havia terminado Pedro e Filipe já estavam voltando para o castelo e se aproximaram perto do muro. Tinham algumas tochas de fogo espalhadas pelo caminho. Pedro vestia a parte de cima que se parece com um paletó, à parte de baixo, meia-calça, e sapatilhas de couro.

Pedro chegou sendo carregado com um dos seus braços no pescoço de Filipe. Pedro estava muito bêbado o seu rosto estava pálido e rígido e cheirando a vinho de dragão, uma bebida feita de pimenta, vinho, álcool, água e uma planta vermelha chamada lúpulo de dragão que se encontra em diversas regiões do reino. Ele não sabia perder e os seus pais estavam na cidade de Ethernus, este nome é uma homenagem ao deus Ethernus, o deus do céu. Foi ele quem ajudou na guerra da independência dos humanos contra o abuso e exploração dos outros seres, essa guerra durou um período de dez anos.

― Alguém ajuda aqui. – pediu Filipe com uma voz muito alta – Ele está bêbado!

As servas vestiam-se com vestidos de lã, elas pareciam ter seus dezoito anos, algumas servas eram gordas e outras magras. Uma delas ajuda Pedro, colocando o braço que está livre em volta do seu pescoço. Depois de alguns metros de distância já estavam no jardim de flores do castelo e andando por um caminho de pedras.

―Eu não preciso da ajuda de ninguém. – disse Pedro, com voz muito lenta e cansada. –Me deixem em paz, eu sou capaz de andar sozinho!

― Então é assim, podem o deixar ir sozinho. – disse Filipe rapidamente.

Filipe e a serva o largaram, ele começou andar meio desequilibrado no meio das flores e caiu ali mesmo esticado no chão já apagado.

―Desde que eu me conheço por gente, isso é toda a semana! – disse firmemente Filipe.

Filipe é órfão desde que era um bebê, seus pais morreram misteriosamente e desde então foi criado como se fosse o filho da Anastásia.

― Levam-no para o seu aposento. – ordena Filipe.

O dia amanheceu o tempo estava bom, como era muito cedo às sete da manhã o sol estava muito claro e Isabella saiu para dar umas voltas de cavalo no bosque como fazia todas as manhãs.

Ela não estava sozinha, havia quatro guardas de companhia. Suas vestes eram parecidas com os mosqueteiros. E um deles era o chefe da guarda, Mateus. Depois de alguns minutos de cavalgada, eles passaram em uma esquina da rua, e já havia algumas pessoas ali trabalhando. Em cima de uma enorme torre de relógio perto de onde passaram eles com seus cavalos, o mesmo gavião que vigiou Isabella estava ali e depois ele fez um chiado e saiu voando. Passaram-se mais de uma hora do passeio e já estava na hora de voltar. Eles estavam perto do rio, onde tinha um fluxo constante de água e a brisa fresca agitava os cabelos.

― Vossa Alteza, podemos retornar para o castelo? – perguntou Mateus.

― Sim. –responde Isabella – Só falta pegar algumas frutas.

Depois de alguns minutos de cavalgada, eles estavam em uma estrada onde o número de árvores começou a aumentar e tinha um pouco de neblina no bosque. Perto dali, no meio da floresta estava de tocaia a águia negra junto com Ahbran e os outros centauros para uma emboscada. A águia de guerra olhou ao redor e viu a aproximação do grupo.

― Podem matar todos, menos a garota. – disse Águia de Guerra.

Finalmente a diversão vai começar. ―sussurrou bem baixinho o último centauro que estava bem atrás, ele era cinzento com rosto duro profundamente vincado.

Em instantes a Águia de Guerra usou a sua telepatia, ordenou que os centauros atacassem.

Os centauros atiraram seus arcos por cima dos ombros na direção dos guardas e dois deles foram atingidos, gritaram de dor e caíram mortos no chão como se fosse cimento.

―Mas o que foi isso? – disse Isabella assustada. Ela olhou ao redor e viu os centauros.

Ela ficou com o rosto pálido e tenso. E começou a suar muito, o seu coração batia rapidamente, e a primeira coisa que veio em sua cabeça foi que ela ia morrer.

― Protejam a princesa!― ordena Mateus. Eles a cercaram.

― Agora ataquem – berrou Ahbran.

Alguns centauros broquearam a parte da frente e outros a parte de trás e Águia de Guerra fica na parte da frente olhando para eles.

―Pode deixar comigo senhor que eu mato essas coisas horríveis! – disse o guarda que sobreviveu ao chefe da guarda.

― Espera seu idiota! – disse Mateus.

Ele começa a galopar rapidamente e parte para cima da Águia de Guerra.

―Ele é meu não se intrometa! – disse Águia de Guerra num tom que não falaria pela segunda vez.

O seu falcão entrou em sua boca rapidamente. Então sem alguém perceber, ela deu um impulso com seus pés numa velocidade e agilidade surpreendente e dá um salto de cinco metros de altura e depois deu um giro e ficou de cabeça para baixo e passou por cima do guarda e desceu as suas mãos no seu pescoço com força rapidamente.

A força foi tão grande que o guarda foi decapitado, seu corpo caiu no chão e Mateus e Isabella, ambos ficaram apavorados com o que acabaram de ver.

A Águia de Guerra os olhou, com suas mãos sujas de sangue e disse:

― Finalmente eu terei você, princesa!

―Afinal o que você quer com ela? ― perguntou Mateus rapidamente com olhar furioso.

Mas nem deu tempo dela responder, pois o centauro Ahbran atacou pelas costas de Mateus com seu machado que atravessou o seu peito, que morreu na hora.

― Minha nossa!― gritou Isabella com uma expressão do rosto assustada e tremendo.

O cavalo da princesa fica muito agitado e ela perdeu o equilíbrio e caiu no chão, e sujando seu lindo vestido feito de seda. Os centauros a cercaram em um círculo, e a Águia de Guerra entrou no meio, tirou uma de suas luvas, mostrando uma mão dourada e brilhante. Pouco a pouco, ela encosta seus dedos no rosto de Isabella que já estava um pouco tonta por causa da queda, a fazendo perder mais as suas forças. A sua visão já estava bem embaçada e antes de desmaiar, sua seqüestradora retirou a máscara e ela viu um rosto bem parecido com o dela.

―Isso só foi só o começo! – disse a Águia de Guerra num tom de glória.