Notas iniciais
Um dia chato e normal no Castelo de Copas
15h
Belatrice se encontrava nos seus aposentos como todos os dias. Ela está trancada lá desde que se entende por "gente". Sua mãe, a Rainha de Copas havia sentenciado que ela deveria ficar presa lá para a eternidade apenas por ter defendido uma carta.
Seus aposentos eram dignos de uma princesa, nas cores branco, preto e vermelho. As mesmas da ruiva. Belatrice tinha dezesseis anos e a última vez que viu a vida fora daquele quarto foi com doze anos.
A vida dentro de seu quarto era entediante, e nem mesmo escapar poderia pois todas as janelas e a única porta eram trancadas a sete chaves. Porém, certo dia enquanto a Rainha andava pelos corredores com Alice e Belatrice pôde ouvir.
Levantou-se apressada da cama e não se preocupou em vestir calçados, de meias brancas e limpas foi saltitando até a porta para ouvir a conversa.
Em vão, Belatrice bateu na porta de mármore, girou a maçaneta e implorou por ajuda. Sem resposta. Nem Alice nem Rainha a ouviram. O que já estava ficando estranho.
Será que Belatrice estaria sem voz? Ou que todos tinham se esquecido dela?
Parou de bater e por alguns instantes hesitou, logo caminhou de volta para sua cama e abraçou um travesseiro.
Passou o resto da tarde pensativa, até que pôde enxergar algo rondando o castelo.
❝ Mas que criatura é aquela? ❞ Belatrice tentou enxergar um pouco mais além e seus pequenos e delicados olhos encontraram-se com os de um gato cinzento e sorridente, que pairava sob a sua janela como um fantasma.
A princesa gritou quando o tal gato apareceu na janela tão repentinamente e ficou paralisada quando ele começou a arranhar o vidro.
Olá, por que você está trancada aí dentro?
Belatrice, horrorizada correu para sua cama e tapou-se com os cobertores de pele, ela realmente estava ficando louca.
Belatrice chorou a noite toda, até que finalmente pôde pegar no sono.
Um gato havia ficado a observando a noite anterior, e ela precisaria descobrir quem era, pois quando a arrumadeira deixasse suas roupas passadas no quarto, notaria o arranhão no vidro e comunicaria a Rainha.
A partir desse dia que as coisas começariam a mudar, Belatrice estava decidida a conhecer o mundo mágico de que fora privada por anos.
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