O conflito de Hera
3 Suspeitas
Notas iniciais
Vila de Rodorio
Seiya avançava por entre as árvores ao redor de Rodorio em busca da única pessoa que ele sabia que o ajudaria naquela hora. Chegando próximo da casa, ele manifesta um pouco de seu cosmo e não demora para uma figura sai da residência.
— Seiya! Eu ouvi o cosmo de Atena. O que aconteceu? – Exclamou o ser, trazendo o amigo para mais perto da iluminação da casa.
Quem falava era uma figura feminina. Ela não tinha mudado muito nos últimos anos, mantendo o cabelo verde comprido, bem como as unhas sempre pintadas. As curvas tinham se volumado mais e, apesar da máscara esconder sua face naquele momento, Seiya sabia que ela estava com os lábios pintados.
— Shina, eu posso explicar. – Mas ele parou de falar por um momento, colocando as mãos na cabeça – Não, nem eu sei bem o que aconteceu comigo. Num momento eu estava esticando minha mão para pegar a carta de Seika e no outro os meus lábios e os da Saori estavam encostados.
— Acho que entendo seu ponto de vista, Seiya... Achei muito estranho quando eu soube que isso aconteceu, porque Atena não iria ceder assim tão facilmente aos sentimentos que poderiam afetar sua castidade – comentou ela, se encostando na árvore e cruzando os braços – Mesmo que fosse com você. – Observou – Ela certamente sabe como não se entregar ao seu lado humano nesse sentido.
— Está querendo dizer o que? Que eu ataquei a deusa que eu protejo? – Gritou o outro – Está supondo que eu forcei ela a me beijar?
— Acalme-se, Seiya! Sei que isso não condiz com você. – Retrucou ela.
A prateada começou a andar de um lado para o outro, buscando uma razão para aquilo ter acontecido, pois realmente achava muito estranho e parecia desconfiar de algo. Foi quando voltou a olhar para o homem, que chutava algumas pedras e percebeu algo que dificilmente alguém notaria.
— Onde se machucou? – Questiona ao perceber uma marca nas costas do amigo.
— Me machuquei? Onde?
— Não, certamente não é um machucado. – Confirmou ela se aproximando e levantando a camisa do outro – Foi um golpe pelas costas. Não sentiu nada quanto a isso?
— Não senti nada. Acha que é muito grave?
— Nunca vi um golpe assim, mas como qualquer outra ferida é melhor cuidar para não inflamar. Entre, antes que alguém perceba que está aqui.
— Muito obrigado, Shina. Espero não trazer problemas para você...
— Você já é um problema, Seiya! Entre enquanto eu chamo o Shun.
— Não! Shina, você não pode falar pra ninguém que estou aqui. Saori deixou claro que minha cabeça está a prêmio para os outros cavaleiros.
— Francamente, Seiya! – Shina agora gritava, sem se importar se alguém ouvisse ou visse aquela cena – Não tenho culpas dos seus problemas. Estou tentando ajuda-lo em nome da nossa amizade. Mas eu não posso te esconder pra vida toda e essa ferida não me parece normal. Entre agora e não faça besteiras!
— Está bem, você está certa. Mas, por favor, que seja só o Shun que saiba sobre eu estar aqui.
Ela apenas abriu a porta, deixando-o entrar, e saiu a procura do médico.
“E outra: quem que seria idiota o bastante para confrontar você, Seiya, que já fez tantos milagres e que era um cavaleiro de ouro”— eram os pensamentos da mulher.
Templo de Atena
Alguém corria escadas acima, com todas forças que suas pernas podiam. Sua preocupação não era pra menos, pois sentia que algo terrível estava prestes a acontecer.
— Atena! Atena! – Gritou, entrando no quarto da deusa, ofegante, e se prostrando de joelhos ao ver a jovem sentada na beira da cama.
— Está tudo bem, Shiryu?
— Eu senti um cosmo diferente aqui e pensei que-
— Não se preocupe com isso. Pode voltar para seus afazeres.
A jovem se levantou e ajudou o Grande Mestre a se erguer. Logo ele percebeu que não estavam sozinhos, pois outra figura masculina estava encostada na parede, perto da janela. O antigo cavaleiro de dragão tentava se recordar de onde já tinha visto aquele homem. Pele bronzeada e músculos definidos cobertos por uma túnica branca com traços dourados. Seu capacete e suas sandálias possuíam asas, bem como o bastão dourado que, além das asas, tinha duas serpentes que se entrelaçavam.
— Foi o cosmo do meu irmão que você deve ter sentido. Esse é Hermes, deus mensageiro do Olimpo.
— E deus da eloquência, da hermenêutica, das comunicações, das viagens, do comércio, da ginástica, da astronomia, da magia, da divinação, dos ladrões, dos diplomatas – Ele se deteve ao perceber que não estava sendo visto com bons olhos pelo homem a sua frente – Bem, sinto ter causado esse transtorno, Atena. Eu preciso voltar ao Olimpo. Meu recado já foi dado. Foi bom revê-la.
O deus fez uma pequena reverência e saiu pela janela, voando com auxílio de seus objetos alados.
— Me perdoe, Atena. Não queria incomodar. – O Grande Mestre parecia muito envergonhado.
— Já convocou a reunião dourada? – A deusa não parecia incomodada com a gafe.
— Sim, estão todos subindo.
— Ótimo. Teremos que verificar como estão os aprendizes, se estão aptos para receberem as armaduras e... É provável que teremos que contar com um reforço do passado.
— Sem querer questionar suas ordens, Atena, mas qual a causa dessa sua decisão? O que está acontecendo que ainda não sei?
— O céu escuro não é algo natural. Como você tinha suposto, aquela cena no Templo do Trono causou um grande impacto... No Olimpo.
— Na morada dos deuses? – se assustou o patriarca – Não consigo compreender.
— Shiryu, mesmo tendo esse corpo mortal, eu sou Atena. Isso significa que minha castidade não poderia ser violada e com aquele ato do Seiya... – A jovem começou a chorar – Por aquele ato, Hera declarou guerra contra os humanos, pois acredita que foi uma afronta contra os deuses e seus ideais. Hermes veio aqui me comunicar sobre isso. – Agora ela enxugava as lágrimas e retomava a postura.
— Mas isso não faz nenhum sentido! Isso deveria ser algo que somente você deveria resolver.
— Hera não pensa assim. E eu não vou deixar ela castigar a humanidade por uma falha do meu lado humano! Depois da reunião convoque todas nossas unidades do Santuário e entre em contato com os que estão fora. – Ordenou, elevando seu cosmo fazendo surgir seu báculo – É só isso. Eu já irei descer para ver os cavaleiros de ouro.
— Está certo. Com licença.
Descendo as escadas, o Grande Mestre não pode deixar de pensar que tudo aquilo era muito estranho. Ele conhecia bem Seiya e como Saori controlava seus sentimentos humanos com relação com a castidade. Um deus podia facilmente ocultar seu cosmo dos cavaleiros e se Hermes pode entrar nos aposentos de Atena tão facilmente, quem poderia impedir que outro entrasse? Duvidas começavam a se formar, mas ele não poderia bancar o Sherlock Holmes e sair investigando, afinal, ele era o Grande Mestre. Ele iria precisar de ajuda para tirar aquela história a limpo e ele sabia perfeitamente para quem pedir.
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