O conflito de Hera
7 Os deuses também erram! Missões e mentiras.
Notas iniciais
Santuário
Aposentos de Atena
Atena apenas ouvia atentamente o relato por parte do cavaleiro de aries. Não disse uma palavra para interromper ou fazer perguntas, somente suspirou ao fim das palavras.
— Shun e Ikki estão muito debilitados? – Questiona finalmente.
— Os dois estão se recuperando na enfermaria. Os ferimentos do Ikki foram mais graves, mas não chega perto do que já passamos no passado.
— Hyoga? Jabu? Ban? Seiya? Alguma notícia deles?
— Somente do Seiya. Transmiti seu recado e ele já deve estar a caminho, voltando de Rodorio, junto de Shina.
— Obrigada pelas informações, Kiki. Pode voltar para sua casa.
O ruivo se retira do local e, ao cruzar a porta, Hércules junta sua presença com a deusa.
— Você tinha razão, Hércules. Hera está atacando de todos os lados! Dois dos meus cavaleiros lendários estão gravemente feridos e temo pelos outros que servem a mim. Meu Santuário não está forte o bastante para passa por uma guerra desse nível.
— Mas pensei que você fosse líder de um grande exército. Na verdade, até pensei que já tinha deslocado parte da infantaria para as batalhas.
— Ouve muitas baixas nos últimos tempos, mas principalmente durante a traição de Saga de Gêmeos, onde somente seis cavaleiros de ouro, duas de prata e onze de bronze sobreviveram. E, como se não fosse golpes terríveis, Hades ainda obrigou o sacrifício dos dourados restantes.
— E quanto aos presentes cavaleiros de ouro?
— Eles já eram aspirantes a cavaleiros desde o ataque de Poseidon e se superaram durante os anos seguintes para conseguirem a atual patente. Eles merecem trajar essas armaduras.
Os dois se calaram por alguns instantes, até a deusa quebrar novamente o silêncio ao questionar:
— Hércules, fiquei curiosa sobre a sua armadura. Parece-me completamente diferente da minha.
— Não diria isso, irmã. Creio que a única diferença entre a minha armadura e a sua e de seus cavaleiros é um elemento. Enquanto as de vocês foram usados o bronze, a prata e o ouro, a minha foi fundida em oricalco, gamânio e titânio.
— Me pareceu muito avariada quando chegou aqui.
— Não se preocupe. Ela só precisa de umas gotas da solução dos pelos da minha pele do leão de Neméia.
A deusa ia continuar a falar, quando Shiryu entra nos aposentos.
— Me desculpe pela intromissão, Atena, mas Seiya acaba de chegar.
— Já estou descendo.
— Se não se importa, Atena, eu gostaria de conhecer esse Seiya. Para Hera fazer algo tão terrível como o que fez ele deve ser alguém muito poderoso.
— É claro que pode.
Os três desceram os degraus e logo estavam na Sala do Trono, onde Seiya e Shina esperavam ajoelhados.
— Saori.
— Seiya.
— Espero que nenhum mal tenha acontecido com você.
A moça se sentou no assento dourado, tendo Shiryu a sua direita e Hercules a esquerda.
— Não, Seiya, nada de ruim me aconteceu a mal ser chorar. Mas agora que tudo está explicado, eu lhe devo perdão pelo que lhe fiz passar.
— Você não precisa pedir perdão. Você é uma deusa. Só fez o que achou certo.
Se levantando, ela faz surgir seu báculo e em seguida a armadura de ouro de sagitário.
— Isso lhe pertence.
— Obrigado, Saori.
Em questão de segundos a armadura recobre o corpo daquele que voltava do exilio. Olhando para os presentes, ele lança um olhar de indiferença para o que não conhecia. Observando a dúvida do cavaleiro, a deusa retoma a palavra.
— Seiya, Shina, esse é meu irmão, Hércules. Um reforço que veio nos apoiar nessa nova batalha.
— Acha que nós, seus cavaleiros, não daremos conta do recado?
— Seiya! Você deve seu retorno a ele! Se não fosse ele eu nunca saberia sobre Eros e o que Hera tinha planejado, pois as suspeitas de Shiryu e outros certamente não iriam me convencer.
— Seiya – começou Shina – você deve saber que em uma guerra contra qualquer outra dinastia um homem pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. E se Atena aceitou a ajuda dele quem somos nós para discutir tal decisão.
— É um prazer conhece-lo, Seiya. Você é muito famoso no Olimpo, como uma praga que deveria ser eliminada do mundo. Contudo, até mesmo os deuses entendem suas limitações e esse é o único motivo de ainda estar vivo.
— O que quer dizer com isso? – Questiona Seiya, cerrando os punhos.
— Que por mais que se esforce, sempre será um mortal. É verdade que seus golpes já atingiram Poseidon e Hades, mas foram meros golpes superficiais. Quem os derrotou de verdade foi Atena.
— Mas mesmo assim querem minha morte.
— Seiya – quem falava agora era Shiryu – nós lutamos contra a vontade de dois dos três grandes deuses do Olimpo. Se nossas batalhas fossem somente contra os soldados deles seria uma coisa, mas confrontamos os próprios deuses. Nosso castigo certamente seria a morte, se não fossemos protegidos pelo cosmo de Atena.
— Agora volte para sua casa, Seiya. Sagitário precisa de sua proteção. Shina, preciso que você e Kiki encontrem os nomes dessa lista. – Disse ela à mulher, entregando uma folha dobrada – Preciso de todos aqui o mais rápido possível. Não podemos abaixar nossa guarda, ainda mais quando nossa inimiga já fez dois ataques.
— É claro. Irei assim que aries estiver pronto.
— Obrigada. Estão dispensados. Hércules, Shiryu, eu irei descansar um pouco. Só venham aos meus aposentos se realmente for uma emergência. Eu avisarei se precisar de algo.
— Como preferir, Atena – finalizou o Grande Mestre, antes de todos saírem da sala.
Enfermaria
— Eu já disse que estou bem, Shun.
— E eu já disse que não está! Acha mesmo que após levar um golpe como aquele, a queima roupa, você ia poder fingir que nada aconteceu?
— Meninos! Parem de brigar!
— Ele que começou, June. Quer ficar bancando o teimoso e não me deixa ver o ferimento.
— Vai pro inferno com isso, Shun.
— Beleza. Eu vou e aproveito para ser Hades de novo.
— Chega! Uma briga só começa com dois. Parecem duas criancinhas e não dois homens já formados. Shun, chega de discutir com seu irmão mais velho e Ikki, para de idiotice e deixa ele ver seu peito, ou eu mesma arranco esse seu curativo.
— O tampo passa, praticamente voa e parecem que eles não mudam – diz alguém, entrando na cabana.
A voz pertencia a um homem, sem muitos atributos que o destacasse em meio a outros cavaleiros. Músculos treinados, sem sobrancelhas e de olhos pequenos, pouco expressivos e cabelos negros em tamanho médio. Vestia roupas de treinamento clássicas e trazia em suas costas uma urna que pertencia as armaduras de bronze.
— Nachi? O que faz aqui? – Questiona a loira.
— Não só ele – fala outro.
Assim que as palavras são ditas, outros dois homens entram no local. O primeiro era um gigante a base de músculos, de rosto másculo definido, sobrancelhas pesadas, cabelos roxos para o preto e pequenos olhos expressivos. Diferente de Nachi, esse usava roupas mais comuns, sendo elas uma calça jeans e uma camisa azul.
O último era um ser exótico, para não dizer outra coisa. De pele pálida, passa a impressão de pouca saúde. Seu rosto singular chama a atenção do observador. Sem sobrancelhas e de face magra, salientando os contornos cranianos. A cabeça é quase careca, exceto por uma cabeleira estilo moicano, cinza esbranquiçada, que desce até metade das costas. Todo esse visual faz com que seja uma figura estranha, evocando o misterioso e bizarro. Esse usava uma armadura roxa com traços verdes que lhe cobriam quase todo corpo, deixando desprotegido apenas a região da virilha e abaixo das costelas, ambos na frente e nas costas.
— Geki? Ichi? Aconteceu alguma coisa?
— Sim – quem falava era Geki – Ordens de Atena. Isso pertencem a vocês. A armadura de Fênix.
— A armadura de Andrômeda – continuou Nachi.
— E a de camaleão – finalizou Ichi.
— Não pensei que voltaria a usar essa armadura tão cedo – comenta o médico – Não é mesmo, Ikki?
O mais velho nada falou.
— Shun, preciso falar com você.
— Ok, Geki. June – disse se voltando para a mulher – cuide dele pra mim, sim?
— É claro. Pode ir.
Os dois saíram e se sentaram em algumas ruinas que ali haviam.
— Olha, eu sei que você se preocupa com o Ikki, mas é melhor ir com calma.
— Como assim?
— Algumas semanas atrás eu estava em uma missão na ilha de Canon, onde fica o vulcão que os cavaleiros usam para se curar. Eu não sei como, nem o motivo, mas dentre as vítimas do conflito estava uma moça que se chamava Helen e ela só chamava pelo nome do Ikki. Sei que seu irmão é muito ligado a aquela ilha e não acredito existir muitos Ikkis por ae.
— Você acha que o cosmo que senti emanando dele esses tempos poderia ser isso?
— Eu não sei, Shun. Em todo caso, pegue leve. Se for isso, não deve estar sendo fácil para ele.
A conversa foi interrompida quando Nachi se aproxima, chamando o amigo.
— Geki, mais reforços chegaram e preciso da sua ajuda.
— Ok, estou indo. Tenho que ir, Shun. Até mais.
— Até.
Os dois se afastaram e o, novamente, cavaleiros de Andrômeda ficou refletindo sobre as palavras que tinha ouvido. Por que Ikki teria que mentir para ele?
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