O conflito de Hera
13 O egoismo de um usurpador: a traição de Henry
Notas iniciais
Santuário
Sala do Trono
Os cavaleiros de ouro novamente estavam dispostos diante de Atena para a reunião, antes interrompida. A deusa estava sentada em seu trono, seu irmão a direita e, com cara de quem chupou limão, Henry a esquerda. Dispostos em duas filas, onze figuras esperavam a deusa começar. O único que não estava presente era o cavaleiro de libra, tendo em vista que nenhum candidato a armadura havia conseguido passar pelo treinamento intensivo para o cargo. Atena, que até então mantinha os olhos fechados, se levanta e faz sua voz soar para que todos ouvissem:
— Meus cavaleiros, como eu tinha começado a falar em nosso último encontro, antes de sermos interrompidos, Hera está nos cercando por todos os lados. Até o momento ela tramou ataques contra os cavaleiros de Fênix, Unicórnio e contra nosso Grande Mestre. Além disso, o cavaleiro de Andrômeda também saiu ferido ao proteger o irmão. Tendo em vista que a vida humana ainda está selada pela maldade de Hera, nós teremos que dar o próximo passo de ataque, mas eu não posso autorizar que todos meus cavaleiros de ouro, os mais poderosos, venham comigo para batalha tão sangrenta como está sendo. Então, entrem na batalha somente quando forem autorizados por mim ou pelo Grande Mestre.
Henry sorriu pelo canto da boca, buscando não ser deixado notar a felicidade que sentia ao ouvir aquelas palavras. Mas logo o sorriso sumiu de novo, quando a fala da deusa continuou.
— Shiryu já está sendo cuidado dos danos da batalha que enfrentou e logo voltara ao seu posto. Caso ele não possa voltar imediatamente ao cargo o meu irmão, Hércules, é quem vai assumir esse papel temporariamente. Jabu e seu aluno também já estão perto e Hyoga junto do reforço vindo do Graad Azul estarão aqui em breve.
— Perdão por interromper, Atena – fala Henry, atraindo a atenção de todos – Mas até onde eu saiba a lei do Santuário diz que caso o patriarca se ausente é o cavaleiro de altar quem assume o cargo.
— E eu estou retirando você dessa função, Henry. Você ficara junto dos outros cavaleiros de prata e bronze.
O homem nada disse. Apenas assentiu com a cabeça, ficando em silêncio, mas seu olhar mortal caiu sobre o filho de Zeus.
— Todos estão dispensados, com exceção dos cavaleiros de áries, sagitário e peixes.
Todos os outros se retiraram do local, ficando somente os citados.
— Você também, Henry.
— Mas, Atena...
— Apenas obedeça às minhas ordens. Logo alguém vai procura-lo para passar as instruções que são de sua competência. Agora se retire.
O cavaleiro de altar caminha para a saída, em silêncio. Seus passos não produziam ruídos, ao ponto que parecia levitar, assim como não se ouvia sua respiração e nem mesmo as batidas de seu coração. Ainda, ao sair, ele lança um último olhar de ódio sobre o semideus, para só então desaparecer após o ruído da porta gigante tomar conta do ambiente.
— Sinto que os últimos que eu esperava finalmente chegaram – comenta Saori.
E realmente, na área de treinamento, pousava um helicóptero com os guerreiros do gelo desembarcando. Ao mesmo tempo em que Jabu e seu aluno chegavam no local sendo recebidos por Shiryu, que fingia não escutar a mulher que o salvara brigar por ele ainda não estar totalmente curado.
— É ótimo rever todos. – Fala o Grande Mestre – Por favor, vão até a sala do trono pois Atena espera vocês ansiosamente. Hyoga, guie todos pela passagem secreta para serem mais rápidos.
— Como desejar – responde o loiro.
— Você também deve ir, Seika. – Continua Shiryu – Tenho certeza de que Seiya vai ficar feliz em te ver de novo já que, por conta dos ocorridos, ele nem deve saber que você estava voltando para o Santuário.
— Sim, tenho certeza de que meu irmão vai ficar surpreso e feliz em me ver, mas e você, Grande Mestre? Ainda não pode.
— Vá, Seika! Agora isso é uma ordem.
— Está bem. Como desejar.
O grupo então se dirige para as doze casas, fazendo um desvio para entrarem na passagem secreta, conhecida somente pelos confiáveis de Atena. Ali Shina, que já estava no local, se junta a eles e, em uma velocidade moderada, avançam para o encontro com a deusa.
Ruínas
— Eu não posso acreditar! Como que aquela deusa idiota pode me dispensar do posto de Grande Mestre e me colocar novamente como qualquer outro cavaleiro dela? Eu não sacrifiquei a minha vida toda aturando aquele idiota do Shiryu para isso!
Henry, quase aos berros, destruía tudo o que via com raios de cosmo que emanavam com grande ira de seu corpo. Não era só seu cosmo, mas seu coração, sua alma, tudo nele estava cheio de ódio. Ódio de Atena, de Hércules, de Shiryu, de todos aqueles que teimavam em ficar no seu caminho, impedindo que seu sonho de se tornar o comandante do Santuário se tornasse realidade.
— Eu preciso... Eu preciso manter a calma e terminar minha missão, mas desse jeito não está dando certo. O cargo que me foi prometido parece estar ficando muito longe para arriscar, mas preciso ao menos tentar. Shiryu com certeza vai acabar indo batalhar junto de Atena e, com sorte, ele será morto. Então bastara tirar Hércules do meu caminho e eu assumirei o cargo de Grande Mestre definitivamente. Ninguém vai ficar no meu caminho! E quem ficar, pode ter certeza, será destruído!
— Você vai acabar não chegando em seu objetivo se continuar perdendo a cabeça dessa forma – fala, quase que em um sussurro, uma figura encapuzada surgindo de trás de uma pilastra que havia escapado da destruição por parte do prateado.
— O que faz aqui?
— Por que está tão surpreso? Sabia perfeitamente que em breve eu chegaria.
— Então o plano vai continuar, mesmo eu não estando no posto que eu deveria estar?
— Sim, o plano permanece. Só estamos esperando o sinal de ataque. Entraremos em batalha assim que todas nossas unidades cercarem o Santuário. Assim teremos certeza da destruição de Atena e seus cavaleiros.
— Temos que tomar cuidado. Hércules está desconfiado de mim e isso pode acabar me atrapalhando.
A figura balança a cabeça numa negativa enquanto ri.
— Você realmente é um perfeito filho da puta! Porra meu! Finja, atue, golpeie pontos que você sabe que não matara quem for atingido. Use seu cérebro para algo útil e não só paras essas merdas que você procura alcançar na sua vidinha idiota e imunda!
— Não fale assim comigo ou...
— Ou o que? Vai lutar de verdade? Um simples golpe meu e você seria simplesmente pó. Então tome cuidado com suas decisões.
— Acho que já deixei claro de que lado em que estou.
— Continua sendo um lixo de cavaleiro, então não pense em fazer gracinhas.
— Não vou fazer nada que coloque minha vida em risco, Hipólita, líder das virtudes de Hera.
— Assim espero.
Sala do Trono
Seiya não aguentava de tanta felicidade ao reencontrar sua irmã. Ele soube que, quando estava amaldiçoado pela espada de Hades, a mais velha tinha começado a treinar com Marin afim de se tornar forte para defende-lo como fazia quando criança.
— Por favor, Seiya. – Tomou a palavra a deusa – Contenha-se.
— Perdão, Saori.
— Eu agradeço a todos por terem vindo. Nem todos tinham a obrigação de estar aqui, mas mesmo assim estão dispostos a arriscar suas vidas pela humanidade.
Ela passa pelos recém-chegados, cobrindo-os com seu cosmo, cessando o cansaço que podiam ter, para só então se sentar novamente no trono dourado.
— Onde estão meus modos? Esse é meu irmão, Hércules. Ele está me auxiliando nesse novo combate. Ele também ficara encarregado como patriarca, enquanto o Shiryu estiver ausente. Sei que estão todos apreensivos, mas não podemos mais esperar que Hera jogue a próxima emboscada. A hora de atacar é agora!
— Mas, Saori, como iremos até o Olimpo?
— Irei guiar você até a morada dos deuses e-
A deusa não teve tempo de terminar, pois uma explosão faz todos ficarem alertas.
— Acho que demoramos muito para tentar uma invasão, mana. – Falava Hércules – Hera tomou a iniciativa.
— Rápido! Cavaleiros de prata e bronze assumas posições de defesa e contra-ataque. Seiya, Kiki e Marin devem abrir caminho. Os demais cavaleiros de ouro só devem lutar sob as ordens de Hércules. A batalha só está começando.
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