O conflito de Hera
6 Missão: Matar o cavaleiro de Fênix
Notas iniciais
Santuário
Aposentos Divinos
Saori ainda buscava entender o pequeno relato que Hércules tinha revelado a pouco, mas toda as informações, vindas de uma única vez, a fez ficar confusa. Tentando colocar tudo às claras ela pede para que o homem conte tudo o que sabe, desde o início.
— Antes que eu comece, por que você não quis saber do Seiya?
— Eu prefiro não tocar nesse assunto. Além de não ter nada a ver com essa guerra, ainda me faz sentir muito mal.
— Está enganada minha irmã. Esse cavaleiro é um dos motivos dessa guerra acontecer.
A jovem nada respondeu. Parecia querer realmente acreditar nas palavras que ouvia, mas as circunstâncias diziam exatamente o oposto.
— Pense bem, Atena – continuou Hércules – Você disse que na última noite Eros esteve aqui e que uma flecha quase a atingiu. Quando questionado, ele afirmou que não era uma flecha para ferir. Logo, se não era uma flecha de guerra...
— Era uma flecha do amor! Não acredito, como fui burra!
— E eu não duvido que ele tenha tentado de novo, com sucesso em atingi-la. Obviamente, pelo fato de ser uma deusa, a magia contida na flecha foi temporária, mas suficiente para que ocorre algo de grave. Tão grave que afastasse seu cavaleiro mais poderoso e facilitasse uma vitória para o lado inimigo.
A deusa começou a andar de um lado para o outro do aposento. Era claro sua angustia na tentativa de entender tudo aquilo. Não conseguia acreditar que, sendo a deusa da sabedoria, tinha sido enganada daquela forma horrenda. De repente, seus passos param, ela se vira para o irmão e questiona:
— E como você sabe de tudo isso?
Casa de Aries
Shun acabava de entrar na primeira casa quando Kiki veio na sua direção, querendo saber o que estava acontecendo, pois sentia que o cosmo da deusa estava oscilando entre várias emoções.
— Ela está bem. Deve estar assim por conta da conversa que está tendo com o irmão.
— Então era realmente irmão dela aquele louco suicida? Sim, porque para invadir as doze casas e interromper uma reunião onde estão os cavaleiros de ouro juntos de uma deusa é preciso ser fora da casinha.
— Realmente ele foi imprudente nesse caso, mas deve ter tido razões para assumir tamanho risco.
— E de quem estamos falando?
— Hércules.
— Podemos confiar nele?
— Isso não podemos afirmar. Mas agora eu preciso de você para outra missão.
— E qual seria?
— Preciso ir até o Japão e localizar o Ikki. Pode me transportar até lá?
— É claro. Vamos lá.
Caminharam para a entrada da casa e logo o dourado ativava seus poderes.
Aposentos Divinos
— E como você sabe de tudo isso?
— É claro que desconfiaria... Eu sou casado com a deusa da juventude, Hebe, que, por coincidência do destino, é filha de Hera e Zeus. Esse fato sempre me obrigou a ficar por perto de Hera e desconfiei da atitude dela nos últimos dias – ele se calou por um momento para que a outra pudesse refletir – Foi quando eu consegui ouvir a conversa dela com Eros sobre o medo que ela tinha de que você quisesse guerrear contra o Olimpo por causa dos humanos. Fiquei de olho no que poderia acontecer e pelo visto eu estava certo.
Saori se sentou na cama novamente, com o semblante triste, quase chorando.
— Atena, você não tem culpa de nada disso e muito menos o Seiya.
— Eu preciso ficar um pouco sozinha – disse se levantando.
— Atena, não temos tempo para ficar lamentando nossas decisões erradas. Seiya só foi a primeira vítima!
— O que quer dizer com isso?
— Hera vai atacar de todos os lados, começando por tirar os cavaleiros ditos como lendários do caminho. Ela já conseguiu se livrar do líder. Deve atacar aquele que estiver mais vulnerável.
— Todos os outros estão fora do Santuário, mas já mandei uma mensagem para que retornassem o quanto antes.
— Pode me chamar de pessimista, mas será que eles conseguirão voltar a tempo para a batalha? Ou – ele hesitou – será que irão sobreviver?
A deusa fitou nos olhos do irmão, não entendendo aquelas palavras.
— Seque essas lágrimas, irmã. A guerra já começou e está na hora de reagir!
Japão
Ikki estava no escritório, em meio aos montes de livros. Muitos não acreditaram quando ele disse que também abandonaria o campo de batalha e eles estavam certos, pois o tido como imortal não tinha se livrado da armadura. Agia secretamente, com seu cosmo selado que só podia ser sentido pela deusa ou quando ele quisesse revelar sua localização, e nem mesmo o Grande Mestre sabia dos seus trabalhos. Sua atenção estava voltada para os estudos sobre a reencarnação dos deuses e suas mortes quando a porta se abriu e a figura tão conhecida por ele entrou.
— O que aconteceu Tatsumi?
— Boa tarde para você também, Ikki.
O mordomo depositou uma bandeja com uma xícara de café e alguns biscoitos em cima da mesa e abriu as cortinas, deixando a luz do sol entrar.
— Você está parecendo o Batman. Trancado aqui, só estudando e treinando artes marciais, só sai à noite...
— Mude seu nome para Alfred que isso pode dar certo.
— Muito engraçado...
De repente o fênix se põe de pé e corre porta a fora, deixando o mordomo sem entender nada. Saindo para o jardim, ele avista aquele que fazia anos que não via.
— Shun!
— Ikki!
Os irmãos se abraçam fortemente, buscando matar a saudade naqueles poucos segundos que tinham.
— É bom revê-lo, Shun.
— Queria ter vindo antes, mas a vida de um médico não é de dar muitas folgas.
— Eu entendo. Mas então deve ter acontecido alguma coisa para que vocês dois viessem.
— Sim, Ikki – falou Kiki, se aproximando – É muito provável que uma nova batalha aconteça e precisaremos de toda ajuda possível. Atena conta com você.
— Para dizer a verdade eu sinto falta de quebrar a cara de alguns inimigos e do cheiro forte do sangue no campo da morte.
Repentinamente eles sentem um poder diferente indo em direção onde estavam.
— MURALHA DE CRISTAL!
O muro de defesa, invisível ao olho humano, é criado. A barreira era capaz de bloquear e refletir qualquer tipo de ataque inimigo, repelindo-os com a mesma força e velocidade disparada.
O ataque bate no obstáculo, quase superando o cosmo do defensor de aries, sendo detido.
— É verdade, os cavaleiros de ouro realmente merecem a fama que tem, de serem os cavaleiros mais poderosos no exército de Atena
Uma figura surge por entre as árvores, revelando ser uma mulher. Os cabelos loiros curtos e pela branca chamaram atenção, além do traje que vestia, que com certeza era uma armadura de guerra, de um tom laranja para o dourado. No seu punho direito a veste adotava a forma de uma cabeça de leão, nos ombros e joelhos era visível as garras do felino. Os olhos verdes foram depositados sob o dourado, que não tinha desfeito sua defesa e permanecia em alerta.
― Foi uma linda técnica de defesa de sua parte. Eu até bataria palmas para lhe dar os parabéns se meu objetivo não fosse mata-lo.
— Quem em sã consciência iria tentar matar um cavaleiro de ouro?
— Nós só não tentamos como já conseguimos matar alguns no passado – comentou Ikki.
— Ikki! Agora não é hora de sarcasmo! – Advertiu Shun.
— Acho que eles responderam sua pergunta, carneiro. Mas permita que eu também de uma resposta: me chamo Cibele, sou a virtude suprema de Leão de Neméia, o esquadrão elite da deusa Hera. Eu adoraria ficar conversando, mas tenho que matar aquele que chamam de imortal.
— Ah! Então é encrenca comigo que você veio procurar loirinha? – Questiona o mais velho, dando alguns passos para frente.
— Fênix, você vai ser o primeiro a sofrer as consequências de se rebelar contra os deuses. Vou me encarregar de que nunca mais volte a vida, mesmo com seu famoso título.
— Vou faze-la engolir essas palavras! Sinta o bater de asas do imortal pássaro de fogo! AVE FÊNIX!
Criando um atrito com o ar, Ikki faz surgir das palmas de suas mãos um vento de chamas furiosas, que avançam destruindo tudo o que encontram no caminho, buscando lançar o oponente para o ar. Em seguida, girando os braços acima da cabeça e aumentando a força do atrito e das chamas, dispara um golpe que toma a forma de uma grande e poderosa fênix flamejante.
Apesar da violência que o golpe desencadeia, Cibele não parece se importar com o ataque. Ela apenas estende a mão esquerda e eleva seu cosmo fazendo, para surpresa de todos, com o golpe desvie de direção, atingindo o jardim atrás de si. Os três homens não acreditavam no que seus olhos estavam vendo, ficando sem reação até que uma rajada de cosmo lança Ikki para trás, causando uma grande ferida em seu peito.
— Ikki! – Shun corre para socorrer o irmão.
— É até cómico. Achou mesmo que poderia me enfrentar sem nem ao menos estar com o lixo que chama de armadura? Eu achei que seria algo diferente, mas não... Saia da frente garoto, ou vai morrer como ele.
— Acha mesmo que permitirei que cause mais danos ao meu irmão?
— Sim, me lembro de ter ouvido que havia irmãos entre os lendários. Isso não faz a mínima diferença, vou mata-lo junto do seu irmão se é o que deseja e assim acabar com duas pestes de uma vez!
— Pode ter impedido as chamas do Ikki, mas não terá a mesma sorte contra o poder de Andrômeda! CORRENTE NEBULOSA!
Shun faz com que jatos de ar circulem o corpo do oponente, paralisando-o. É uma tentativa de fazer com que a batalha pare antes que um dos lados perca a vida. Ao menor movimento suspeito e o verdadeiro poder é revelado, explodindo na grande tempestade.
— É com isso que pretende me deter? Para mim não significa nada.
— Por favor, entenda: a corrente nebulosa vai ficar mais forte a cada movimento seu, até explodir em uma tempestade que acabara com a sua vida. Pare com isso, antes que seja tarde demais.
— Tarde demais será para você, se não sair do meu caminho.
A virtude salta, buscando sair do alcance do golpe.
— TEMPESTADE NEBULOSA!
Potentes jatos de ar são expelidos do corpo de Shun, formando uma grande tempestade de ventos, levando a vítima para o alto, causando inumeráveis danos de impacto, além da queda da altura elevada.
Shun acaba caindo de joelho pois, além de estar sem a armadura, fazia tempo que não gastava tanta energia.
— Cuidado! – Grita Kiki.
Uma nova rajada de cosmo atinge o cavaleiro dos ventos, mas não tão violento como o raio que havia colidido contra seu irmão.
— Chama isso de tempestade? – Cibele pousa no mesmo lugar onde estava a poucos segundos, levantando uma pequena nuvem de poeira ao tocar o solo com toda maestria. – Francamente eu esperava mais dos que eram ditos como lendários. Não passam de vermes como outros qualquer. É até um insulto eu, uma virtude suprema, ter que dar fim em seres tão insignificantes como esses.
“Como é possível? Conseguiu desviar a Ave Fênix sem dificuldades e mesmo sendo atingida diretamente pela Tempestade Nebulosa não parece ter sofrido um arranhão sequer”.— Pensa Kiki.
— Só resta você, cavaleiro de ouro, mas se quiser fugir eu vou entender. Meu trabalho aqui não é com você, só tenho que matar esses dois de uma vez.
— Não permitirei que toque mais um dedo neles!
— Oh! Então vai dar uma de herói e salvar os pobres cavaleiros de bronze? Bem, já que conseguiu deter meu primeiro golpe antes posso dar cabo de sua pessoa também. É claro, aquilo tinha sido somente um raio de energia, não um golpe de verdade.
— Não importa! Mesmo que eu tenha que dar minha vida aqui, não permitirei que mate Ikki e Shun tão covardemente.
— Já chega! Vai perceber que nada pode contra as garras do poderoso Leão de Neméia! GARRAS PERFURANTES DE NEMÉIA!
Cerrando seus punhos, Cibele faz surgir longas garras de fogo que, ao serem lançadas, se tornam lanças poderosas dispostas a perfurar qualquer barreira que encontrarem.
— MURALHA DE CRISTAL!
Diferente do golpe anterior, dessa vez a defesa não suporta a impacto e se desfaz em estilhaços, deixando o cavaleiro a mercê do ataque direto. Caído e extremamente ferido ele só sente ser levantado pelo pescoço.
— Até os cavaleiros de ouro são uma porcaria! Morra!
— Cibele!
A virtude larga o cavaleiro e se vira, avistando outra mulher com um traje muito semelhante ao seu.
— O que pensa que está fazendo? As ordens eram de eliminar somente o cavaleiro de Fênix, e nem isso você fez direito.
— Eu estava prestes a aniquilar um dos cavaleiros de ou ouro e dois lendários!
— É tarde para inventar desculpas. Temos que ir. Hera quer todo o exército reunido.
— Está bem. Algum dia vamos nos rever, aries. E nesse dia ninguém vai me impedir de mata-lo!
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