O conflito de Hera
11 Laços de Dor | Obrigado, Shiryu.
Notas iniciais
Argélia
Jabu percorria o caminho correndo, buscando sentir seu aluno que havia se distanciado dele no ataque de Najla. Ao para de baixo de uma árvore, pequenos frutos atingem sua cabeça.
— Mestre!
— Ah, você está ae.
— O senhor está bem? – Pergunta o jovem, pulando da árvore.
— Sim, não precisa se preocupar. Eu até diria que foi uma batalha bem rápida contra aquele ser.
— Eu queria ter ajudado o senhor. – O menor parecia muito triste, desviando o olhar do rosto do seu professor e batendo com o punho na árvore, deixando uma marca no local atingido. – Me senti um covarde fugindo daquele jeito. Isso não foi atitude de um cavaleiro.
— Certeza?
O aprendiz novamente olhou para o homem a sua frente, que sorria.
— Ser um cavaleiro não é somente bater e dominar o cosmo. Tem a ver com o céu alcançar, com força, coragem, nunca desistir e com a cabeça erguida se superar para vencer.
— Mestre...
— Você tem um grande futuro aguardando, Kouga. Mas, por hora, temos que ir para o Santuário. Atena está nos esperando.
— Certo. Hein, será que pode me ensinar aquele chute fodastico?
— Quem sabe quando você conseguir sua armadura.
Moscovo, Rússia
Enquanto isso, Hyoga, Jacob, Bado, Vione e Finnian chegam a cidade de Moscovo, ao oeste da Rússia. Suas pandoras box estavam escondidas em cesto de bambu, camuflando qualquer atividade suspeita.
— Nunca chegaremos a tempo nesse ritmo. Vamos pisar no Santuário e a guerra já vai ter acabado.
— Não precisa se preocupar, Jacob. Estaremos lá até o fim do dia.
— Como?
— Você esqueceu quem é Atena?
— Como assim? O que quer dizer? – Questiona Vione.
— Atena não é ninguém menos do que Saori Kido, dona da fundação Graad. Logo, basta um estalar de dedos e temos um avião para nos levar para a Grécia.
— Mas podemos colocar nossas armaduras e ir em grande velocidade. Afinal, fomo cavaleiros! – Fala Finnian.
— Não podemos. Usar esses cestos já chamam muita atenção, imagina se as pessoas comuns visualizam a gente carregando as urnas nas costas ou ainda vestidos com as armaduras e fazendo coisas sobre humanas? Os cavaleiros devem proteger a terra no anonimato, lembrem-se disso.
— Entendi. Mas como vamos conseguir alguma coisa? Eu não entendo nada do que eles falam aqui. – Comenta Bado, levantando a questão que ninguém tinha pensado ainda.
— Não se preocupem. Rússia é minha terra natal, então eu sou fluente nessa língua. Mas vamos andando, temos que chegar ao aeroporto o mais rápido possível.
— Temos alguma outra opção?
— Sim, Jacob. Podemos ir a pé e ter que cruzar o resto da Rússia a Ucrânia, Moldávia, Roménia, Bulgária e metade da Grécia.
— Melhor acharmos o aeroporto logo.
Se pondo novamente a andar, buscavam o caminho do local onde poderiam pegar um avião.
Cinco Picos Antigos
A virtude avança, com seu punho cheio de cosmo, desferindo um golpe contra o solo, fazendo inúmeras rochas irem ao encontro do cavaleiro. Shiryu apenas esticou o braço, desferindo alguns raios cósmicos, fazendo o ataque virar pedregulhos.
— Agora vejo o motivo de ser um cavaleiro lendário. Seu poder é realmente impressionante.
— Qual era o seu plano?
— Pergunta sobre a mulher? Nada de mais, eu só ia sequestra-la, tortura-la, brincar com ela... Daí você certamente iria aparecer, eu mataria sua mulherzinha na sua frente, fazer você iria querer se vingar e então te mataria. Simples assim.
— Como diz seu título, você realmente é uma víbora!
— Obrigado pelo elogio. Bem, já que não posso me divertir com sua esposa, terei que brincar com você mesmo.
— Por que não tenta?
— Acha mesmo que pode me enfrentar, sem nem sequer estar usando uma armadura? – Debocha o inimigo, gargalhando.
— Nunca precisei de uma armadura para vencer seres fracos como você.
— Já chega! Vai perceber que suas palavras não valem nada para mim. Morra pelo veneno da víbora! PEÇONHA SANGUINÁRIA.
Samael concentra a áurea de seu cosmo em suas mãos e condensa a força em suas unhas, que crescem imediatamente como finas agulhas e adquirem uma tonalidade negra, da onde escorre um líquido escuro. O golpe é semelhante ao Garras de Trovão da Shina, com a diferença de que a virtude não precisa fazer contato físico para que seu ataque surja efeito, pois ele atira a viscosidade negra que, ao atingir o alvo, corrói tudo o que encosta.
O Grande Mestre não se move, deixando o ataque se aproximar de seu corpo, fazendo um sorriso surgir no canto da boca da virtude.
— Eu consegui! Acabei com o grande Shiryu!
— Não conte vitória antes da hora.
— Como ainda você consegue falar!? Meu ataque deveria ter destruído seus órgãos internos!
— Sim, seu golpe poderia ter feito isso, se tivesse conseguido me atingir.
— O que?
— Não me surpreende que seus olhos não consigam acompanhar meus movimentos, afinal eu consigo me mexer na velocidade da luz. Seus golpes parecem estar se movendo em câmera lenta para mim.
— Ora seu... Não vim até esse fim de mundo para deixar um verme como você com vida. Nem que eu tenha que usar todo meu cosmo... – Se podia sentir a ira que vinha daquele homem, que agora gritava com todo seu folego. – Eu vou acabar com a sua vida!
— Isso já foi longe demais. Não tenho mais tempo para brincar com seres como você que acham que são vilões.
Fazendo o seu cosmo crescer significativamente, Shiryu avança em grande velocidade contra Samael.
— Então vai partir para o ataque? Eu acho me subestima só por ser um suplementar. VENENO COLOSSAL.
Pequenas gotas de veneno pingam das unhas do inimigo e, ao atingirem o solo, fazem crescer uma barreira de plantas pegajosas e que sentia o veneno de longe, típicas de um pântano. Como se não bastasse ser uma defesa, o atacante ainda podia sentir que seus movimentos perdiam força, devido ao ar tóxico que era inalado daquelas plantas.
— Essas plantas não vão proteger você do meu punho. Você falou que extinguiria seu cosmo se fosse preciso para acabar comigo, pois eu farei o mesmo. Seu veneno não pode deter as presas do grande dragão dourado que faz tremer o céu e a terra! CÓLERA DO DRAGÃO.
É uma forma aprimorada da antiga técnica, onde Shiryu ataca com um soco emanado com cosmo, parecido com uma rajada de um dragão que, se acerta, esmaga o oponente com o seu terrível poder de destruição e leva-o pelos ares.
O ataque do cavaleiro lendário passa pela barreira à sua frente como se fosse faca quente na manteiga, mas não encontra o inimigo para ser atingido.
— Não achou mesmo que eu ficaria esperando o seu ataque, não é mesmo? – Pergunta Samael, caindo em direção do patriarca, com suas unhas novamente cheias de veneno e as cravando no pescoço da sua vítima. – BOTE PEÇONHENTO.
Diferente do Peçonha Sanguinária, esse ataque é um ataque físico direto, onde as unhas cheias de veneno se cravam na carne da vítima e fazendo o líquido mortal ser injetado, porém o ataque não causa morte instantânea, mas sim uma caminhada lenta para o sono eterno.
Shiryu soltou um grito de dor que ecoou pelas montanhas, enquanto sangue escorria pelas aberturas em seu pescoço, mas ainda teve energia suficiente para queimar parte de seu cosmo, concentrando-o em seu braço direito, para desferir um último ataque.
— EXCALIBUR.
Técnica herdada de Shura de capricórnio durante a batalha das doze casas. É um cosmo mortal que reside em seu braço direito e que se comporta como uma afiada espada que pode cortar tudo. Além da capacidade ofensiva, Shiryu aprimorou a técnica para também usar o poder da lâmina para bloquear ataques de pontos concentrados.
Foi um golpe certeiro no peito da virtude de víbora, que larga o defensor de Atena e caí banhado em seu próprio sangue.
— Desgraçado! Ao menos eu sei que não vou morrer sozinho. Como eu disse, mesmo que custasse minha vida, eu iria te matar e eu consegui... Eu matei o Grande Mestre! Glória a Senhora do Olimpo, Hera!
Shiryu rasgava suas vestes e tentava estancar o sangramento, mas sabia que o veneno continuava se espalhando pelo seu corpo.
“Shunrei... Espero que você fique bem”.
Alguns passos ainda foram dados antes que ele tombasse no chão.
Santuário
— Shiryu! – Gritou Shunrei, quase em pânico. – Kiki, temos que voltar e ajudar o Shiryu!
— Você tem que ficar, Shunrei. Eu vou ver o que aconteceu.
— Você não vai a lugar nenhum, cavaleiro de áries!
— E quem pensa que é para me dar ordens?
— Eu sou o cavaleiro de prata de altar, Henry¹. – Fala o homem passando pela casa de áries. – E você sabe muito bem o que isso significa.
O ariano nada respondeu, deixando a mulher aflita a sua frente. Ele apenas acompanhou o prateado, um homem de estatura média, com cabelos ruivos e olhos castanhos, passar pela sua casa. O manto marrom que cobria todo seu corpo arrastava pelo chão e sua voz refletia a autoridade que era.
— Eu sinto muito, Shunrei.
— O que quer dizer?
— Esse é o Grande Mestre interino. Quando Shiryu não está presente, ele tem toda a autoridade no Santuário, sendo que somente Atena está acima dele. Além disso, o próprio Shiryu pediu para que eu não voltasse.
— Mas eu sinto que ele corre perigo! Você precisa ajudar seu mestre!
Lágrimas começaram a brotar dos olhos do cavaleiro dourado.
— Shiryu é forte. Ela vai sair dessa.
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