O conflito de Hera
4 Invasão na reunião dourada! O irmão de Atena
Notas iniciais
Templo do Trono
O Grande Mestre estava à direita do trono de ouro, apenas aguardando a deusa que defendia descer de seus aposentos, para que a reunião com os cavaleiros de ouro pudesse começar. Todos os defensores de ouro estavam presentes, divididos em duas fileiras, com exceção de sagitário e libra. Todos se ajoelharam com Atena apareceu.
— Podem ficar de pé – disse ela após de sentar no trono.
— Todos vieram, Atena – falava Shiryu, apenas para a deusa escutar – Até mesmo os que estavam fora.
— Eu agradeço a todos por atenderem meu chamado. Se fosse preciso nunca convocar uma reunião com meus cavaleiros mais poderosos eu jamais faria isso, mas a presente situação fez com que fosse necessário o chamado.
Ela esperou um pequeno instante para continuar a fala, como se estivesse escolhendo as palavras certas.
— Como todos já sabem, Seiya, o cavaleiro de sagitário foi banido por atentar contra mim, Atena. A atitude dele deveria ser julgada somente por mim, mas outros deuses acham que não sou capaz de responder como deusa somente porque estou em um corpo mortal – o cosmo de Saori começou a se elevar, assim como o tom de sua voz que tornava nítido sua ira – A escuridão que cobre o céu sobre esse Santuário é obra de uma das deusas mais poderosas do Olimpo: Hera, a deusa do matrimônio. Ela me mandou uma mensagem dizendo que a última gota tinha sido derramada hoje quando meu mandamento, que vem desde eras mitológicas, foi violado por um humano. Ela está decidida a acabar com a humanidade da pior forma possível. Porém, diferente dos outros deuses que queriam uma destruição visível, ela não quer que seja notada antes que seja tarde demais.
A deusa faz uma pausa em sua fala e se põe a caminhar por entre os defensores da elite.
— Hera vai fazer com que nenhuma vida nasça. Ela quer acabar com a fertilidade humana, que nenhum outro seja provido. Os que já estão no ventre das mães ainda podem sobreviver, mas nenhuma outra mulher será fecunda. Nenhuma terá a felicidade em ser mãe e não será preciso um século para que a humanidade seja extinta. E eu não posso aceitar isso! Não posso deixar que a vida humana pereça dessa forma horripilante só por capricho dos deuses.
Um estrondo poderoso interrompeu a fala da jovem. Todos no local sentiram um raio de cosmo cruzando o céu até tudo ficar silencioso. O cosmo de Atena novamente se manifestou com mais intensidade, buscando entender o que estava acontecendo, mas sua concentração foi interrompida por um dos cavaleiros ali presentes:
— Alguém está cruzando a casa de áries!
— Touro!
— Gêmeos!
Os cavaleiros sentiam suas casas sendo invadidas e logo estavam vazias de novo.
— Algo ou alguém está subindo as doze casas numa velocidade absurda!
— Já está em escorpião!
Os dourados se colocaram diante de Atena, que por sua vez fez surgir seu báculo, ficando em prontidão para quem quer que fosse o inimigo.
— Aquário.
— Peixes.
A porta é forçada e começa a se abrir. Todos os cosmos são elevados, prontos para atacar. Uma figura entra no salão sem se intimidar com a ameaça que sentia. Era um homem esbelto, de pele bronzeada, cabelos longos e prateados. Vestia uma armadura que nunca se tinha visto, sendo ela prateada com traços dourados e purpura. Apesar da imponência apresentada, se notava escoriações pelo corpo e grandes rachaduras em sua veste. Surpreendendo a todos, fez uma reverencia.
— Mil perdões pela minha falta de educação, Atena. Mas eu precisava vir alertar você. Hera... – ele tomba pra frente, tentando se sustentar com as mãos – Somente você pode deter ela, minha irmã. Vida longa à Atena!
Não resistindo mais, o homem desmaia. Atena vai até ele e fica aliviada ao sentir que ele ainda estava com vida.
— Shiryu, providencie que esse homem seja medicado. Todos vocês, cavaleiros de ouro, devem voltar para suas respectivas casas.
Ninguém ousou ir contra as palavras da deusa. Todos saíram, até mesmo o Grande Mestre.
“Você disse ser meu irmão. Mas quem será você? ” – Pensa ela.
Do lado de fora, Shiryu pede para que um dos cavaleiros espere. Aguardou até que todos os outros tomassem distância antes de começar a falar.
— Preciso de um favor seu.
— É só pedir Shiryu, perdão, mestre. Digo, Grande Mestre.
— Não precisa me tratar com tanta formalidade, Kiki. Afinal, somos amigos.
— Sim. Bem, o que posso fazer por você?
— Preciso que traga Shun até aqui. Ele tem mais trabalho do que simplesmente ver o enfermo que acaba de chegar.
— Assim que eu descer as doze casas eu vou ir até Rodorio com a telecinese e estaremos aqui num instante.
— Obrigado, Kiki.
O jovem ruivo sorrio e começou a descer as escadarias. Shiryu observava o atual cavaleiro de aries com orgulho. Depois que Mu morreu no muro das lamentações, ele havia pego Kiki como seu pupilo e ensinado a ele tudo o que sabia. Sua nostalgia se interrompe e ele entra novamente na sala do trono. Atena ainda está com o homem, que agora está sem armadura, revelando suas vestes comuns sendo a superior marrom e a inferior sendo preta. As feridas mais graves são curadas pelo cosmo da jovem, ao mesmo tempo em que olhava para a armadura do homem como se reconhecesse aquilo de algum lugar, mas sem recordar de onde.
— Shun estará aqui em breve, Atena.
— Ótimo. Leve-o para um aposento para que possa descansar.
— Desculpe meus modos, mas não acha que pode ser perigoso manter um desconhecido aqui?
— Shiryu, você sabe que eu não sou mais aquela mocinha indefesa. Eu sei me cuidar, fique tranquilo.
— Como quiser.
A deusa subiu novamente até seus aposentos divinos enquanto o patriarca carregava o desconhecido no colo até um aposento.
Rodorio
Shina acabava de encontrar Shun, após ter percorrido toda vila atrás do médico. Explicando a situação e da estranha marca que havia nas costas do amigo logo teve apoio do antigo cavaleiro. Mas, quando iam colocar os pés para fora da casa, um brilho os cega e surge diante deles um jovem vestido com uma armadura de ouro.
— Kiki! – Exclama Shina.
— O que faz aqui? Aconteceu algo? – Questiona Shun, já preocupado.
— Sim. Shun, precisamos de você mais do que das outras vezes. Um estranho apareceu enquanto ocorria a reunião dourada. Ele conseguiu atravessar as doze casas como se fosse um dos cavaleiros de ouro e ainda chamou a Atena de irmã. Ela pediu ajuda médica para ele, pois pode ter algo relacionado com tudo o que está acontecendo.
— Eu irei assim que eu estiver terminado de examinar o Seiya.
— Seiya?
— Ele está na minha casa – fala a prateada.
— Eu levo vocês lá rapidamente.
— June – grita o ex-cavaleiro pra dentro de casa – estou indo pro Santuário. Volto mais tarde.
Os três deram as mãos e logo estavam na casa da mulher cavaleiro. Seiya ficou contente em ver o amigo de novo, mas com receio ao ver o cavaleiro de aries, que o tranquilizou dizendo ter ido em paz. Ao levantar a camisa, para surpresa de Shina, a marca estava quase que cicatrizada.
— Não é possível! Estava uma marca horrível até agora pouco. Como pode ter curado tão rapidamente?
Shun nada disse, apenas tocou na ferida e disse sem sombra de dúvidas.
— É um golpe de um deus, por isso a rápida cicatrização. Porém deve ter sido um deus inferior, senão não teria essa marca.
— Acha que algo pode acontecer comigo como quando Hades me acertou com a espada?
— Não sei, Seiya. Em todo caso eu voltarei mais tarde para ter certeza. Agora eu preciso ir ver Atena.
— Por que você precisa ir ver a Saori toda semana?
— Isso não é da sua conta, Seiya. Apenas saiba que eu cuido dela do meu jeito. Até mais tarde. Vamos, Kiki.
Os dois sumiram do local, deixando apenas o sagitariano e a mulher.
— Shina, você também ia sempre ver Atena. Existe algo que esteja escondendo de mim?
— Seiya, apenas saiba que todos seguimos ordens. Não falar é uma delas. Agora descanse. Eu preciso sair pra comprar comida. Volto em algumas horas.
— Está bem. Obrigado por cuidar de mim.
— Só faço isso porque sei que é inocente. Do contrário já teria cortado sua garganta fazendo você agonizar pela perda de sangue. Daí cortaria sua cabeça e a colocaria em exibição como um troféu no centro da aldeia para todos verem o que acontece quando se trai Atena.
— Seja como for, eu agradeço.
A mulher se despediu e se pós a caminhar por entre o caminho que era iluminado apenas pelas luzes dos postes e das casas. Aquela escuridão poderia continuar por muito tempo, então teria que ter alimento estocado. Agora para dois.
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