O conflito de Hera

1 Atena está morrendo?


Notas iniciais
Olá leitor(a): Como eu anunciei na antiga 'O ataque de Hera', essa é uma fic que está sendo reescrita. Vai ser uma linguagem mais nítida, fácil de entender e sem enrolação na hora das lutas. Desde já eu agradeço aos dois leitores que me deram força nessa semana, Arthur Queen e Dricka Macedo. Espero que gostem. Boa leitura

A noite estava calma, assim como todas as noites no decorrer daqueles dois anos. Uma jovem se aproxima da sacada de seu quarto, deixando a leve brisa que sopra fazer seus cabelos voarem. Ela os tinha cortado quando viajou no tempo para salvar Seiya da maldição da espada de Hades, mas agora as madeixas roxas já tinham crescido novamente. Saori olhava a paisagem de seu templo: algumas das doze casas, a praça de competições e, ao longe, Rodorio, a vila dos aldeões e de boa parte de sua infantaria. Um pequeno sorriso surge em sua face, tendo a certeza de que tudo estava bem, e se coloca a caminhar pelo aposento, passando pela sua cama de pedra e um pequeno armário, o único móvel que havia no ambiente. Parando em frente a peça de madeira ela fita a fotografia que estava em destaque, em uma linda moldura dourada. O sorriso novamente surge em seu rosto até que ela se coloca a andar de novo em direção a porta e, em seguida, as escadas que levavam até o templo abaixo. Eram poucos degraus, comparados aos das escadas dos templos dos cavaleiros de ouro, justamente para a deusa subir e descer de um lugar ao outro sem se preocupar. Chegando ao templo do Grande Mestre, ela se aproxima e senta com toda graça e sofisticação no trono dourado e fita a grande porta que dava acesso ao lugar. Não demora muito tempo para as pesadas portas serem empurradas e uma figura conhecida entrar e se ajoelhar diante dela. Aquela cena toda noite se repetia.

— Boa noite, Saori.

— Seiya... Quantas vezes eu terei que repetir que não é preciso que venha me ver toda noite? Sei que se preocupa comigo, mas eu estou segura aqui. Por favor, volte para a casa de sagitário, que é o seu lugar.

— Me desculpe por minha ousadia, Saori, mas eu sinto... Não, eu sei, que cada dia que passa um centésimo de milésimo do seu cosmo se apaga. Isso me preocupa.

A jovem se levanta e caminha até o homem, tocando-lhe no ombro, mas sem olhar para ele.

— Sim, é verdade... É uma surpresa você ter reconhecido isso, já que sou uma deusa. Não se preocupe, isso é natural.

— Como pode ser natural?

— Seiya, eu, a deusa Atena, sempre reencarno em um corpo mortal para batalhar junto dos cavaleiros contra Hades e unicamente para isso. Agora que destruímos o corpo de Hades já não existe motivos para eu continuar aqui na terra e nem de reencarnar tantas vezes.

— O que quer dizer com isso, Saori? Que você está morrendo?

— Isso é como perguntar se estou respirando. Sim, Seiya, esse corpo mortal está morrendo e logo o meu espirito de deusa voltará para o Olimpo.

— Não, Saori, isso não pode acontecer! No dia em que você morrer eu... Eu... – ele hesitou, mas falou com as lágrimas formando em seus olhos – Eu morro junto!

Um movimento rápido, porém, eficaz é aplicado pela deusa. Sua mão espalmada acerta a face direita do cavaleiro, deixando um sinal vermelho no local atingido.

— Não seja idiota, Seiya! – Esbraveja ela após o tapa, se voltando em direção das escadas – Seu dever como cavaleiro é proteger a terra, independente de eu estar ou não viva como humana! Agora volta para sua casa zodiacal.

— Mas Saori, eu-

— Ousa contrariar a palavra de uma deusa?

— Saori, eu só-

— Será que as ordens de Atena não foram claras, sagitário?

Quem falava agora era uma voz masculina, firme e forte que surgia por entre as cortinas do templo. Certamente ele esteve todo tempo ali, ouvindo a conversa, mas não manifestando sequer seu cosmo. As vestes de Grande Mestre lhe cobriam todo corpo, um elmo dourado ocultava seus cabelos e uma máscara seu rosto. Assim como todos, ele também fez sua reverencia a deusa antes de ir em direção ao trono. A única pessoa que poderia mandar naquele homem era a própria Atena.

— Acho que o tapa que você recebeu já foi o suficiente para hoje, Seiya. Retire-se do local.

O cavaleiro lendário ainda pode ver a deusa que defendia desaparecer por entre as cortinas antes de fazer a referência ao imponente homem do trono para só então sair do lugar.

Saindo do décimo terceiro templo, o sagitariano descia as escadas a passos lentos. Ao passar pela última das doze casas, a de peixes, uma rajada de cosmo o fez acordar de seus pensamentos e saltar o mais longe que podia.

— No mundo da lua, como sempre, né Seiya?

— Marin! Pensei que estava-

— Morta? É, muitos pensaram isso mesmo... Que eu não sobreviveria ao treinamento para ser uma das defensoras da força dourada de Atena. Mas aqui estou eu, Marin de Peixes.

— Até com a armadura de ouro você não tira essa máscara?

— Regras foram feitas para serem cumpridas. Se é obrigatório as mulheres usarem máscara eu vou usar. Não é só porque eu subi de prata para ouro que vou começar a desobedecer a Atena.

— Você é certinha demais...

— Os certinhos não ganham um tapa como esse que você levou. – Observou a ruiva ao ver a marca avermelhada no rosto daquele que tinha ensinado o que era ser um cavaleiro.

— Eu não sabia que a Saori tinha uma mão tão pesada assim.

— Já esta tarde. É melhor você voltar para a sua casa.

— Está certo. Boa noite, Marin.

A mulher não respondeu. Apenas se virou, se retirando da vista de seu antigo aluno.

Agora, já em seus aposentos, Saori novamente observava o Santuário de sua janela. Ela sabia que as palavras com o Seiya haviam sido duras, mas também sabia que tinham sido necessárias. Perder alguém querido era extremamente difícil. Ela tinha perdido o avô adotivo quando era uma menininha. Sabia que, não só o cavaleiro de sagitário, mas todos com quem ela tinha tido a honra de batalhar lado a lado iriam ficar sem chão quando a vida do seu corpo mortal chegasse ao fim. Mas um dia aquilo aconteceria, afinal, tudo morre um dia.

Dando um suspiro, ela deu as costas para o lugar de observação e caminhou lentamente até sua cama. Nesse simples trajeto, de apenas alguns passos, algo foi atirado pela janela. A deusa rapidamente se vira e acende seu cosmo para parar o ataque. Uma flecha cósmica vermelha fica a centímetros de atingi-la.

— Vejo que, apesar de estar num corpo mortal, você realmente é uma deusa poderosa.

— Como ousa golpear eu, Atena, pelas costas?

— Calma, Atena... Não foi um tiro para te matar.

Um ser alado entra pela abertura na parece. Era da estatura de um menino de dez anos. Nas mãos carregava um arco e nas costas um porta flechas. Tinha nos cabelos, encaracolados e loiros, uma coroa de flores e vestia apenas um pano que cobria sua intimidade.

— Afinal, uma simples flecha de cosmo não mataria a deusa da sabedoria – continuou.

— O filho de Afrodite: Eros, o deus do amor.

— Eu mesmo.

— O que faz aqui?

— Nada demais. Apenas passeando e fazendo minha tarefa preferida: lançar flechas de amor sem olhar e formar os mais diversos casais. Não mirei em você e- – ele parou de falar quando percebeu que estava interrompendo algo – Desculpe meus modos, não queria atrapalhar seu repouso. Foi bom te ver, Atena. Uma boa noite.

— Boa noite, Eros.

Novamente a deusa se virou e, dessa vez, se deitou sem nenhuma intervenção. O que ela não havia percebido era que Eros não tinha disparado apenas uma flecha em sua direção.

Notas finais
Por hora é isso. Prometo ser mais pontual com os capítulos dessa vez. Semana que vem já tem outro agendado. O que achou desse capítulo? Deixe sua opinião. É muito importante pra mim. Se pah, você já sentiu o cosmo?