O conflito de Hera
19 A imposição do amor
Notas iniciais
Pátio principal do Santuário
— Acha mesmo que eu confiaria em um inimigo? Não irei para lugar nenhum com você!
— Shun, por favor, me escute. Sua vida corre perigo se ficar aqui.
— Pare de falar bobagens!
O cavaleiro novamente se prepara, elevando seu poderoso cosmo, avançando contra o adversário. Apesar de sempre ter usado suas correntes para atacar ou se defender, Shun também possuí um vasto conhecimento em artes marciais, mas raramente os pratica, mas agora sua força bruta entrava em ação, numa sequência de socos e chutes. Em resposta a investida, Rosvaldo apenas se esquivava, porém não contra atacava, até que se viu encurralado.
“Não tenho outra escolha. Lembre-se Rosvaldo, você não pode mata-lo... Ainda não.”
— TORNADO RELÂMPADO.
O vento começa acorrer mais rápido, atingindo forças demoníacas. Em seguida, a corrente de ar se fecha em círculos, prendendo o oponente em um furacão poderoso e é então que a clímax do golpe é desferido: um poderoso relâmpago atinge o alvo diretamente que, por conta da prisão dos ventos, não tem para onde escapar, ficando a mercê do defensor de Hera e de seus ataques elétricos monstruosos.
O poder do defensor de Hera golpeia Shun diretamente, deixando-o gravemente ferido por conta da descarga elétrica e cansado pelo ar rarefeito. O cavaleiro caí, de joelhos, com escoriações por todo corpo em que não era protegido pela armadura.
— Isso deve facilitar o meu trabalho.
— O que... O que quer comigo?
— Você vai saber de tudo mais tarde.
Não suportando mais, Andrômeda acaba desmaiando. A virtude de Néssus se aproxima de Shun, mas, quando ia pegar o corpo do desfalecido, é golpeado diversas vezes por algum tipo de corda, que faz seu braço da virtude sangrar.
— O que é isso? Quem é você?
— Sou June de Camaleão. O que fez com o Shun? Responda!
— Se eu estiver bem informado, você é a mulher desse cavaleiro.
— Sim e vou protege-lo com a minha vida se for necessário.
— Não vai ser preciso você se sacrificar, já que eu não pretendo mata-lo.
— O que quer dizer?
— Ouça, June, esse cavaleiro é uma peça fundamental nessa guerra. Quem tiver o apoio dele conseguira uma grande vantagem. Por isso mata-lo seria jogar a vitória no lixo.
— Ao que está se referindo?
— Me refiro a alma de um deus, o que mais poderia ser?
— Fala de Hades? O deus do submundo que tomou o corpo de Shun durante a guerra santa?
— Exatamente. No fundo, Shun ainda detêm a alma de Hades, ainda mais depois que o corpo do Senhor do Inferno foi destruído.
— Então é esse o plano? Usar Shun como Hades para destruir Atena?
— Olha, você até que é bem esperta. E escolheu bem a palavra: usar. Isso mesmo que Hera pretende com ele. Usar e depois, que tiver conseguido o que quer, descartar como qualquer outro mero humano.
— Não permitirei que faça uma atrocidade dessas!
— Escute, June... Eu sei que assim como seu amado, você não gosta de lutar. Só está nessa batalha por causa dele. O que me diz de se juntar a mim? – Ele se aproxima, lentamente – Poderia viver até o último de seus dias sem precisar mais lutar, sem dor, sem guerras, sem precisar proteger um deus ou seres fracos que necessitem de nossos sacríficos.
Ele para na frente da mulher e beija sua mão esquerda.
— O que me diz? Aceita ficar do lado que vai vencer essa guerra?
A jovem nada falava, como se refletisse aquelas palavras.
— Com uma condição! – Disse por fim.
— Não acho que esteja na posição de impor condições, mas qual seria? – Questiona ele, com ar de deboche enquanto acaricia o cabelo da loira.
— Que o Shun não seja morto. Quero que ele viva.
Rosvaldo olhou pro nada por alguns instantes até que falou:
— Está certo. Aceito sua condição. Agora, vamos para o portão principal. – Ordenou, enquanto pegava o cavaleiro desacordado e o carregava nas costas.
— O portão principal? Mas está guardada por vários cavaleiros.
— E alguns desses são aliados de Hera. – Afirmou ele, piscando ao ouvir o tom de voz, preocupada, da outra. – É loirinha, você não é a única vira-casaca do Santuário.
“Atena, Shun, me perdoem... Mas isso é preciso, para o bem de todos”.
Rodorio
O vilarejo de Rodorio é uma localidade que fica logo depois dos limites do Santuário de Atena, beneficiando-se da proteção dos cavaleiros e retribuindo com abastecimento de comida e água potável, mas também sendo afetado quando inimigos atacam. E pelas suas ruas, que levantavam poeira, caminhavam dois cavaleiros: Silas, o cavaleiro de ouro de Aquário e Felipe, o cavaleiro de prata de Centauro. Ambos tinham pequenas escoriações no rosto pois, quando estavam deixando os limites do Santuário, foram atacados por soldados de Hera. Agora, no vilarejo, o menor olhava meio assustado ao caos, pois em toda parte tinha sangue ou corpos brutalmente violentados.
— É melhor se acostumar – fala Silas, vendo sua expressão – Isso é algo que todos os cavaleiros veem um dia. É para evitar isso que lutamos.
— Mesmo sendo soldados inferiores, esses pajens causaram muito sofrimento. Não vamos deixar eles continuarem com isso!
— Vá com calma rapaz. Não deixe o ódio tomar conta do seu ser. Não quer ser o próximo Ikki, quer?
— Como sabe tanto sobre os lendários?
— E como não saberia? Eles são lendários! – Respondeu o dourado, rindo.
O prateado deu um soco de leve no braço do maior, pois não gostou da brincadeira.
— E eu já estava no Santuário na época deles.
— Já? – Questiona o menino, surpreso.
— Sim. Eu estava começando a treinar, com meus quinze anos, quando a batalha com os cavaleiros de ouro foi travada. Hoje estou com vinte e dois, então acompanhei o histórico deles pelos sete anos que fiquei no Santuário. Fui um dos que pouco sobreviveram durante o ataque de Hades. Mas eis que estou aqui, me tornei um cavaleiro de ouro!
— Mas, e o Hyoga? Pela lógica, ele não deveria ter se tornado o cavaleiro de Aquário?
— Ele resolveu se mudar para a Sibéria e treinar novos cavaleiros, mas não queria ser como seu antigo mestre, Camus, que toda hora tinha que voltar para o Santuário e deixar os alunos a própria sorte. Então ele decidiu renunciar a armadura para cumprir essa tarefa.
— Entendi.
A conversa parou de repente, quando um homem veio correndo na direção deles, abraçando o cavaleiro de ouro. Era um aldeão e sua face era de puro terror.
— Me ajude cavaleiro! Me salve! – ele gritava.
Foi então que seu rosto congelou numa expressão de dor, enquanto as mãos de Silas eram molhadas, logo sendo percebido pelo cavaleiro ser sangue, que escorria por um ferimento mortal que se estendia por toda costa do homem.
— Não é bonito quando alguém fica gritando no ouvido dos outros.
— Você me parece muito mais poderoso do que um pajem. – Silas calmamente deitou o aldeão no chão, fechou seus olhos e o cobriu com sua capa branca. – Então quem é você?
— Fico surpreso em encontrar um cavaleiro de ouro aqui. Eu sou a virtude suplementar de Caríbdis*¹, Vaitiare*²!
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