O começo de um recomeço
3 Cap 3 "A celebração do acaso"
"Mama mama, olhe que bonito eu quero ir lá!" Mizu que agora estava com seus 5 anos, deu pequenos saltos enquanto apontava com seus pequeninos dedinhos a uma grande igreja famosa da região, a qual agora estava cheia de enfeites natalinos, faltava só alguns dias pro natal então era natural as ruas estarem enfeitadas, mas essa em essencial tinha um grande banner ao lado da entrada escrito "show infantil gratuito ás 15h00, traga seus familiares e amigos!!". O que fez com que chamasse a atenção de muitas pessoas, pois a entrada estava com uma fila enorme repleta de adultos e crianças as quais sorriam entusiasmadas.
Perdida em meus pensamentos não percebi que Mizu me arrastava apressadamente a entrada a qual estava com uma grande guirlanda pendurada na porta da igreja, e eu conseguia ver mais claramente lá dentro.
A igreja por mais que estivesse com uma grande aglomeração de pessoas ainda incrivelmente possuia lugares disponiveis.
Apesar da fila longa, ela diminui bem rápido, e Mizu e eu nem demoramos muito pra pegar nossos ingressos.
"2 ingressos por favor"
"Aqui está senhora, se divirtam" disse o caixa enquanto sorria e entregava nossos bilhetes.
Devolvendo o gesto peguei os 2 papeis e entrei na igreja movimentada com Mizu logo atrás.
Se a igreja de fora já era bonita e bem decorada, por dentro era mil vezes melhor.
Na entrada havia duas árvores de natal em cada lado da porta, piscas-piscas com cores vibrantes estavam penduradas por toda a parede da igreja acompanhadas de diversos bonecos ornamentais amarrados as cordas dos piscas-piscas. Um tapete grande e vermelho se estendia até o altar,onde a imagem de jesus cristo jazia colocada com orgulho.
os bancos não passam batido pois os mesmo estavam igualmente decorados com flores e plantas bonitas atrás e ao lado.
Mizu ao avistar algumas crianças brincando com pessoas fantasiadas de elfos,anjinhos e renas, que distribuiam balões em formatos variados não pensou duas vezes antes de correr em direção ao local. "Mizu!" Chamei inutilmente
É inutil correr atrás dela ou chama-la, já que ela está muito empolgada pra se importar, então apenas suspirei e vaguei pelo tapete procurando por lugares pra sentar.
Por morar em uma cidade pequena pude imediatamente reconhecer várias pessoas que se espalhavam pela grande igreja, acenei e cumprimentei alguns vizinhos e acabei encontrando com minha vizinha do lado, Mary johnson uma mulher de 64 anos de olhos azuis e cabelos longos e grisalhos, que sempre nos convida para tomar um chá em sua casa, e sempre nos oferece bolos e tortas aos domigos, a gente sempre aceita até porque é feio recusar comida e não dá pra negar já que ela sempre está carregando um sorriso amável em seu velho rosto, e sempre nos trata com grande carinho.
A propria olhou pra mim me dando um aceno de mão e um tapinha nos dois assentos ao seu lado me convidando a sentar lá.
"Oh Mary é um prazer te ver aqui! Você veio sozinha?" Cumprimentei enquanto lhe dava um abraço e me sentava ao seu lado.
"Oh não, meu marido e eu viemos juntos, mas ele foi trazer alguns biscotinhos pra gente, e você não trouxe Mizu?" A velha senhora indagou enquanto olhava em volta. "Sim claro que trouxe, na verdade, ela que me subornou pra vir aqui, você sabe como ela é" revirei os olhos de brincadeira. Mary riu em resposta "oh que ótimo adoraria ver minha doce menininha"
"Vovó Mary!" Falando nela...
Mizu correu abraçando a pobre senhora a qual retornou o abraço com carinho, logo atrás vinha Sr. Johnson com dois sacos de pipoca e 4 embalagens de biscoitos enquanto acenava a cabeça pra mim em cumprimento.
"Mama, olhe o que o vovô me comprou" Mizu me mostrou orgulhosamente seu brilhante balão azul em sua mão.
"Que lindo Mizu, combina com seu cabelo" Brinquei enquanto bagunçava seus cabelos o que a fez rir.
Mizu sempre viu o Senhor e a Senhora Johnson, como seus avós já que a mesma nunca teve a chance de conhecer seus avós verdadeiro, pois Lina e eu viemos sozinhas pra cidade.... Lina...
Mizu sempre me tratou como sua mãe, apesar de ter conhecimento que sua mãe real é Lina, eu nunca pedi pra ela parar porque provavel ia entrar por um ouvido e sair pelo outro, e querendo ou não, ela me chamar de mãe me traz um quentinho no coração.
Meus pensamentos foram interrompidos por um alto som de trombones tocando, olhei pro palco que agora estava prenchido com homens vestidos com uma roupa que lembrava muito do soldadinho quebra-nozes, e eles marchavam e tocavam trombeta enquanto ficavam enfileirados um em cada ponta do palco.
Uma cortina vermelha foi aberta e de lá saiu o pastor da igreja e uma freira sorridente, os dois andaram em passos firmes até a frente do palco.
"Senhoras e Senhores, meninos e meninas! Tenho orgulho de apresentar o show "O nascimento de um Natal", onde terá a ilustre presença do coral das freiras de Minnesota!" Logo que o pastor terminou de falar, um grande alarmar de palmas foi ouvido, as pessoas gritava e assoviavam entusiasmadas.
O padre e a freira voltaram pra dentro da cortina vermelha a qual se fechou atrás deles.
As luzes foram apagadas e depois de algum tempo os tambores ressoaram, as luzes se ascenderam novamente mas o palco agora estava preenchido com uma fileira de freiras que ficaram ao fundo do palco logo a frente das cortinas fechadas.
Com suaves e harmoniosos cantos o coral começou a cantar e os atores começaram a entrar no palco, atuavam sem falar nada, eles apenas dançavam.
E Apesar de ninguém falar, foi bem facil de entender o conceito do show, é aquele negocio né, os gestos falam mais do que palavras.
Sem que eu nem percebe-se, ouvi um grande bater de palmas, o show tinha encerrado e os atores se curvaram todos juntos a frente do palco em despedida e gratidão.
Os atores estavam saindo do palco mas o coral não.
Elas começaram a cantar uma outra música, provavelmente a ultima.
Todas elas cantavam com delicadeza e elegância, mas uma das freiras me chamou atenção, uma menininha que parecia ter a mesma idade de Mizu, cabelos vermelhos e olhos ambar, que estava na fileira da frente, parecia estar com dificuldade pra acompanhar as outras, ela constantemente tossia e segurava sua garganta em dor.
Isso me deixou com um sentimento ruim no coração, mas tentei não pensar muito nisso e voltei a me concentrar na canção.
Logo as freiras terminaram e assim como os atores, se curvaram em despedida enquanto eram recompensadas com altas palmas.
Quando as freiras estavam saindo pude ver a freira que estava ao lado do padre no começo, puxar o braço da menininha que era arrasta com a cabeça baixa.
Aquele sentimento ruim voltou.
"Mary, será que você pode olhar Mizu pra mim enquanto eu vou tirar fotos com o coral" menti enquanto dava um olhar de piedade a velha senhora.
"Claro que sim AU-Chan, vá lá!"
"Obrigado" sorri agradecida enquanto me dirigia a atrás do palco, onde ficava as freiras e atores.
Chegando lá pude ver de novo a menina e a freira que a arrastava mais ao fundo da sala, segui tentando não esbarrar nas pessoas que tinha se aglomerado na porta. O lugar era apenas para os funcionarios, mas na confusão que estava acabaram nem percebendo que eu entrei. Finalmente consegui sair daquela montanha de pessoas, mas acabei perdendo a menina e a freira fazendo com que o sentimento ficasse mais forte e se arrastasse até a boca do estomago, segui procurando entre as salas as duas até que ouvi gritos e um choro numa sala ao fundo.
"VOCÊ ESTRAGOU NOSSO SHOW SUA INUTIL" um alto barulho de tapa foi ouvido seguido por um pequeno gemido de dor. "POR SUA CAUSA as crianças estão infeliz agora, sua bastarda" outro tapa ecoou.
Não aguentando mais ouvir, segui até porta em apreensão, mas ouvi passos alto atrás de mim e uma voz feminina me chamar.
"Ei, quem é você?! Essa area é restrita, apenas funcionarios podem entrar aqui" virei rapidamente em choque, era uma das freiras, uma adolescente loira me encarava com um olhar azedo.
"Ée que e-eu meio que ta-tava tentando procurar vocês e..." comecei a murmurar confusamente, enquanto a freira batia o pé impacientemente.
Ouvi o abrir da porta atrás de mim e a outra freira que estava no quarto com a menininha estava agora saindo, ela batia os pés até a saida sem nós dar nem uma segunda olhada.
A freira loira parecia esquecer da minha existência enquanto tentava alcançar a outra freira apressadamente.
Suspirei aliviada enquanto andava até o quarto.
Conseguia ouvir o choro da garotinha por entre a porta, e tentei abrir sem fazer muito barulho.
Quando entrei, me deparei com a garotinha de cabelos vermelhos agachada no chão.
A garota chorava tentando esconder seu rosto vermelho e inchado a qual agora estava com um band-aid grudado em sua bochecha que tentava inutilmente cobrir seu recente machucado dos tapas.
"Doi é horrivel"
Não aguentando ver aquilo, caminhei em passos lentos até a garotinha.
"Por favor não chore minha querida" disse suavemente agachando a sua frente, o que a assustou um pouco já que ela não tinha percebido que eu estava ali
"Quem fez isso com você, você pode me dizer?" Cheguei perto e passei meus dedos por debaixo de seus olhos tentando tirar as lágrimas que escorriam de seu rostinho.
"Foi a freira-mãe ela sempre nos bate quando fizemos algo de errado, eu em especifico já que sou a mais nova,ela diz que é pra ajudar, pra que eu possa amadurecer... mas se isso é amadurecer eu não quero amadurecer, dói muito"
"Isso não é ensinar a amadurecer, é abuso! Ela não deveria fazer uma coisa dessas com você e nem com ninguém"
Expliquei frustada
"Onde estão seus pais pra que eu possa conversar com eles?"
"Eu sou orfã, freira-mãe é que cuida de mim e as outras freiras" murmurou tristemente a menina
"Me chamo AU-Chan, Qual o seu nome?" Perguntei
"Lily"
"Bom Lily, se prepare por que eu vou tirar você das mãos dessa velhota maluca"
A menina concerteza não esperava isso com o olhar de surpresa que surgir em seu rosto inchado
"É sério? Você está brincando não é?"
Sacudi negativamente a cabeça em resposta
"Estou falando serissimo, vou salva-la mesmo que isso me traga conseguências" eu disse determinada
Isso trouxe um sorriso de orelha a orelha na cara da pequena, a qual correu pra me abraçar.
"Obrigada, obrigada AU-Chan"
"Hahaha, não é nada... ouch! Não me aperte tanto".
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Saindo da igreja eu, Sra. e Sr. Johnson, Mizu e Lily nos dirigimos até a delegacia mais próxima, e prestamos queixa contra a freira-mãe.
Depois de varios dias e com provas e varios interrogatorios com freiras que moravam na mesma casa que Lily, a freira-mãe finalmente foi presa.
Lily por ser orfã ia acabar tendo que voltar pro orfanato, mas depois de muito pensar acabei pegando a guarda dela, o que deixou não só Lily mas também Mizu muito feliz.
Pra comemorar, passamos a noite inteira comendo bolo e tomando chá enquanto assistiamos frozen, nós três enroladas juntinhas no cobertor até dormirmos.
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