O chiclete da discórdia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Adrien Agreste estava muito animado com a perspectiva de seu futuro. Apesar de não ter obtido autorização para ir à escola, acabou recebendo um presente ainda melhor: um miraculous. Bem, ao menos foi o que conseguiu entender sobre a fala da criatura preta que surgiu antes de a animação consumi-lo completamente e ele transformar-se.
Bem, transformar-se não era exatamente a melhor palavra. Ele não se sentia diferente em quase nenhum aspecto, só estava com uma roupa nova e um bastão.
Não tardou em usar sua nova arma para explorar o local e sentir a liberdade batendo no rosto. Era difícil andar devagar, tanto espaço aberto esperando ser golpeado pelos seus braços e pernas. Por mais que corresse ou saltitasse sentia que sua energia nunca acabaria.
Decidiu acalmar-se e praticar um pouco suas habilidades com o bastão. Afinal, seria essa a sua arma para enfrentar os vilões, portanto deveria dominá-la. Seria um pouco mais fácil para ele porque já sabia esgrima, então poderia puxar uma técnica ou outra de lá.
Ao ver um prédio com a cobertura larga, Adrien pensou em treinar uns movimentos lá em cima antes de procurar seu inimigo ou sua parceira. Estendeu seu bastão como uma corda bamba, tentando chegar do prédio onde estava até aquele em que praticaria.
Era difícil manter o equilíbrio e o garoto morria de medo de cair, já que a altura era o suficiente para gerar machucados graves. Se concentrou bastante e respirou fundo: com um passo de cada vez, ele avançava.
Subitamente algo (ou alguém) acertou-o em cheio e ele quase caiu. Sorte que foi enrolado por um emaranhado de fios.
—Eu sou a Ma... — começou a garota que havia caído em cima dele –ior desastrada... — completou desanimada após se soltarem
—Não se preocupe garota desajeitada, eu também estou pegando o jeito. Sou Adrien Agreste. — ele disse com um sorriso gentil
—Meu nome é Marinette Dupain-Cheng, mas acho que deveríamos usar nomes heroicos a partir de agora... — disse pensativa
—Tem razão, como eu sou tolo... — falou rindo –Me chame de Chat Noir, então.
Assim que Chat Noir acabou de se auto batizar, um estrondo soou distante e ele logo pegou seu bastão e correu para a origens do barulho.
—Espera! Para onde está indo? — perguntou Marinette, um pouco assustada
—Salvar a cidade, ora! — respondeu irônico
...
Marinette estava desanimada por ter falhado em sua primeira missão como heroína, mas não era como se fosse inesperado. Desde o início ela soube que aquele trabalho não era para ela... Sua alma se sentia pesada por ter decepcionado seu parceiro Chat Noir e sua kwami Tikki, além de botar toda a cidade de Paris em perigo...
Para sua sorte, ainda existia uma possibilidade de ajudar. Ivan só seria akumatizado de novo se tivesse emoções negativas, então Marinette iria esforçar-se para que seu dia fosse muito feliz. Dessa maneira, ela poderia preocupar-se com a solução do outro problema que carregava: encontrar um portador decente para o miraculous que recebeu.
—Alya? — perguntou para a garota com quem havia feito amizade no dia anterior -Você já pensou em ser uma super-heroína?
—Ia ser incrível! — ela respondeu animada já se imaginando combatendo o mau –Eu não tenho medo de nada! — ela disse decidida
Marinette sorriu com a perspectiva de resolver mais esse dilema e discretamente colocou a caixinha com o par de brincos na mochila de sua nova amiga. Aos poucos seu humor parecia melhorar com as soluções que ia encontrando, até chegar na sala e ver aquilo.
—Ei! O que você está fazendo?! — ela gritou horrorizada para um garoto que mexia em algo na cadeira em que Chloé havia obrigado ela a sentar do dia anterior
—Eu é... hã... — ele se enrolava nas palavras –Eu estou tentando tirar! — disse desesperado
Chloé riu ao fundo do jeito atrapalhado com que ele respondeu à pergunta e Marinette logo compreendeu que situação era aquela:
—Ah, você é amigo da Chloé... — constatou com nojo
—Por que todo mundo fica falando isso...? — perguntou baixo para si mesmo de forma que ninguém ouviu
Ele não compreendia porque ser amigo de sua primeira amiga era algo tão ruim quando ela era tão legal junto dele.
Marinette pegou um lenço em sua bolsa e cobriu o chiclete que pensava ter sido posto pelo garoto novo, logo após sentou-se à espera da aula.
Ela deu uma olhada no novo companheiro que teriam a partir dali e percebeu o quanto ele era familiar, só não conseguia saber porque.
“Eu já vi ele em algum lugar...” — pensou consigo
Aquela sentada ao seu lado percebeu que ela encarava o menino com um olhar interrogativo e aproveitou da super ferramenta chamada celular que tinha em mãos para saciar a curiosidade dela.
—Adrien Agreste. Filhinho de papai, super modelo teen, capa de revista e amigo da Chloé. Fique longe.
Curiosa, olhou o celular de Alya na esperança de entender do que ela estava falando. Logo percebeu que ela estava no site da Gabriel, a marca do seu estilista favorito. Ela estava em algum subitem onde estavam as fotos de seu filho, principal modelo da marca.
Franziu a testa, afinal aquele na foto parecia mesmo o menino que havia feito aquilo com elas. Mesmo assim, apesar de conhecer todas as peças feitas por seu ídolo, não era muito chegada a conhecer os modelos que estavam por baixo delas. Achava difícil reconhecê-lo dali.
Enquanto passava as fotos na esperança de clarear a mente, viu uma foto em que ele usava um casaco preto e aí tudo fez sentido. Adrien Agreste era o nome do parceiro o qual Tikki afirmou que ela teria! Não poderia ter mais azar, além de encarar Chloé e sua trupe na escola, teria que encarar como heroína também!
—Eu não acredito que ele é um idiota! — falou chocada sobre Chat Noir ser Adrien Agreste
Naquele momento, nada pareceu mais certo do que ter dado seus brincos para Alya, ela seria forte para colocar aquele malandro em seu lugar.
...
Nino, que sentava ao lado de Adrien, percebeu a cara triste do colega por aparentemente ter decepcionado Marinette. Era claro que a reprovação dela poderia acabar com qualquer um, aquela garota era incrível!
O julgamento que fizera sobre o aluno novo, só porque era amigo da Chloé, não poderia estar mais errado. O garoto realmente estava tentando ajudar... Não podia deixar de tranquilizar o coitado que estava bem para baixo por ter perdido dois amigos em potencial:
—Acho que está na hora de fazer novos amigos. — falou confiante enquanto estendia a mão para ele
Sorrindo, os dois apertaram as mãos.
—Fala com a Marinette depois, explica tudo e pede desculpas. Ela é sempre muito gentil e vai entender que foi um mal-entendido – Nino tentou animá-lo
A expressão do companheiro mudou completamente ao ouvir o nome Marinette. Esse era o nome da garota maravilhosa que lutava ao seu lado com um miraculous: a Ladybug. Adrien não poderia suportar ter magoado alguém com quem não só precisava, como almejava, ter laços tão profundos. O que seria de Paris com dois heróis brigados?
Ele parecia ir de mal a pior...
...
Marinette não podia acreditar no azar que tinha, Alya correu para filmar a luta e largou sua bolsa com os brincos para trás. Agora, em vez de poder ficar segura no esconderijo com a turma, teria que ir atrás dela para dar as joias.
Quando finalmente a encontrou, viu que um carro estava prestes a cair em cima dela e se desesperou, lembrando que tudo isso era culpa de ela não ter purificado o akuma. Mas logo viu o bastão de Chat Noir suavizando a queda de modo que em vez de machucá-la somente a prendesse. Infelizmente, tal ato distraiu-o e um dos seres de pedra acabou segurando-o.
—Parceira, cadê você? Aquilo foi um mal-entendido! — gritou para ninguém em especial
“Talvez ele não seja tão ruim quanto a Chloé” — pensou sorridente
Vendo as duas pessoas em quem depositou confiança para resolver o problema da cidade presos e indefesos, percebeu que não podia ficar sem fazer nada. Engoliu sem medo e raiva e tentou transbordar coragem, pegou a caixinha onde Tikki estava e respirou fundo.
—Sabia que mudaria de ideia! — disse a kwami animada para sua dona
—Não posso deixar aquele amigo da Chloé sozinho, não é mesmo?
...
Após o policial Roger ter expulsado ela de lá dizendo que ela já tinha falhado uma vez e que agora era para deixar com os profissionais, tudo aquilo que tinha esquecido para transformar-se pareceu avançar sobre seus pensamentos novamente.
—Ele tem razão, sabe. Se eu tivesse capturado o akuma na primeira vez, nada disse teria acontecido.
Chat Noir colocou delicadamente a mão em seu ombro e lançou-a um olhar confiante, mas ao encarar o rosto do parceiro, só lembrou do garoto que havia colocado um chiclete em seu acento na esperança que ela sentasse em cima. Isso deu-lhe nojo.
—Não toque em mim! — disse com raiva
Chat Noir murchou a cara, lembrava que ela estava magoada com ele. Achava até que o motivo de sua demora em aparecer era porque não queria ficar perto dele. Porém, ao vê-la ao seu lado, super disposta a trabalhar em equipe, achou erroneamente que tinha sido perdoado. Ele soltou-a tentando esconder a tristeza.
—Ladybug, eu sei que você está brava comigo. Mas eu queria que você soubesse que só estava tentando tirar o chiclete da sua cadeira, eu juro. Eu nunca tinha ido à escola, nunca tive amigos... Isso tudo é meio... novo para mim... — disse melancólico -Eu jamais me perdoarei por ter feito uma garota incrível quanto você se sentir traída. — seu tom era determinado naquele momento -Você foi incrível e ele está errado! Porque sem você, a Chloé não estaria segura com seu pai e sem a gente eles não vão conseguir acabar com o Coração de Pedra e nós vamos provar isso. — ele ousou tocar seu ombro mais uma vez, agora não sendo repelido
Ao ouvir essas palavras, seu cérebro dela pareceu desligar e seu corpo travar. Parecia hipnotizada pelo significado de tudo aquilo e acolhida pelo incentivo de Chat Noir. Sentia-se mais calma e segura e seu toque a embriagava.
—O... ga...da...bri... — Ladybug não sabia porque estava gaguejando
Ele sorriu divertindo-se.
Logo após o vilão cuspiu diversas borboletas pretas que fizeram um discurso amedrontador, mas dessa vez a heroína não teve medo e respondeu decidida logo partindo para o ataque e purificando todas aquelas borboletas:
—Não, Hawkmoth. Quem você acha que engana? O vilão é você. Pois é sua culpa essas vítimas inocentes serem transformadas em vilões! Não importa quanto tempo demore, nós vamos encontrar-lhe. E aí você vai nos dar o seu miraculous! Eu vou prometer uma coisa, povo de Paris. Não importa quem queira machucá-los, a Ladybug e o Chat Noir farão tudo que puderem para mantê-los seguros! — e liberou as borboletas purificadas
Todos comemoraram aquela pequena vitória de sua mais nova protetora, mas Chat Noir não se sentia em condições de se agitar. Estava paralisado pela grandeza de sua parceira e provável nova amiga. Ele só tinha certeza de uma coisa: ele amava aquela garota.
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