O chefe
41 Bônus 1: Escolinha e outras novidades infernais
Notas iniciais
Bônus 1: Escolinha e outras novidades infernais
▬ Edward ▬
A casa estava com uma movimentação estranha desde ontem. Bella estava na confeitaria e ela foi bem mais esperta que eu ao acordar mais cedo, se arrumar e sair antes de mim deixando apenas um bilhete escrito ‘haha, você não me trapaceia cinco vezes seguidas, dessa vez eu fui mais esperta, se vira pai do ano’ me obrigando a ficar de vigia para as três crianças que ficaram. ‘Crianças’ pois apesar de Natalie ter 14 anos, ainda a considero tão criança quanto Nora e Sony.
Essas duas últimas estavam sentadas no tapetinho na sala assistindo algum programa musical infantil que me fazia querer tacar uma pedra na televisão enquanto eu estava trabalhando no computador. Iria para a empresa só mais tarde pois Gianna precisou ir ao médico pela manhã. De vez em sempre eu tinha que estar atento pois as duas estavam na fase de sair andando, sumirem da minha vista e eu não saber onde estavam. Da última vez encontrei Nora perto da piscina, por sorte essa estava coberta com a proteção que impediria de alguma delas se afogar. Bella quase me matou e com razão.
Nat estava inquieta e por conta dela, a movimentação na casa estava estranha já que ela andava de um lado para o outro carregando muitas coisas. Reparei que Natalie estava desde ontem arrumando suas coisas em três caixas diferentes. Ela por acaso estava planejando fugir de casa? Ri com o pensamento. Não eram apenas suas coisas, eram coisas que ela considerava ser importante e coisas que ela realmente gostava, por isso a minha curiosidade com que ela estava fazendo.
Após um pequeno conflito interno se devia ou não deixar as gêmeas sozinhas pela casa e ir ver o que Nat fazia, decidi que as duas ficariam bem, suspendi todos os objetos pequenos que estavam ao alcance delas e as deixei no cercadinho, mesmo sabendo que agora com dois anos elas já tinham aprendido como abrir, mas era apenas por precaução. Fui até o quarto de Nat e fiquei escorado em sua porta vendo-a arrumar suas coisas nas caixas, até que decidi questionar.
— Filha – entrei em seu quarto chamando sua atenção – Você está de mudança e não me avisou?
— Não papai, essa é minha herança – ela explicou triste – É que eu estou morrendo – uma lágrima escorreu por seu rosto – Eu estou sangrando há dois dias e não acho que meu corpo tenha sangue o suficiente para os próximos dias.
Arregalei os olhos constatando o que ela havia dito. Puta que pariu, péssima hora para Bella não estar em casa. Sorri sem graça me sentando em sua cama. Eu sempre soube que esse momento chegaria, até li sobre isso algumas vezes para ajudar a me preparar para isso, mas faz tempo e eu esqueci tudo. Sendo honesto, eu realmente esperava que quando isso acontecesse, ela estivesse com Alice ou Rosalie já que eu não possuía plano algum de me envolver com alguém e estar com Bella era um desvio da minha rota, mas quando moramos juntos, eu realmente achei que Bella estaria em casa quando isso acontecesse.
— Filha, senta aqui comigo – indiquei a cama para que ela sentasse.
Natalie pareceu ponderar e por fim concordou com um aceno de cabeça.
— Vou aproveitar meus últimos dias com você papai – ela fungou alto – Me desculpa não poder viver mais.
Sorri de nervoso. Quando Nat sentou, passei meu braço por seu ombro a abraçando, ela repousou a cabeça em meu peito e passou os braços ao meu redor retribuindo o abraço.
— Filha, você não está morrendo – falei enquanto passava a mão em seu cabelo – Isso é normal.
— O senhor sangra por dias?
— Graça a Deus não – ri – Mas você vai sobreviver.
— Então como você sabe que eu vou sobreviver? Desculpa, é que eu não vi seu diploma de medicina pregado na parede, aí seu diagnóstico não me parece confiável.
— Mas vai ver o castigo e o corte da sua mesada se continuar respondendo dessa forma malcriada.
— Quem liga? Eu vou morrer mesmo – ela deu de ombros.
— Nat, às vezes, quando a mulher chega a uma certa idade, eu honestamente esperava que isso fosse acontecer bem mais tarde com você sabe? Tipo uns 15, 16 anos, não agora, sendo honesto, eu nem sei se estou preparado pra isso agora... – ela se afastou franzindo o cenho e me olhando confusa – De qualquer forma, acontece de sangrar.
— Não entendi nada, pode ser mais objetivo? Você está enrolando.
— Porque a vida tem dessas coisas, é normal, faz parte do seu sistema biológico.
— O que? – ela perguntou confusa me deixando confuso.
— O que o que?
— Que?
— Acontece porque você está... Sabe, você é mulher e essas coisas acontecem.
Natalie tinha uma grande interrogação estampada no rosto. Eu sempre apreciei o fato de ela ser muito garotinha e não querer estar a frente da sua idade, mas neste momento, eu estava realmente incomodado por ela nunca ter pesquisado um pouco mais e por ela não ter querido ser um pouco mais pra frente. Me pouparia essa conversa.
Fomos interrompidos pelo choro alto e estridente de uma das gêmeas.
Nat e eu corremos para a sala bem a tempo de ver Sony (?) puxando o cabelo da irmã e a irmã não contente mordendo o braço da outra. No desespero, eu nem sei quem é quem ali até que eu olhe a pulseirinha. Elas são realmente parecidas.
— A Bella vai te matar quando ver essa marca de mordida – Nat riu – Ao menos morre eu e você, mas eu vou pro céu, você eu não sei já que é o demônio.
Ignorei seu comentário correndo até as duas, realmente, era a Sony que estava puxando o cabelo da Nora e a tirei de perto da irmã, Nat me ajudou e segurou Nora no colo que instantaneamente parou de chorar, Sony ao ver a irmã, se esticou para que Nat a pegasse, mas quando ela não a pegou, Sony desatou a chorar.
— Não sei por que as duas gostam tanto de você – murmurei tentando fazer com que Sony não chorasse mais – Quando elas choram você é a primeira a deixar elas no chão e ir se trancar no quarto dizendo ‘eu não tenho filho’.
— Porque eu sou incrível – ela sorriu e isso fez com que Nora gargalhasse olhando para a irmã – Né coisinha fofa? A mana é incrível e você me adora.
— Mana ama – Nora respondeu a Natalie.
Para o completo desespero e tristeza de Bella, Natalie ensinou as gêmeas a dizer ‘mana ama’ e agora as duas vivem para repetir isso enquanto se recusam a dizer ‘mamãe ama’.
— Mãe – Nat falou animada ao abrir a porta.
Fiz uma careta ao ver Tanya parada na porta. Eu realmente odeio o fato de Bella ter deixado o acesso de Tanya a casa livre o suficiente par anão ser barrada na entrada e ela apenas poder entrar. Tanya sorriu se inclinando pra beijar a testa de Nat e fez graça para Nora que riu, Sony que estava no meu colo, bateu palmas animada ao ver Tanya.
— Mas que merda você veio fazer aqui? – questionei impaciente.
— Admirar sua cara feia pra ver se temos chance de reatar nosso relacionamento que nunca existiu porque você é o eterno amor da minha feliz vida que ficou infeliz depois de perder você – ironizou – Cadê a Bella?
— Como você pode ver, não está na sala, mas vê se ela não está debaixo do sofá, vai ver ela está brincando de esconde-esconde – respondi no mesmo tom irônico.
A diria para ir embora e procurar por Bella na confeitaria, mas pensando melhor, sua visita agora era bem oportuna. Entreguei Sony para ela e fui para o quarto, arrimei minhas coisas, peguei minhas chaves, carteira e voltei para a sala onde Tanya estava com as três. Expliquei para ela a situação com Nat e isso a fez rir da minha cara por não saber como abordar o assunto.
— Nat, filha, sabe seu sangramento? – Tanya questionou, Nat a olhou triste, mas concordou com um aceno de cabeça – Então, está menstruada, parabéns, virou uma mocinha.
— Aaaaaahhh – um brilho de compreensão surgiu em seu olhar – Isso explica muita coisa. estou me sentindo tão boba por não ter pensado nisso – deu um tapa em sua testa – Pai o senhor é ótimo em tudo, mas nisso foi péssimo, podia só ter dito. Eu não sou tapada.
Encarei Tanya me sentindo ridicularizado. Simples assim? Eu podia ter feito essa merda, não precisava dela pra isso, se eu soubesse teria eu mesmo simplesmente dito. Achei que deveria ter um protocolo de conversas ou essas porcarias.
— Uuuuh eu vou mandar mensagem pra Mad, ela vai morrer com isso porque ela queria menstruar primeiro – Nat tinha um sorriso diabólico no rosto – Ela vai ficar mortinha de inveja.
— Eu achei que você e sua prima eram amigas? – disse confuso.
Ela me olhou com os olhos brilhantes e um sorriso angelical no rosto.
— Mas nós somos melhores amigas, papai – Nat respondeu com a voz pacífica – Mas nada impede de eu me vangloriar e ela morrer de inveja.
Tanya e eu trocamos um olhar mortificado, mas claro que Tanya logo sorriu e disse estar orgulhosa da filha. Revirei os olhos, outra hora converso melhor com minha filha sobre isso.
— De qualquer forma, eu tenho que ir para a empresa, Gianna chega em algum momento – me virei indo até a porta e destrancando-a – Tanya, você quis ser madrinha delas e eu nunca concordei, mas já que está aqui, então faça valer isso e fique aqui cuidando delas.
— Edward volta aqui.
Ignorei seus protestos fechando a porta atrás de mim. Para alguma coisa nessa vida além de me dar raiva Tanya teria que servir.
▬ Bella ▬
— Isso é um absurdo Edward, eu me recuso a aceitar isso – falei irritada andando de um lado pro outro na sala – Você só pode estar louco, eu sempre soube que você era o próprio lúcifer de olhos verdes manifestado entre nós, sempre soube das suas tendências diabolísticas, mas nunca imaginei que tentaria ser o próprio lúcifer pra cima de mim, na verdade você sempre foi. Deus eu que me enganei, eu quero me separar, esse relacionamento não está mais dando certo.
Edward me olhava entediado acompanhando todo meu surto com o queixo apoiado na mão.
— Aliás, pega essa porcaria – tentei tirar do braço a pulseira que Edward me deu em nosso primeiro natal – Não quero mais comandar inferno nenhum com você porque você é um falso, fingido e só quer o meu mal.
— Você sabe que mais cedo ou mais tarde Nora e Sony vão ter que ir pra escolinha, não sabe?
— Não sei de porra nenhuma, só sei que você é um péssimo pai por desejar essas coisas pra suas filhas – fiz uma careta.
— Bella, nós dois trabalhamos, as gêmeas têm 2 anos, elas já estão na idade de começar a escolinha, isso não precisa ser o fim do mundo. Até os filhos da Rosalie já estão indo pra escolinha também, é completamente normal e esse momento um dia chegaria, você sabe disso.
— Eu não estou preparada, okay?
Edward levantou do sofá que estava sentado vindo até mim passando os braços ao redor da minha cintura me trazendo para mais perto de si.
— Que tal se essa semana formos atrás de algumas escolinhas infantis e daí você escolhe a que te fizer sentir mais segura? – ele sugeriu.
Eu sabia que estava sendo exagerada, mas quero e que se foda. Ele quer tirar minhas filhas de mim pra colocar elas numa escola. Qual o próximo passo? Manda-las para um colégio interno na Suíça? Arregalei os olhos. Ele não está nem louco de fazer isso, eu arranco as bolas dele antes que ele tenha a chance de fazer isso.
Ele estava bem disposto a me convencer de que estava na hora e após os milhares de argumentos dos quais eu parei de prestar atenção para dar importância ao show que John fazia em minha mente, concordei apenas para não ter que ouvir mais argumento nenhum. Era muitas vozes em minha cabeça. Edward, John, eu mesma, eu só queria um copo de água.
— Certo, então amanhã vamos começar a procurar por escolas que me agradem – concordei por fim – Mas que fique claro que eu sou contra essa ideia e provavelmente não vou querer nenhuma escola.
Edward riu murmurando um ‘eu já imaginava isso’ ao concordar. A movimentação na porta de entrada chamou nossa atenção, Natalie chegou da escola vestida no seu uniforme de líder de torcida junto com Mad e Matt que ainda estava com a roupa do time de futebol da escola. Aparentemente, apenas Madison não era desse ‘meio’, sendo envolvida com outras atividades extracurriculares.
— Isso é sempre interessante – sorri vendo os três adolescentes entrando.
— Esse garoto não tem casa não? – Edward reclamou.
Agora que Nat já menstruava, ele estava apavorado com a ideia de ela começar a namorar pois na mente dele ela engravidaria no segundo que perdesse a virgindade e as vozes do inferno diziam na mente dele que Matt teria alguma a coisa ver isso. Eu tenho certeza que ele estava certo, não com a parte do engravidar, mas com a parte da virgindade e todo o resto. Eu apenas quero estar aqui pra presenciar o barraco todo, ainda mais porque Matt e Nat estavam com os braços enganchados e Mad estava de cara fechada para os dois.
— Para de ser ranzinza – ralhei – Oi crionças, voltaram cedo – cumprimentei os adolescentes.
— Oi Bella – Mad me cumprimentou.
— Oi querida, tudo bem?
Mad apenas sorriu acenando um ‘sim’ com a cabeça.
— Bella, como sempre você um colírio para os meus olhos – Matt tentou se aproximar, mas parou no lugar ao ver a cara mal humorada de Edward.
— E eu vou fazer questão de garantir que você não vai enxergar mais nada. Você não tem como ser menos brega?
— Senhor Cullen, como sempre muito gentil.
Natalie revirou os olhos.
— Menos pai, muito menos.
— Depois vamos ter uma conversinha – ele estreitou os olhos pra filha que apenas sorriu descarada – Eu vou estar no escritório, tenho uns contratos pra revisar, mas minha audição é boa, se aproxime da minha filha e nós vamos nos desentender – ameaçou olhando para Matt.
Matthew era dois anos mais velho que Natalie e Madison, então ele estava no auge dos seus 16 anos, hormônios pipocando e a porra toda. Saí da sala com Edward, mas enquanto ele foi trabalhar, eu fui fazer pipoca de microondas para mim. Eu que não perderia a chance de acompanhar Nat ignorando o Matt, mas quando ele começasse a dar atenção pra Mad, Natalie voltar a trás e roubar a atenção toda só pra ela de novo. Esse barraco eu não perco.
▬ Natalie ▬
— Pra mim, você está apenas exagerando – dei de ombros me afundando ainda mais no banco de trás do carro.
— Explica isso pra miss drama aqui do lado – papai falou rindo apontando com o queixo para Bella que logo lhe acertou no ombro o fazendo rir.
— Eu odeio vocês dois – Bella fechou a cara cruzando os braços.
Enquanto Bella estava com dificuldades de aceitar o fato de que Nora e Sony iriam para a escola, eu e meu pai estávamos completamente okay com isso, quero dizer, eu fui pra escola com 2 anos e estou bem até hoje, aliás, sou até inteligente, a melhor coisa que meu pai fez foi me botar na escola ainda nova, mas temos o adicional de que: Bella é louca.
As gêmeas ficaram com Gianna, meu pai me deixaria na escola e seguiria de lá com Bella para irem ver uma escola. Parei de dar atenção aos dois me focando nas mensagens que Mad mandava para Matt no grupo em que estávamos os três. Ela está muito pra frente para o meu gosto.
[...]
— Ei Nat, o que vai fazer esse final de semana? – Mad perguntou quando nos encontramos nos encontramos no intervalo.
— Se tudo der certo, maratonar Sex Education e depois passar a noite brincando com as gêmeas e você?
— Não sei, estava pensando em chamarmos o Matt pra fazermos algo – ela deu de ombros como se não tivesse dito nada demais.
Estreitei os olhos pra ela. Mad não chamava Matt para sair com ela pois da última vez que fez isso saindo apenas os dois, fiquei uma semana sem falar com ela. Qual é, Matt é meu amigo e eu cheguei primeiro, ela não pode simplesmente chegar e querer sentar na janela.
— Olá girassóis – falando em Matt, ele aparece se colocando entre Mad e eu ficando no meio e passando os braços ao redor dos nossos ombros – Falam sobre o que?
— Maratonar Sex Education.
— Sair esse final de semana.
Mad e eu respondemos juntas. Matt riu olhando para mim, revirei os olhos sem lhe dar importância.
— As duas ideias são boas, mas maratonar deve ser durante o dia, não?
— Claro que não, maratonar pra mim é virar a madrugada assistindo série, o que você faz durante toda sua madrugada?
Matt de repente ficou com as bochechas vermelhas e deu um sorrisinho sem graça.
— Infelizmente coisas que não estou orgulhoso e nem quero falar em voz alta.
— Tipo o que?
Mad revirou os olhos para mim ao rir, lhe olhei de cara feia, odiava quando ela agia como se soubesse mais do que eu das coisas, especialmente quando algumas coisas ela realmente sabia mais. Não tenho culpa se ela é pra frente e eu adoro ser apenas uma adolescente pura de 14 anos, mas ela é a porcaria do motivo no qual eu vou assistir essa merda de Sex Education, pra ver se eu deixo de ser menos... devagar.
— Pensando melhor não quero nem saber o que você faz, Matt – falei, mesmo que eu ainda não fizesse ideia do que estavam falando.
Quer saber, que se dane, não vou assistir Sex Education, vou assistir ‘Eu nunca’ pois eu me recuso a fazer algo apenas porque na mente da Mad ela é melhor em alguma coisa, não tenho que provar nada a ninguém, ainda mais quando eu não estou com pressa de nada, nem de crescer. A Mad que lute.
— Mas nós podemos mesmo sair esse final de semana, Nat – Matt sugeriu – Sabe, eu acabei de tirar minha licença, eu já posso eu mesmo dirigir.
— Mas quem disse que eu confio em você pra dirigir e que eu vou querer abrir mão das minhas séries pra sair contigo? Você está muito pra frente, Matthew.
— Nós podemos sair Matt – Mad sugeriu apressada – Eu nunca fui no Space Needle, sabia?
Mas quem já que chamou ela pra conversa? Até onde eu sei, Matt estava falando comigo. A tia Alice e o tio Jasper não estão ensinando nada pra Madison?
— Podemos ir no mercado municipal, lá tem muitas coisas gostosas pra comer – me apressei em sugerir.
Mad me olhou de cara feia.
— Você não ia maratonar série?
— Ia, mas eu não vou privar o Matt da minha maravilhosa companhia, ele ia odiar isso, não é Matt?
— Eu com certeza ia – ele confirmou com um grande sorriso no rosto – Você sabe que sua companhia pra mim é tudo.
— E a minha companhia não é nada pra você? – Mad fez beicinho.
Ridícula.
— Claro que sim, vocês duas são muito importantes para mim.
— Mas claro que eu sou mais – sorri.
— E sempre será – Matt beijou minha bochecha.
Olhei para Mad com um sorriso no rosto e ganhei um revirar de olhos como resposta.
— Me busque sábado as 14h.
— Certo – ele se virou para Mad – Eu te busco depois que pegar a Nat.
Madison apenas concordou com um sorriso forçado no rosto. Obviamente eu vou no banco da frente. Prioridades né, eu sou filha do meu pai, não é como se eu fosse deixar alguém ficar com o que é meu e Matt é meu amigo antes da Mad, então, ela que se acostume.
▬ Bella ▬
— Esme, não é possível que você ache isso normal – reclamei – As duas começam na escola daqui dois dias, você não tem nada a dizer ao seu filho?
Esme me olhava como quem iria pular no meu pescoço e me pôr pra fora daqui, Carlisle estava no sofá com uma almofada no colo e o celular na mão viciadíssimo como nunca no seu Candy Crush e o Chia/Convergir estava deitado aos seus pés vestido com uma fantasia de urso. Era fofo.
— Vou sim querida – Esme sorriu – Mas vai ser pra você. Eu estava prestes a transar com meu marido neste sofá – apontou para onde Carlisle estava sentado – Ele tá com essa almofada no colo porque está de pau duro, mas fomos interrompidos por vocês e sendo honesta, só deixei entrarem porque você falou que era uma emergência. Não acho que a Nora e a Sony irem para escola seja uma emergência suficiente pra empatar minha foda, então por favor, vá pra casa e transe com meu filho porque essa cara de poucos amigos dele tá me irritando e você claramente precisa transar também.
— Esme...
— A noite eu te ligo e nós conversamos, sim? Agora por favor, eu ainda quero transar.
— Na frente do Chia? – questionei horrorizada – Coragem, até eu cubro os olhos do John quando Edward e eu vamos transar.
— Alguém por favor fura meus ouvidos até que eu não consiga mais ouvir nada? – Edward reclamou ficando de pé – Ok, chega, vamos pra casa pois eu claramente não quero estar aqui. Minha mãe é louca, despudorada e eu realmente não queria ter ouvido isso.
Sob protestos eu fui arrastada para fora dali. O caminho todo de volta para casa fui em silêncio. Há 3 dias, Edward e eu escolhemos a escola que as gêmeas iriam e isso me deixou arrasada pois significava que as duas estavam crescendo e eu não poderia evitar isso. Que inferno.
— Vem cá – Edward me puxou para sentar em seu colo.
Quando chegamos em casa, fui direto para o quarto e fiquei lá em silêncio. Edward percebendo meu desânimo, me aninhou em seu colo passando os braços ao redor do meu corpo e apoiando o queixo em meu ombro.
— Eu entendo que a escolinha seja novidade demais pra você – ele falou quebrando o silêncio, me limitei a assentir – Mas uma hora isso iria acontecer, elas não vão ser bebês pra sempre, Bella. Quando você menos perceber, elas vão ser grandes e vão chegar em casa te dizendo que o amigo delas que você não suporta já dirige, que vai levar ela pra porcaria do mercado municipal e que agora ele que vai busca-la para deixar na escola e que você não será mais necessário.
Não contive a gargalhada que escapou por minha garganta. Edward ainda não havia engolido a história de agora o Matt que busca a Nat na escola e eles vão juntos. Ele ainda queria ‘dar umas porradas nesse adolescente abusado’, mas foi barrado por mim e pelo Colidir que mordeu o pé dele.
— A Nat já ser adolescente também é uma puta de uma novidade pra você, não é? – rodeei seu pescoço com meus braços.
— Sim e eu não estou contente com isso. Um dia desses ela tinha 10 anos, o que aconteceu?
— Ela cresceu.
Ele respirou fundo.
— Uma merda, tenho que confessar.
— Ao menos temos a Mad pra estar ali no meio do rolê todo impedindo de eles serem de fato o casal adolescente que eu queria que eles fossem.
Edward me olhou cético arqueando uma sobrancelha de forma irônica.
— Você não queria que eles fossem um casal adolescente porque isso ia atrapalhar a possível confusão entre a Mad e a Nat que você tanto quer ver. Pelo amor de Deus Bella, quando os três estão aqui você faz pipoca e fica vendo isso.
Gargalhei alto.
— Que culpa eu tenho se é engraçado? Eu acho hilário a Nat 100% nem aí pro Matt, quando ele percebe isso, ele começa a dar atenção pra Mad, a Nat percebe e passa a tratar o Matt bem e a Mad fica potassa, no final, parece uma guerra perdida pra Mad porque o Matt é muito cadelinha da Nat, a Nat fala ‘a’ e o Matt já está todo ‘au au au’ pro lado dela, ele sempre foi apaixonado por ela.
— É muito Matt, Nat, Mad, eu fico é confuso com esses nomes, é muita coisa, mas eu realmente quero aquele adolescente punheteiro longe da minha filha.
— Querido lúcifer de olhos verdes, tenho más notícias – Edward me olhava esperando que eu continuasse minha fala, mas ao ver sua cara preocupada, tive uma crise de risos antes de continuar falando – Eu realmente acho que aqueles dois ainda vão se casar e contra a vontade da Mad, ela ainda vai ser a madrinha da Nat pois ela faz tudo que a prima quer.
Edward riu orgulhoso.
— Nat é mesmo minha filha, não é do tipo que segue, é do tipo que lidera.
Revirei os olhos. Infelizmente essa característica é forte demais dele e possivelmente minhas duas bebês inocentes também foram corrompidas com essa característica demoníaca dele. Suspirei alto lembrando das minhas duas coisinhas fofas e dentuças. Eu sempre me pergunto como que eu passei da pessoa que não queria filhos pra mãe super protetora que eu virei. Isso é praga da Lilith que se juntou com o Thanos, certeza.
— Elas vão ficar bem – Edward falou segurando meu queixo para que eu olhasse para ele – Você é uma mãe incrível e não vai deixar de ser só porque elas vão começar a vida acadêmica delas agora, terão pessoas capacitadas cuidando delas enquanto eu e você estaremos no trabalho. A Nat também começou com 2 anos e ela está bem e não ama a Tanya menos por isso, embora eu realmente quisesse isso.
— Promete que elas vão ficar bem?
— Prometo.
— Como você consegue ficar tão bem com isso?
— É apenas normal que isso aconteça.
Suspirei vencida. Elas já estavam matriculadas, não tinha mais nada que eu pudesse fazer com relação a isso a não ser apenas confiar que elas ficariam bem.
[...]
No ‘grande dia’ em que Nora e Sony começariam na escolinha, já acordei com o coração apertado, mas tirando forças, pelo visto do meu cu, consegui me manter firme e não chorar. Arrumei as coisas delas, coloquei o John na minha bolsa, sim, pois meu primogênito não perderia por nada nesse mundo esse dia memorável e coloquei a coleira do Colidir, ele queria perder esse momento pra ficar em casa dormindo porque era preguiçoso, mas ele ia sim e era bom esse vira lata por um grande sorriso na cara peluda dele.
— Vou com vocês, dispensei o Matt hoje – Nat anunciou aparecendo na sala com seu uniforme de líder de torcida e o cabelo amarrado em um rabo de cavalo alto – Mas falei pra ele não buscar a Mad porque só eu posso andar no banco da frente. Ele concordou.
— Lembrou que tem pai e não precisa daquele otário do Matt?
— Pai você sempre vai ser meu homem favorito no mundo – ela sorriu indo abraçar o pai – Mas eu vou ir com vocês pra dar forças pra Bella nesse dia dificílimo pra ela e porque eu quero aparecer na foto.
— Que foto? – questionei confusa.
— Por favor, eu sei que você vai querer tirar foto delas na escola porque você é emocionada assim, toda vez que tem evento na minha escola você fica apontando o celular na minha cara pra tirar foto, por que com elas seria diferente?
Ponderei melhor suas palavras. Era tudo verdade.
Edward e eu acomodamos as gêmeas que ainda estavam meio adormecidas, cada uma em suas cadeirinhas, Nat levou o Colidir com ela e após nos certificarmos que estavam todos bem, fomos para a escola das meninas.
— Pai, eu quero fazer uma tatuagem – Nat falou durante o caminho.
Edward franziu o cenho e olhou pra ela pelo retrovisor.
— Você tem 14 anos, você ainda não sabe o que realmente quer, mas se quiser muito, posso te levar pra fazer tatuagem de hena, o que você quer fazer?
Não pude deixar de sorrir. Lembro de uma vez que ele disse que se Nat quisesse, ele mesmo a levaria para se certificar que tudo iria ocorrer bem e que ela não seria enganada.
— Quero fazer um coração no dedo – ela apontou para a parte da frente do mindinho – Que nem o que a Miley Cyrus tem, também quero tatuar na minha costela uma frase, não sei qual, mas vou ver uma frase bem conceitual.
— Achei que você ia querer algo brega como uma borboleta – Edward riu olhando para mim, ri também, mas quando lembrei que eu era quem tinha uma tatuagem dessa, fechei a cara.
— Credo, eu deixo essas breguices pra vocês.
— Certo, mas você ainda é muito nova, no momento só te autorizo a de hena.
— Eu convivo bem com isso – Nat concordou.
Fomos o caminho todo conversando. Devo confessar que Nat no carro mantendo a conversa viva me ajudava a me distrair. Quando estacionamos na escola das duas, eu estava bem mais tranquila do que achei que estaria, pelo visto ter surtado durante toda a semana fez cm que agora eu ficasse bem.
Nat segurava o Colidir pela coleira, Edward estava com Sony no colo e a bolsa dela no ombro e eu estava com Nora e a bolsa dela, em frente ao prédio escolar, a diretora nos aguardava com uma professora ao seu lado, como Edward era uma ‘pessoa importante’, a gestora fez questão de ir nos receber. Conversamos com ela, ela me assegurou que todas as funcionárias eram capacitadas e treinadas para cuidar das crianças da melhor maneira possível, lhe dei uma lista com todos os telefones de todos os membros da família que ela poderia entrar em contato caso algo acontecesse.
Na verdade, eu até comprei um celular pro Colidir só pra ter mais um telefone pra entrar na lista, então é bom que ele aprenda a atender o aparelho e não me importa o quanto Edward diga que isso é loucura.
— Fique tranquila, Sr Cullen, iremos cuidas das suas meninas como se fossem nossas – Beth, a diretora me garantiu.
— Mas por favor, lembre que elas não são suas, são minhas – falei.
Meu Deus, eu tenho certeza que ela quer sequestrar minhas filhas. Nat percebendo meu nervosismo, segurou minha mão com força. Beth riu.
— Manteremos isso em mente. É normal que as mães fiquem apreensivas no primeiro dia de aula dos filhos, qualquer coisa iremos lhe avisar, pode ficar sossegada.
Assenti concordando. Quanto mais conversava com Beth, mais tranquila eu ficava e quando eu já estava totalmente convencida e em paz com a ideia das gêmeas na escola, a professora que a acompanhava tirou uma foto minha, de Edward, as gêmeas, John e o Colidir. Edward também dizia que tudo ficaria bem e por isso, a ideia das duas algumas horas longe de mim e com completos desconhecidos não me apavorava mais.
Quando a diretora entrou com a professora e minhas filhas, ficamos Edward, eu e Nat olhando-as se distanciarem. Eu achei que choraria, faria escândalo e a porra toda, mas apenas estava orgulhosa de mim mesma. Pelo visto eu já estava crescida o suficiente pra lidar com isso com maturidade.
Olhei para o lado, Natalie e Edward olhavam as gêmeas que de longe, davam tchauzinho para nós, os dois tinham uma expressão estranha no rosto.
— Vamos? – os chamei – Nat tem que ir pra escola e eu ainda tenho que ir para a confeitaria, quero fazer sobremesa Holandesa para hoje.
Silêncio foi toda a resposta que eu tive. Eles ainda estavam com o olhar fixo na mesma direção onde as responsáveis pelas gêmeas tinham as levado.
— Edward?
— Foda-se, eu vou buscar as duas.
— O que? – perguntei confusa.
— Também não gostei dessa história toda não, elas vão ficar melhor em casa – Nat concordou.
Antes que eu pudesse formular alguma pergunta, Natalie e Edward entraram na escola me deixando completamente confusa. Cerca de 5 minutos depois os dois voltaram, cada um segurando uma criança nos braços.
— Outro dia elas começam, não vou para a empresa hoje e não quero conversar sobre isso – Edward falou passando reto por mim.
— Hoje vou faltar, também não quero falar sobre isso – Nat concordou seguindo o pai.
Fiquei parada no lugar apenas olhando-os colocarem as gêmeas de volta no carro. Uma sonora gargalhada preencheu o ambiente e era eu quem estava indo. Eu que fiquei preocupada com isso e eles que surtam e sequestram as duas da escola? A vida é boa demais e Deus me sondou.
Obrigada, universo.
Passamos o dia os cinco em casa, jogados no sofá brincando com as gêmeas e assistindo Nat ensinar as duas a como serem líderes de torcida. Edward se recusava a falar sobre ele ter literalmente sequestrado as duas da escola, mas eu estava bem com isso.
No dia seguinte, a rotina voltou ao normal, Matt foi buscar Nat em casa, Edward e eu levamos as crianças para a escola e dessa vez realmente as deixamos lá. Elas se adaptaram bem, não recebi nenhuma chamada de emergência e agora não tinha mais problema com isso. Edward foi para a empresa e eu segui para a confeitaria.
Tudo estava no seu devido lugar, essa seria nossa rotina de agora em diante e eu certamente podia e iria me acostumar com isso e John estava agora performando em minha mente garantindo que tudo ficaria bem pois é assim que as coisas tem que ser.
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