O chamado cinza

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Primeiramente, quero reforçar meu pedido de desculpas ao grupo "Semana Temática" por não ter cumprido o prazo de postagem da fanfic do Desafio, mas prometo que isso não irá se repetir.

Segundo, reforçando o aviso no disclaimer, essa fanfic, apesar do protagonista ser um assassino profissional e o narrador desta estória ser um narrador-observador e opinativo, onde ocorrerá de vários atos controversos do Haizaki serem descritos na perspectiva sentimental, por assim dizer, do personagem, ela não tem nenhuma intenção de incentivar o povo a ser assassino profissional, muito menos a sair matando por aí.

Por último, sobre a música escolhida: reconheço sem problema algum o quanto a letra de "Monster" do EXO é polêmica, entretanto tomei a liberdade de desconstruir todo o conceito desta canção e trabalhar com o "monstro", que é o título desta música em inglês, de forma literal mesmo mais a estética "dark" do instrumental e do M/V (videoclipe) da música.

Avisos dados e boa leitura, minha gente!

Trilha sonora.

Na intacta natureza, de regiões remotas localizadas na América Central, existe uma árvore chamada mancenilheira. Pelos componentes químicos letais presentes em toda a árvore — principalmente na sua seiva e frutos —, quando isolados, serem extremamente voláteis, ou seja, evaporarem muito rápido e sem deixar rastro, os venenos à base desta árvore são cobiçadíssimos no submundo — já que, por motivos óbvios, é proibida a comercialização legal desses venenos. Tanto que há uma tirada inteligente com este fato: “Como saber se um assassino é competente ou não? Simples, é só encomendar para ele um “envenenamento à Leon”. Incompetentes nem sabem do que se trata, competentes perguntam qual subtipo desse envenenamento você prefere e ainda te dá a tabela completa” e o japonês Haizaki Shougo precisamente se encaixava na segunda opção. Afinal, ele era nada menos que o segundo melhor assassino profissional de todo o submundo.

Se Haizaki era a segunda opção, quem era a primeira e maior rival dele? O homem que “ensinou a arte do assassinato” para ele, o próprio “namorado”, também japonês, chamado Nagisa Umikuro, ou simplesmente “O Deus da Morte”. Haizaki era conhecido como “Cinzas de Sangue”, um trocadilho com o kanji do seu sobrenome em japonês (uma contração da palavra haiiro, “cinza” em japonês). Fora o detalhe dos cabelos de Haizaki também serem cinza.

É importante deixar explícito, caros leitores, que psicopatas como eles não amam. O relacionamento, por assim dizer, deles era mais uma troca de favores com benefícios sexuais do que qualquer outra coisa. Explicando, quando Shougo e Nagisa se conheceram em um dos reformatórios mais barra-pesada do Japão, há muitos anos atrás, Haizaki precisava de alguém para transar, que tivesse moradia fixa antes do reformatório para poder ficar quando saísse de lá e que pudesse ensinar alguma coisa que desse dinheiro rápido para ele assim que saísse de lá; Umikuro precisava de alguém para fazer sexo e esperto suficiente para passar todo seu vasto conhecimento de assassinatos e continuar seu “legado” de “Deus da Morte”, caso fosse morto. O destino colocou os dois na mesma solitária e a partir daí não é preciso falar mais nada.

Dia 2 de Julho de 2016, cidade de Xangai, China. Infiltrado em uma das boates mais luxuosas da região, Haizaki estava “a serviço” disfarçado de barman.

Repentinamente as luzes se apagaram, a iluminação foi para o palco e lá entrou a atração principal, o famoso grupo masculino de KPop (música pop sul-coreana) sino-coreano (o grupo possui um integrante chinês entre eles) EXO, cantando e dançando sua música de trabalho mais recente, a polêmica canção sobre amor obsessivo chamada “Monster” (“Monstro”, em inglês).

Distraídos pela música, quando sentiam sede, as pessoas iam para o bar comprar bebida ou pediam para um funcionário servi-los no camarote. Haizaki cuidava justamente do bar do camarote fechado onde seu alvo, um político local poderoso envolvido com pedofilia e tráfico sexual de crianças, estava. Com muito profissionalismo e solicitude, Shougo servia os mais variados coquetéis refinados que o político e seus acompanhantes pediam.

— Tão bonito... ah, se você fosse um pouco mais novo... —, disse o político, após acariciar o rosto do rapaz de cabelos cinza. Haizaki estava se segurando para não dar um tiro no homem. Shougo foi vítima de pedofilia no passado e na primeira oportunidade após sair do reformatório, matou o homem que roubou sua inocência. Era um prazer para ele matar pedófilos, mesmo não sendo a coisa mais correta de se fazer. No final, o “barman” apenas agradeceu o “elogio” e voltou a seus afazeres.

A música estava em seu fim, Haizaki ajustou o celular para ter acesso à mesa de som eletrônica e ao sistema de emissão de fumaça de gelo seco.

“Creeping...”

O grupo terminou a apresentação, era o momento perfeito. Haizaki bateu uma palma no celular que reverberou através das caixas de som e logo em seguida, acionou a fumaça de gelo. Sem deixar nenhum rastro, Shougo fez o que tinha que fazer e voltou os sistemas ao normal.

Dois dias se passaram e Haizaki recebeu uma ligação. Era a voz que contratou o assassino parabenizando-o pelo “serviço impecável”. Afinal, Shougo, sem ninguém perceber, envenenou a bebida do seu alvo e de todos ali presentes, exceto o grupo de KPop e as vítimas do pedófilo, com um poderosíssimo “veneno inteligente” à base de seiva de mancenilheira reconstruída molercularmente, de forma a ser ativada somente quando a frequência sonora de uma palma bem alta ressoasse no ambiente — “presente” de uma amiga de Nagisa, uma excepcional química à serviço do submundo — e ativou a fumaça justamente para a polícia forense concluir que foi um “envenenamento acidental” por algum componente químico do aparelho que soltava fumaça ter vazado e caso ela fosse para a linha de investigação para envenenamento em massa, não haveria como provar, pois como gelo quente aquecido é extremamente volátil, qualquer rastro de veneno já se evaporou ou foi aquecido suficiente para os equipamentos forenses não conseguirem rastrear o material. Além de tudo isso, Haizaki sabia cada ponto cego das câmeras de segurança da boate e como “anular” sua presença, portanto conseguiu praticamente agir como um “fantasma” ali. Só de lembrar de mais de 1000 pessoas — entre o alvo, visitantes da boate e funcionários, estes dois últimos envenenados como “queima de arquivo preventiva” — vomitando sangue até morrer e paralisados por culpa do efeito paralisante do veneno, Shougo deu um peculiar sorriso.

Para o grupo e as vítimas, Haizaki deu um sonífero atordoador, onde estes teriam somente as lembranças da apresentação. Com o grupo, Shougo pegou a roupa de um funcionário da empresa onde eles trabalhavam, passou-se como staff de lá e deixou cada integrante na sua cama, dentro do dormitório. Já as vítimas, Shougo deixou-as semiacordadas com um reversor do sonífero, também criado pela “colega” química, cochichou no ouvido de cada uma delas, pedindo para contar tudo que sabem para a polícia, colocou-as dentro de táxis que mandou-as direto para a delegacia. Os depoimentos destas ajudaram a desmantelar uma das maiores redes de tráfico sexual infantil de toda Ásia.

Na verdade, quem contratou Haizaki foi um inimigo político do pedófilo, cuja filha falecida foi vítima do outro — sequestrada, obrigada a trabalhar como prostituta nas ruas de um lugar remoto em outro país e morta com um tiro na cabeça, pois o cafetão descobriu que a menina, de apenas nove anos de idade, foi infectada com o vírus HIV —, mas era melhor deixar o assassino somente ciente que matou o chefão dos chefões do tráfico internacional de crianças na Ásia.

Dinheiro na conta, sessenta milhões de dólares exatos, devidamente repartido entre si próprio, Nagisa e a mulher, Haizaki convocou um jatinho particular para buscar o “namorado” e a “cumplice” para comemorarem o “feito” em uma balada para ricos e milionários em Ibiza.

Missão dada é missão cumprida.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até a próxima ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!