Mitch mal acreditava no que via...

Não queria acreditar nos seus próprios olhos...

Desejou ser apenas um pesadelo...

Mas a cena era um pesadelo real, Plist com uma xícara manchada de sangue sentado em uma poltrona azul com manchas ainda molhadas vermelhas, a sua frente uma mesa de vidro, com uma faca inteiramente banhada em sangue, o sangue parecia recente.

O chão estava com pegadas vermelhas para todos lados, as paredes com marcas de mãos, grandes e pequenas, como se alguém tivesse lutado ali dentro.

A unica parte arrumada desse comodo era a poltrona onde se encontrava Plist, a mesa de vidro, e um sofá estava o corpo de um menino, parecia ter a idade de Mitch, mas esse menino, com os cabelos pretos cobrindo o rosto, sem camisa, calça jeans, magro a ponto de ver seus ossos, estava morto.

Morto brutalmente por um demônio, as tripas estavam para fora, ainda pingado sangue, embora não desse para ver seu rosto ou pescoço, se via o sangue escorrendo sobre seu peito, parecendo sair da garganta, e suas mãos, não tinham dedos.

Mitch estava enjoado com a imagem e o cheiro do lugar. Olhou para Plist, e depois para o resto da sala, as pegadas, os quadros derrubados e rasgados, o menino morto, para a lareira atras da mesa de vidro e voltou a olhar para Plits que estava terminando de beber o sangue, que era do garoto, olhou para Mitch, sorriu e cruzou as pernas a sua frente, colocou as mãos em cima do joelho e falou calmamente:

— Gostando da cena?

Não respondeu, estava abalado demais para responder qualquer coisa.

O psicopata sorriu amargamente e pegou a faca.

— Então Mitch, quer do jeito fácil ou difícil?

Unica coisa que Mitch pensou foi em correr, então...correu.

Correu até a sala de que viera e percebeu que tinha uma escada que dava para um andar superior. Enquanto subia as escadas ouviu Plist gritar:

— DO JEITO DIFÍCIL ENTÃO?! SE PREPARE PARA SER O RATINHO E EU...A ÁGUIA!! EU SEI CADA CANTO DESSA CASA, NÃO HA ONDE SE ESCONDER.

Mitch estava com o coração acelerado, estava com medo, estava querendo que tudo aquilo acabasse logo, mas continuou a subir as escadas, elas davam a um corredor comprido e escuro, com 4 portas, duas de cada lado, um tapete vermelho sobre o corredor, Mitch correu até a ultima a direita e descobriu que estava trancada, tentou a da esquerda que também estava trancada...

Mitch estava desesperado, queria encontrar um esconderijo, uma saida, tentou a primeira porta da direita, nada, tentou a da esquerda, que para sua surpresa se abriu, com um rangido se abriu, entrou sem ligar para onde dava e quando fechou a porta ouviu seu perseguidor subir as escadas.

Ficou totalmente tenso e tornou a olhar para o lugar onde estava, outro corredor... A casa era maior por dentro... O corredor era escuro e parecia ter certa de 5 metros para mais, iluminado por uma unica tocha no meio do corredor que revelava um tapete meio vinho, e quadros de pessoas, que Mitch não fazia ideia de quem eram, mas tinham uma cara medonha, a falta de luz deixava tudo pior. Andava devagar e com medo de ser descoberto, chegando ao lado da tocha, ele ouve a porta de onde veio se abrindo, paralisado de medo, seu cérebro se forçando para tomar uma decisão rápida. Mitch olha para a tocha e pensa em apaga-la, o que é exatamente o que faz, apaga a tocha, então quase no mesmo segundo, a porta se abre totalmente e se consegue ver a silhueta distante de Plist e em seguida a voz do mesmo:

— Maldito, você não vai escapar, não mesmo, já está me fazendo perder a paciência.

Plist fecha a porta bruscamente, um estrondo enorme ecoa por todo o corredor, Mitch com o coração em sua garganta, ainda processando tudo, resolve sair dali o mais rápido possível, e vai até o final do corredor.

Uma porta de madeira, Mitch tem dificuldade em abrir a porta, devido ao seu peso e parecer que não era aberta a anos, o comodo onde a porta dava tinha um cheiro de mofo insuportável. Incrivelmente foi fácil achar o interruptor, ficava ao lado direito da porta, e esse comodo era muito bem iluminado, mas parecia esquecido, havia muitas caixas de papelão espalhadas de modo aleatório, pilhas de 3 caixas por vários cantos e cheio de teias de aranha, uma caixa em especifico o chamou atenção. Na caixa em questão, havia uma palavra escrito ao lado visível da caixa:

LEMBRANÇAS

Mitch abriu a caixa, ela estava cheia de fotos coloridas e algumas em preto em branco, a maioria era de um homem e uma mulher, algumas tinha uma criança recém nascida junto, e todas elas tinham o céu azul de que tanto ouvira falar, as fotos que mais lhe chamaram atenção foram algumas que tinham uma criatura nelas, um criatura peluda, um pelo dourado, andava em 4 pernas, tinha algo parecido com um rabo dos robôs, só que peludo, essa criatura tinha uma linguá aparecendo e orelhas levantadas, Mitch achou linda essa criatura, ainda mais em uma foto em que ela estava em um campo dourado com algumas estruturas marrons com o topo verde de fundo, e de novo o céu azul. Mitch tentou procurar algo em sua mente que desse uma pista do que eram essas estruturas marrons, e lembrou-se de ouvir algo com uma descrição parecida e com o nome de "Árvore", deduziu que isso seria uma Árvore, achou muito linda essa foto, mas deixou ela la, guardou a caixa e voltou a vasculhar o quarto, então achou um duto de ventilação, que era perfeito para seu tamanho, Mitch era meio baixo, então coube certinho no duto, infelizmente o duto estava coberto de teias.

Quando estava fechando o duto, ouviu a porta desse comodo se abrir bruscamente, quase como se tivessem chutado a porta, ouviu Plist gritar:

— SEI QUE ESTÁ AQUI SEU MERDINHA, APAREÇA PARA QUE EU POSSA ACABAR LOGO COM ISSO, POR FAVOR!!

Mitch andou o mais rápido que pode, e por sorte tinha uma bifurcação a direta perto, que ele virou a tempo, pois viu que a sobra da cabeça dele se projetara para dentro.

Mitch continuou andando no duto, as vezes tinha entrada para outros cômodos, nenhum dele muito iluminado, não sabia quanto tempo ja estava dentro da casa, mas estava morrendo de medo, queria acabar com aquilo, então ele chegou em um lugar que o chamou atenção.

A portinha do duto dava para uma sala muito bem iluminada, uma escrivania no meio e uma cadeira giratória com uma almofada onde se apoia as costas atras dela, e um tapete vermelho forte em baixo da mesa e da cadeira, era tudo que conseguia ver, mas tinha algo em cima da mesa que o deixou muito animado...

Eram um conjunto de chaves.