Notas iniciais
Então galera, só alguns avisos prévios para que vocês não se confundam. Os livros e games que eu citei são de verdade, e recomendo todos. Cidades Universitárias são normalmente muito pequenas, então é normal que cidades como Wilmington esvaziem muuito durante as férias de inverno. Sim, as férias de inverno nos Estados Unidos, principalmente em faculdades, duram em média duas semanas. Agora vamos a historia - Aproveitem o/

27 de dezembro, sábado. Manhã

Melissa já havia zerado as duas primeiras temporadas de The Walking dead – the game desde que as férias de inverno começaram. Já havia relido O diário de Anne Frank e o apanhador no campo de centeio pelo menos duas vezes, e ainda estava no fim da primeira semana do feriado. Apesar de amar livros e se divertir bastante jogando vídeo games, Melissa não aguentava ficar dentro de casa – ela queria muito sair. Mas como ela pretenderia sair? Nevara a semana toda, e estava frio demais para fazer qualquer coisa. Todas as seis meninas de sua fraternidade deveriam estar em suas casas Deus sabe aonde, se divertindo com a família, degustando de champanhe, coisas que pessoas normais fazem quando estão em casa para o natal.

Claro que Melissa não tinha a mesma sorte. Já não via um único membro de sua família desde o verão, seis meses atrás, quando foi visitá-los em Toronto, sua cidade natal. Ela desejava muito poder ter visitado-os, mas não teve escolha.

Ela até tinha planos – três dias antes planejava pegar um avião domestico de Raleigh até Nova York, e de lá um voo até o Canadá. Ela tinha até comprado as passagens, e sabia que seu pai a esperava ansiosamente do outro lado do continente. Mas por causa da tempestade de neve que assolou o Norte dos Estados Unidos alguns dias antes, os aeroportos fecharam por pelo menos uma semana. Se tivesse sorte, talvez conseguisse achar um voo a tempo para passar o ano novo com seus entes queridos.

Mas até lá, Melissa estava presa e completamente sozinha em sua casa compartilhada, com a companhia de apenas seus livros e computador. Passara a véspera do natal no campus da faculdade mesmo, no hall do prédio principal com alguns amigos que também ficaram para as festas, caixas de pizza e vodka com energético. Não era exatamente intima de ninguém por lá, e pelas onze mandou uma mensagem para seu melhor amigo Arthur perguntando se tinha alguma coisa pra fazer. No fim, acabou passando o resto da noite em um bar com o garoto, jogando conversa fora e fazendo amizades com o único barísta do lugar. De longe não era sua programação favorita para uma véspera de natal, mas havia sido bom. No dia seguinte seu pai e irmã ligaram para desejar-lhe feliz natal, e passou o resto da manhã trabalhando no projeto.

Pouco mais além disso acontecera antes do atual momento, e Melissa odiava isso. Ela não suportava o sentimento de minutos e horas desperdiçados e pouco produtivos, mas também não estava com vontade de tirar seu pijama e realmente sair e fazer algo produtivo. Mas se tinha uma coisa que a garota gostaria de não estar sentindo, era solidão. Era a única que havia sobrado na fraternidade, e nenhuma das garotas estaria de volta antes do ano novo. E Melissa não aguentava mais esperar.

Já estava pronta para ligar para Arthur e ver se tinha planos para sua tarde, quando ouviu a campainha tocar, e em seguida o som da chave entrar na fechadura e a porta se abrir.

– Alguém em casa? – Chamou uma voz familiar.

– Amber? – Melissa, que estava sentada no sofá, deu um pulo e tropeçou sobre próprios pés, caindo de costas e derrubando a caneca de chá que estava tomando. Recuperou-se em um instante e foi de encontro com a amiga.

– O-oi! – disse Amber ao abraçar a amiga, que a apertava entusiasmadamente – tudo bom?

– Porque você chegou tão cedo? Achei que ficaria na casa de sua mãe até o ano novo.

Amber puxou sua pequena mala de mão para dentro e colocou um de seus cachos para trás da orelha.

– Minha mãe viajou a trabalho. E eu não queria passar o ano novo sozinha, quando se tem você para passar com. – Melissa sorriu, um pouco tensa. – você vai passar o ano novo aqui... Certo?

– Isso vai depender da neve – Disse Melissa – Mas... A gente pode viajar para Toronto juntas, se você quiser. Se as passagens já tiverem esgotado, podemos pegar a estrada, não são mais do que três dias de viagem, e...

– Não tem importância, M. Não precisa se preocupar comigo. Eu me viro.

– Mas... Ainda há a chance de a neve não baixar até terça e eu não conseguir viajar... Aí passaremos o ano novo juntinhas, comendo uma boa comida chinesa e tomando champanhe..

Amber riu.

– Pode ser. Faça o que achar melhor. Agora me ajuda a levar essa mala até o meu quarto...

Nesse momento, a campainha tocou novamente. Mas dessa vez, não houve o tintilar de uma chave abrindo a fechadura.

– Você pediu pizza, Mel?

– Não... Não sei quem pode ser.

Melissa foi abrir a porta, mas a única coisa que a esperava do lado de fora era o vento cortante de inverno. Ao olhar para baixo, viu algo de incomum – um pequeno envelope branco.

– Quem é? – Perguntou Amber colocando seu casaco no cabideiro próximo ao sofá. – Acho que você derrubou chá aqui Mel, quer que eu limpe?

– Não precisa – Melissa recolheu o pequeno cartão e fechou a porta. – Acho que recebemos uma correspondência.

Abriu o envelope, e retirou um pequeno pedaço de papel, com uma nota escrita em letras garrafadas.

Você foi convocado. Esteja em frente

a fraternidade βϖϴ ao meio dia.

Não havia uma assinatura. Melissa não fazia ideia de quem poderia ser. Mas seu instinto de curiosidade deu-lhe um toque no estomago.

– E então? – perguntou Amber da cozinha, que voltara segurando um pano de chão.

– É um bilhete. – Disse Melissa. – Não diz exatamente quem é. Só diz que devemos encontrar com alguém ao meio dia.

– E você vai ser louca de ir sozinha? – debochou Amber enquanto limpava o chão sujo de chá.

– Claro que não – disse Melissa centrada – você vem comigo.

Amber arqueou uma sobrancelha.

– Você está louca? Nós não sabemos quem é. Pode ser qualquer um, e se for um maníaco?

– Não... Não deve ser algum maníaco. Pode ser Arthur, sabe como ele é misterioso. Quem sabe queira apenas fazer uma pegadinha conosco.

– Se for o caso, ele provavelmente não quer que eu venha.

– Deve sim. Vamos Amber, vai ser legal. Esse suspense todo não lhe atrai?

Amber revirou os olhos.

– ai Melissa... Você é doidinha. Vou me trocar.

Mel sorriu ao ver a amiga subindo até seu quarto. A verdade é que estava um pouco nervosa. Mas a curiosidade e a vontade de sair de casa falavam mais alto. Uma voz bem no fundo dizia que ela não deveria ir.

Mas ela nunca foi de ouvir essa voz.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comente, compartilhe com seus amigos, qualquer coisa, isso ajuda muito na divulgação, me incentiva a escrever mais e me ajuda a ver o que preciso melhorar (lol isso parece um final de video no youtube). Obrigada a todos que estão acompanhando a história, beijos e até terça o/