O casarão no fim da rua

1 Capítulo 1 - Introdução


Fred olhou para seu relógio; 13:45. Henry estava atrasado.Grande novidade, pensou, dando uma tragada em seu cigarro. Ele normalmente não contava, mas aquele dia ele havia fumado pelo menos duas caixas inteiras. Não que fosse sua culpa, é claro: para quem acordara três horas antes, aquele havia sido um dia extremamente exaustivo até o momento. Já não aguentava esperar apoiado a uma arvore na frente de sua fraternidade, vestindo nada mais do que sua jaqueta por cima da jeans de marca e camiseta. A verdade é que Fred estava tremendo de frio. Mas ele odiava casacos; não importa o quão frio estivesse — e acredite, estava frio — ele se recusava a vestir qualquer outra coisa.

– Estava com saudades? — Ouviu alguém chamar do outro lado da rua.

Finalmente. Pensou

– Pensei que havia morrido no meio do caminho — disse Fred.

– Sabemos muito bem que você teria gostado. — O garoto de cabelos castanhos medianos e costeleta veio de encontro com Fred, que riu debochado.

– Você me conhece bem. Trouxe o que pedi?

O garoto tirou um pacote de sua mochila.

– Feliz natal.

Fred pegou o pacote ansiosamente e abriu-o. Observou o conteúdo e guardou em seu bolso. Deixaria sua ansiedade para depois.

– Você um dia vai se dar muito mal por isso, cara. Sabe que um dia nos pegarão. E se me pegarem primeiro, saiba que te arrastarei ao inferno junto comigo.

– No inferno estão os maiores gênios da história da humanidade, meu caro. E é pra lá que eu vou. Agora me siga — Desencostou-se da arvore e fez um sinal com os dedos para que o acompanhasse. — quero lhe mostrar algo.

Seguiram até o fim de Milledge ave. — uma longa rua na qual se encontravam todas as fraternidades da cidade — em silencio. Fred olhou para o amigo Henry, que, apesar de todos os casacos, aparentava estar com muito frio. Patético, pensou. Apesar dos longos dois quilômetros de extensão, a rua não possuía uma continuação. A única coisa se encontrava no final era a entrada do que parecia uma floresta incrivelmente fechada.

Henry arqueou a sobrancelha.

– O que você queria me mostrar, mesmo?

– Venha comigo.

Ele se espremeu por entre os galhos e folhas, até que se tornou impossível para Henry de avistar o amigo.

Sem questionar — apesar de hesitante — ele seguiu Fred, e ambos entraram na floresta.

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Henry se assustou ao abrir os olhos. Não se deparou com uma floresta densa, mas sim com um portão quebrado. Fred não parou de andar, e empurrou o portão para que abrisse. Eles então se depararam com um trilho de trem interrompido pela metade do caminho. Ele estava cercado por uma parede densa de arvores.

Henry estava pasmo.

– Isso deve ser velho pra caralho, cara.

Fred olhou para ele.

– Você não faz ideia.

Seguiram pelo o caminho que o trilho abandonado levava, Henry tomando cuidado para não tropeçar — ele era muito bom nisso.

– Você já esteve aqui antes? — perguntou Henry.

– Algumas vezes.

O trilho continuaria por mais alguns quilômetros, dava para ver, até onde seus olhos não alcançavam. Mas Fred parou no meio do caminho, aonde o trilho fazia uma curva, e olhou para uma parede de árvores aberta por uma pequena clareira que abria caminho para uma trilha.

Fred sorriu.

– Chegamos. — e entrou na trilha.

Não foram necessários mais do que alguns metros de caminhada, para que os dois jovens se deparassem com o destino final.

Henry estava de queixo aberto para o que via.

A sua frente estava o maior casarão do qual já havia visto em toda a sua vida. E ele já havia visto muitos, dado que ele próprio morava em um. Parecia ter sido construído há mais de cem anos. Um letreiro bem no centro da casa apresentava o simbolo VI, número romano para seis. Era, obviamente, uma fraternidade abandonada a muito. Estranho era que nenhuma das fraternidades possuíam um número — todas elas eram batizadas de letras gregas ou romanas. Nunca números.

– E então? — Fred olhou para o amigo, ainda mais pasmo. Fred degustava da reação de Henry e um sorriso brotou em seu rosto.

– É... Incrível. — Henry fitou Fred — Porque esta me mostrando isso?

– Venha comigo — ele disse — porque eu tive uma ideia.

Notas finais
Gostou? Odiou? O que você acredita que precisa ser melhorado? Por favor, deixe seu review, é importante para mim e me incentiva a continuar escrevendo :) Beijos até quinta.