O capitão rubro

4 Capítulo 4 - Forca


Notas iniciais
O título é provisório Esse daí foi maior que os outros, por isso demorou mais pra sair, mas garanto que o próximo sairá em menos tempo. Acho que a descrição da ação nesse capítulo pode ter ficado meio prejudicada pelo seguinte, eu, quando imagino toda a história e tento colocar no papel, saí tudo errado e eu não consigo e começa um bloqueio criativo, já quando eu imagino a história e vou escrevendo ao mesmo tempo da tudo certo, a primeira aconteceu comigo na metade, mas depois voltou ao normal.

Asticcoti localizava-se em uma baía estreita, rodeada por pedras seu mar adjacente era um cemitério de navios, de forma que apenas os de pequenas dimensões conseguiam penetrar na cidade. Seu porto possuía espaço para 20 navios pequenos, muito mais do que o número de navios que aportavam na cidade e totalmente ocupados pelos 6 navios da frota vermelha.
Estendia-se pelas colinas, em um terreno bastante irregular, de forma que, como os moradores disseram a frota vermelha, não havia uma rua verdadeiramente reta em Asticcoti. Logo após a mansão do governador, erguida em uma colina mais elevada, onde eram proibida a construção de outros prédios, descia-se para encontrar a segunda parte da cidade, maior que a metade do outro lado da colina, suas casas eram feitas de madeira e palha, algumas poucas de tijolos, uma vez que não havia preocupação com ataques vindos do mar como na outra metade, onde as casas eram de concreto.
Esta segunda parte atrás da colina era cortada por um rio, uma pequena ponte de madeira podre as separava, o rio poderia ser muito bem uma forma de fuga da cidade, entretanto, como descoberto por um grupo bastante azarado de marinheiros, terminava em uma cachoeira tão alta que, ao olhares para baixo, tinha-se a impressão de estar acima das nuvens.

A cidade tinha poucos terrenos férteis, a maioria foi incendiada durante a guerra e não se recuperou, salva-se uma pequena hora a leste da mansão do governador, de propriedade exclusiva dele e a qual empregava aqueles que tinha afinidade. Todo o alimento da cidade saia de lá e era controlado por Hayisen e seis capachos. Quando ele foi preso, a primeira coisa que o povo fez foi invadir sua fazenda e matar quem estava lá, não pouparam nenhum, 30 mortos em menos de 10 minutos.

— Acho que isso prova o amor do seu povo por você.- Fala Fenton sarcasticamente para Hayisen, agora amarrado no porão do navio.
— E o que você fará agora? Me executará ou me deixará para a multidão furiosa que se forma frente a este navio?
— Humm… — Desenha Fenton.
— Acha que deve substimar a indignação popular? Uma parte de ser líder é lidar com esse tipo de gente, que odeia tudo e se revolta com qualquer coisa. Sabe o que aconteceu com o meu antecessor?
— O que?
— Ele fez um pacto com os Romalenses, deixou eles usarem nossa cidade como uma base militar, deu refúgio a piratas e desertores, tudo em trocs de dinheiro para seus projetos para a cidade, como erguer um segundo rio atrás da cidade, nada disso foi terminado.
— O rio existe mesmo.
— Começaram a construir, mas o meu antecessor desviou todo o dinheiro para um banco de Romália.
Quer saber o resultado? O povo se revoltou, invadiu a mansão, matou seus secretários e tomou suas terras, ele foi forçado a fugir para dentro dos navios, e tentou bombardear a cidade pra recuperar seu "trono", metade da população da cidade morreu nesses ataques, mas os Romalenses foram forçados a fugir. Eu estava lá, me tornei governador geral assim.
— E o império, como reagiu?
— isso aconteceu em 1748, um ano depois um navio imperial atracou no porto, e um oficial entregou uma carta na qual o imperador consagrava-me governador geral de Asticcoti e região.
— E você repetiu tudo que seu antecessor fez, como as colheitas particulares.
— não posso empregar a todos, nas ninguém da administração anterior se manteve, eu democratizei aquelas terras. Não me surpreenderia se a ocupação não fosse uma comemoração pela minha queda.
— Está insinuando que eles ocuparam aquelas terras para tentar fazer uma resistência a mim?
— E o que você fará? Atirará neles?
— Se for necessário. Pois busco vingança apenas contra um homem, aqueles que se colocam em meu caminho para ajudá-lo são cúmplices, trato-os iguais.
— Eles já derrotaram inimigos piores, com mais navios e exércitos maiores, vocês não são nada! Entendeu?! Absolutamente nada!

Um soco é desferido por Fenton contra a cara de Hayisen.

— Sabe uma coisa? Eu tenho muita curiosidade em ver qual será a reação do povo ao saber dos seus acordos com piratas e criminosos, repetindo cada passo do que levou a queda de seu antecessor.
— CRIMINOSOS? É sério isso?! Eles não são criminosos! São heróis! Heróis traídos pelo império! Guerreiros que ajudaram a manter estas terras coloniaqis vivas e livres da ambição estrangeira! O governo virou as costas para eles! Para todos nós! Nunca se importaram com Asticcoti ou qualquer cidade em qualquer uma das ilhas deste arquipélago! Só me consagraram governador por medo da revolta se espalharem e eles perderem seus poderes! Eles são os verdadeiros criminosos! Eu ajudei heróis nacionais a se reerguerem e conseguirem uma vida digna!
— Esses seus "heróis" são assassinos condenados, que incendiaram cidades, assassinaram toda a minha família e a de muitos outros por aí, quando dominavam um lugar, faziam questão de saquear tudo, extorquindo até o último centavo casa comerciantes em seu caminho, de modo que muitos foram obrigados a cometer suicídio pois não conseguiam arcar com as dúvidas criadas por esses próprios "heróis". Sabe uma coisa? Quem está comigo não é por dinheiro ou Glória ou quer coisa superficial assim, buscamos justiça, e não pararemos até tê-la por completo. Jossias será apenas meu grande prêmio.

Fenton acerta um chute em Hayisen antes de voltar a falar.

— Jônia teve sua irmã sequestrada por piratas e nunca mais a viu, provavelmente foi abusada e morta. Já Quawai, esse você provavelmente não conhece, perdeu seu braço em um saque ocorrido a Vunard, sua cidade natal. E eu soube que, um de seus piratas, Len d'la Papira, atacou um pequeno vilarejo, matando todos lá dentro, homens, mulheres e crianças,sem piedade nenhuma.
— La Papira? Hahaha! Ele morreu durante a guerra, mentiram pra você filho, A "vila" era nada mais que um forte militar construído por desertores, levaram suas esposas e filhos, e, no final, incendiaram tudo, mataram suas esposas e filhos e fugiram com todo o ouro das cidades que saquearam, se quiseres justiça, é atrás deles que deveria ir.
— Se me der nomes e a localização de cada um, ninguém sairá vivo. Mas, há assuntos mais urgentes no momento, Jossias está vivo, não só isso, se o que você falou está certo, ele é o homem mais bem protegido dessas ilhas, nem o palácio do vice-rei é tão protegido como o palácio de Grin Kel.
— Sabe qual a semelhança entre vós é meu irmão?
— Qual?
— Quando éramos jovens ele tirou a própria vida, você seguirá pelo mesmo caminho se continuar com esse plano de atacar Balasmon.

Outro chute é desferido contra Hayisen.

— Perdi minha paciência, levarei você a praça.
— E o que fará? Me executará?
— Não, algo muito melhor.

Com isso, retira Hayisen da cabine de capitão e o conduz até a praça da cidade, com a ponta do montante em seu pescoço.
Ao chegar lá, moveu-o até o pequeno palco construído ainda naquela manhã, e amarrou a forca em seu pescoço.
Obviamente tal ação chamou a atenção do povo, que se reuniu ao redor estupefatos.

— Há todos aqui presentes! Há em vossa sociedade piratas e bandidos que se escondem sob a máscara de um cidadão do bem, apoiados por este homem com a corda no pescoço, darei 5 minutos para que eles se revelem, pois sei que estão entre nós. Caso contrário, Hayisen, governador de Asticcoti será enforcado, e eu assumirei o posto. Sem discussão.

Os 5 minutos se passam em grande tensão, a multidão cochichava entre si, a maioria era incompreensível a Fenton, apenas alguns frente ao palco puseram ser ouvidos, de cidadãos apavorados com o futuro da cidade, insinuando guerra e destruição que seriam trazidas pela frota vermelha.
Ao final, assim como havia falado, abre o alçapão abaixo de Hayisen e ele cai, sendo enforcado no processo, entretanto, não morra, mas fica agonizando por aproximadamente 1 minuto, quando um tiro é disparado, e em seguida, a corda rompe-se.

— Parece que o primeiro já se revelou.

O autor do disparo subiu ao palco, sua camiseta, que deveria ser branca, estava marrom, seus calções, metade deles estavam rasgados, usava um chapéu de palha ocultando o rosto queimado pelo sol tropical e as cicatrizes de guerra, as mãos, calejadas pelo trabalho no campo, tremiam de forma que ele mal conseguia segurar a pistola, andou até o palco mancando e fazendo um esforço hercúleo para se manter de pé, ao observar suas pernas, notava-se muitos ferimentos e algumas balas alojadas.

— E então, qual vosso nome? — pergunta Fenton. "Nobre guerreiros" — debocha.
O homem pigarreia algumas vezes antes de responder — Meu nome é Erskine. E já fui um dos piratas mais temidos por essas áreas.
— Estou vendo.... Muito bem Sr Erskine, mande seus companheiros de revelarem, estou com pouca paciência para tamanha enrolação.

Em seguida, 5 homens apontam seus revólveres para Fenton, ao observar, também notou que por cima dos prédios, havia mais 3 homens, desta vez armados com carabinas de 3 canos.

— Muito bem, posso ter sido pego desta vez.
— Espero que isto sirva de lição de que não é bom atrapalhar nossos negócios.
— Certeza absoluta?

Cada homem armado e pronto para atirar em Fenton suou frio, a frota vermelha havia surgido, e estavam com suas carabinas de 7 canos apontadas par cada um deles.
Um silêncio agonizante predominou no ambiente.

— Podem me matar. — Afirmou Fenton. — Mas, no segundo seguinte, cada homem aqui estará no chão, se querem proteger Hayisen, está não é a melhor maneira.
— E quem disse que queremos proteger ele? — Perguntou Erskine, tentando ao máximo controlar sua raiva e não disparar contra o bucho de Fenton.
— Então qual o seu objetivo! Porque não deixam ele morrer? Fará diferença para vocês! A cidade continuará sendo rua refém.

Erskine hesitou, sua confiança havia sido jogada no lixo, por um momento, parecia desesperado, mas, incrivelmente, naquele momento, agiu como um verdadeiro líder e ordenou que seus homens abaixassem as armas. Aos gritos de protesto, deixou bem claro, com um poderoso grito que consumiu toda a força de sua voz, que aquilo não era um pedido.
Fenton entretanto, não coincidiu o ato, assim, cada um dos revoltosos sob o comando de Erskine era agora um refém.

— Acho que podemos resolver isso civilizadamente. — Diz Fenton.
— Não vai nos enforcar? — Pergunta Erskine.
— Não, e isso é uma promessa.
— Mas vós não pronunciou uma palavra sobre fuzilamento ou qualquer outro tipo de execução!
— Vejo que é mais inteligente que seu amigo ajoelhado e tossindo feito um vira lata de rua no frio de Agosto.
— O que queres, Capitão Vermelho?
— É desse jeito que estão me chamando? Não posso negar que é um apelido estiloso. Mas o que quero, e veja bem, é a cabeça do capitão Jossias, e sei de suas associações, a tripulação e os negócios em que ele se envolve, não tente pagar de inocente, sei que está envolvido, seja como subordinado ou fornecedor.
— Fornecedor! O que achas que eu sou? Algum tipo de contrabandista?
— Ainda não tenho certeza, mas julgando pelas cicatrizes e a clara dificuldade de andar ou manusear a arma, indica grandes ferimentos, causados muito provavelmente pela guerra, o fato de ter reunido um grupo de cidadãos armadas com o único intuito de salvar Hayisen da morte certa, e que parece estar sendo planejado a algum tempo, indica que tem negócios com ele, do tipo que seria uma lástima perder e que não poderiam recuperar conosco, e o principal negócio do Sr. Olmark é ceder asilo e reforços militares a piratas e criminosos de guerra em troca de enormes quantias de tesouros. Estou certo?
— És um homem sábio, qual seu nome filho?
— Não interessa, o que interessa é que vocês — ênfase nas palavras a seguir — me darão a localização de Jossias, pois, sei que são parceiros nos negócios, e não confio em Hayisen o suficiente para me arriscar em um ataque a Balasmon.
— Balasmon? Jossias, desde o fim da guerra se tornou um nômade, indo de cidade em cidade, ilha em ilha, sempre sendo perseguido, sempre caçado, não costuma ficar mais de uma semana no mesmo lugar, sai antes que o descubram, Balasmon não parece ser o tipo de lugar que ele iria nem se fosse por 3 dias, sem falar que ele e Grin Kel não dão exatamente amigos.
— Hummm, então parece que o Sr. Governador estava tentando me atrair para uma armadilha não? Muito bem, onde está Jossias se não em Balasmon?
— Não sabemos, como disse, ele é um nomeado que passa os dias fugindo, não temos mais contato com ele.
— Então isso me dá brechas para executa….

Antes que pudesse terminar de falar, Erskine, em um rápido e imperceptível movimento, desarma Fenton jogando seu montante no chão, segura-o pelo pescoço e aponta o revólver para sua cabeça, numa força e velocidade que não imaginava-se encontrar naquele velho moribundo.

—Estava fingindo esse tempo todo?
— Não, mas sabe como é na hora do desespero.
— E então, me matará? — Pergunta Fenton.
— Diferentemente de você, não tenho o costume de poupar meus inimigos para cair em suas mãos no futuro.
— saiba que se fizer isso meus homens matarão cada um dos seus, o que torna essa situação um impasse.
— Será mesmo?

A essas palavras mais uma dezena de homens saíram da multidão, apontando seus rifles para a frota vermelha, a essa altura, parte do povo havia se dispersado e a outra parte escondida em suas casas, observando pela janela o que ocorreria a seguir.

— Lembre-se de que, se não for por pelo diálogo ou pela força da espada, serão pacificados pela política das canhoneiras.

E por ali ficamos em constante tensão, medo e excitação….

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.