Todo dia, todo segundo da minha existência...Tudo é desperdiçado! Ninguém mais sabe como é acordar todo dia e saber que nunca ouvirá um “bom dia” ou um “eu te amo”. E pior ainda é saber que isso durará por toda a eternidade.

E é por isso que faço o que faço...Fui condenada a viver nesse rio para pagar por todas as mortes que causei. Sendo que matei para continuar a viver.

Talvez ter morrido anos atrás fosse melhor do que ter que viver assim...Quero dizer, viver não : Sobreviver.

Agora minha única meta de vida é matar, matar todos os pobres homens que passam aqui até que eu por fim mate um dos descendentes dos meus irmão e me vingue.

Mas isso está longe de acontecer...Depois da morte deles a aldeia inteira se mudou para longe. Ninguém nem mesmo se importou de me avisar para onde, é provável que não me queiram por perto.

Já fazem 500 anos que fui transformada nessa aberração com cauda de peixe, e eu não aguento mais.

Já tentei me afogar, mas é impossível, os outros peixes não me devoram, e sempre que eu abro a boca uma vida chega ao fim.

Ao longo dos anos minha existência foi descoberta, e desde então caçadores sempre vem tentar me encontrar...Mas contra minha vontade eu começo a cantar a mesma música de sempre:

Vem para os braços do canto, pequenino

Sente a água, você não quer beber?

Canta comigo

Nada aqui comigo.

Mergulhe para onde ninguém possa te ver

Sinta a água refrescar o calor

Deixa que te leve para os braços do predador

Vem aqui comigo

Você não quer cantar?

Nade, pequenino

Que essa música está para acabar.

E então a água os leva, não tenho nem mesmo chance de me desculpar...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!