— Desculpe!

— Tudo bem, estão todos cansados! _ o garoto fala, ele tinha os mesmo olhos que Davi _ a gente nem se apresentou

— Acho que não teve oportunidade _ falo dando um leve sorriso

— Sou David _ David tinha olhos castanhos claros, cabelos ondulados e as sobrancelhas cheias, ele era praticamente a cópia do Davi, mas um pouco mais alto.

— Ana Alicia _ falo e ele pega minha mão e puxa para cima, fazendo Ana, que ainda dormia, levantar a cabeça assustada

— li… _ ela expressou a mesma reação assim que acordei e olhei para ele, então resolvi interromper sua confusão

— Ana, esse é David, meu outro irmão

— Prazer Ana _ ele diz pegando na mão dela _, mas temos que descer, já chegamos!

Pegamos nossa mala e saímos do avião, nos deparando com um pôr do sol maravilhoso.

— Que lindo _ Ana diz parando ao meu lado

— É _ concordo encostando minha cabeça na dela

— Já estou indo li _ ela diz com os olhos um pouco marejados _ se cuida

— Não se afaste de mim _ falo olhado em seus olhos

— Nem se eu quisesse _ ela fala apertando minha mão _ a gente marca algo

— Tá bem! Se cuida também _ ela me ergue em abraço apertado.

— Meu táxi está esperando

Ana vai embora e continuo olhando o sol até desaparecer totalmente. Olho para trás e vejo um homem vindo em minha direção.

— Vamos para casa _ ele diz pegando a mala da minha mão _ você tá bem? _ lhe encaro por alguns segundos, enquanto formulo a resposta, mas educada possível para essa pergunta

— Tô — Então vamos Descemos do enorme prédio e entramos em um carro com uma mulher.

— Ana Alicia né?

— Sim

— Aposto que vai adorar o Brasil

— É

— está cansada da viagem?

— Estou

Não queria ser tão rude, mais realmente não estava com disposição de conversar com alguém naquele momento. Só queria deitar na minha cama e dormir por semanas ou anos.

Entramos em um enorme prédio, Miguel morava na cobertura no último andar, pegamos dentro um elevador e logo paramos em frente ao apartamento. O local era extremamente chic com piso e móveis brancos e uma parede de vidro que dava a visão da cidade iluminada.

— Amostra o quarto dela querido _ a mulher alta e extremamente linda que supostamente seja a esposa dele fala tocando em seu ombro

— Vou pedir a Rita

— Acho melhor você mostra _ ela fala tocando na mão dele e dando ênfase no você, ele a olha por breves segundos, mas a mulher não desvia o olhar, enquanto fico olhando para eles como uma boba com minha mala

— Me siga _ sem dizer uma palavra subo as enormes escadas tendo que levantar a mala com um pouco de dificuldade.

Ele olha para trás e sem falar nada, pega a mala da minha mão e caminha pelo corredor, que exalava um cheiro agradável de laranja.

Ele entra na última porta e abre passagem para mim entrar me dando a visão de um quarto totalmente branco, me levando a conclusão que era a única cor daquela casa.

— A Valentina achou melhor você decorar, não sabíamos seu gosto

— Ok _ falo pegando minha mala e colocando em cima da cama

— Você trouxe apenas essa mala?

— Sim

— Por que só trouxe isso?

— É o suficiente _ ele senta na poltrona perto da cama e me encara por segundos até resolver falar

— Sei que você não conhece ninguém aqui, mas quero que se esforce para se familiarizar, não se esqueça que você é a única estranha na casa _ fico olhando por leves segundos predendo as lágrimas que queria sair, nunca derramei uma lágrima por esse homem e não era agora que faria isso, apenas balecai a cabeça _ continuará estudando de casa, suas aulas começam daqui a duas semanas, entendo que não está psicologicamente bem para começar amanhã.

— Obrigada! Será que posso descansar?

— As 10 mando servir sua janta no quarto — Agradeço, mas não quero comer nada

— Você que sabe

Ele sai me deixando só no quarto, deixo as lágrimas caírem e me jogo na cama.

《》

Levanto-me, olho no relógio e vejo que são três da manhã, aqui faz muito calor, era impossível continuar suando daquela forma. Onde eu morava fazia muito frio, talvez, leve alguns dias para eu me acostumar com a temperatura.

Levanto-me e olho em volta do quarto, vejo que tem uma porta que só pode ser do banheiro, abro e meus olhos brilham ao ver o ambiente branco com alguns detalhes preto e rosa.

Entro no box, ligo o chuveiro na temperatura mas baixa e deixo água tomar de conta do meu corpo, diminuindo a tensão que eu estava sentindo. Como não pretendia mais dormir decido hidratar meus cochichos, peguei o xampu e apliquei no cabelo, era de morango, o cheiro doce tomou de conta do lugar, era tão bom que adormeceu meu cérebro.

Depois de um maravilhoso banho, abro minha mala, e vejo que a maioria das roupas que trouxe era do meu irmão, costumava usar escondida dele, lembrar do dia que ele correu atrás de mim por que roubei seu moletom de galáxia me vez ri, então pego ele e visto com minha calça cinza de algodão.

Para não ficar suada novamente, ligo o ar condicionado na temperatura mas baixa, enquanto o quarto gela, decido me arriscar e descer para matar minha sede. Saio do quarto sem calçados, desço as escadas na ponta dos pés e ando pela casa em busca da cozinha.

Não estava tudo escuro, pois a parede de vidro deixava as luzes da cidade entrarem na sala, encontro uma porta em frente às escadas e por minha alegria era a cozinha. Abro a enorme geladeira me deparando com um lugar completamente vazio sem nada.

— Não é possível que um lugar tão chic não tenha nem água _ bufo e fico a encarando sentido minha boca seca fecho a geladeira com tudo e dou um pulo para trás

— Quem é você? _ um menino alto pergunta olhando para mim _ alguma amiga da Vanessa?

— Só vim beber água _ falo mudando de assunto _ mas não tem!

— Tem sim!

— Ta vazia

— A água fica aqui _ ele diz sorrindo apontando para o filtro na porta da geladeira

— Há sim! _ falo tentando não deixar óbvio meu constrangimento e vou atrás de um copo.

Os móveis daquela casa eram enormes, aquelas pessoas eram gigantes, abrir um armário e vi vários copos, me levantei um pouco até ficar nas pontinhas dos pés tentando pegar o copo e quando meus dedos estavam tocando na borda do copo um braço passou por cima da minha cabeça pegando facilmente o copo após mim ter dado a vida para conseguir tocar nele, ele me dá o copo, e sem pensar duas vezes coloco água dentro para em seguida preencher minha boca com um gosto maravilhoso.

— Obrigada!

— De nada, pode falar seu nome agora!

— Ana Alicia

— o meu é Alex _ ele diz pegando o copo da minha mão e enchendo no filtro _ você é amiga da Vanessa?

— Não _ minha barriga ronca alto fazendo o mesmo ri

— tá com fome ?

— não, deve ser sono _ falei a primeira coisa que veio na minha mente

— sono? _ ele ri e se escora na bancada _ desde quando a barriga ronca quando se sente sono? _ ele pergunta com as sobrancelhas erguidas

— Deve ser só por conta da viagem boa noite! _ falo saindo quando sinto uma mão quente tocar meu braço

— se quiser faço um sanduíche para você, para comer

— não precisa se encomendar, só preciso dormir mesmo _ passo pelo mesmo mas acabo tropeçando , fazendo com que ele agarrar-se minha cintura me impedindo de tacar a cara no chão

— boa noite entao! _ ele me encara, me dando a visao de seus olhos escuros _ cuidado para nao cair de novo _ ele solta minha cintura e coloca uma maçã na minha mão subindo as escadas.

Subo as escadas e entro no meu quarto, abro as cortinas brancas, me deparando com uma varanda espaçosa com um sofá enorme, sento nele e olho a vista tinha muitos prédios, uma enorme fonte com luzes coloridas em volta e a imagem de um menino de skate feito em tintas néon, olho para o céu onde tinha poucas estrelas e me lembro do que Davi falou.

《》

Acordo-me, com a luz do sol forte em meu rosto, totalmente molhada de suor, e uma preguiça que me impedia de levantar, continuei ali por alguns minutos até escutar batidas na porta, me levanto e vou em direção a ela

— Você tá bem querida?_ Valentina me pergunta, e percebo preocupação em seus olhos

— sim

— Você comeu algo?

— ainda não, não estou com fome

— Você não come faz horas, tem que se alimentar, não posso permitir que fique sem se alimentar _ olho para meus pés descalços sem saber o que responder _ o almoço está na mesa, estamos lhe esperando

— Realmente...

— Você vai comer, tem que se alimentar, faz horas que não faz isso _ ela pega minha mão e olha em seus olhos _ sei que está sendo muito complicado para você, entendo que no momento talvez você não acredite, mas seu pai e todos nós estamos felizes que esteja aqui, se quiser espero você se arrumar e desço com você

— prefiro ficar no meu quarto, não queria ser chata, mas não seria confortável se juntar a mesa com pessoas que nunca tive contato, espero que entenda!

— sei que passou sua vida toda sem contato com sua família, mas dê uma chance a todos, entendo que é injusto esta lhe pedindo isso, mas não podemos deixar você trancada sem se alimentar, seu pai achou melhor deixar você acalmar seus pensamentos antes de virmos falar com você, mas hoje o mesmo pediu para você se juntar a mesa com seus irmãos, ele pediu para eu falar com você, pois ele saiu cedo para trabalhar

— Tudo bem!

— vou lhe esperar aqui

Entro no banheiro e vou direto para baixo do chuveiro, visto o roupão que tinha na porta do box e vou escovar meus dentes, passo enxaguante bocal e saio do banheiro. Valentina estava sentada na cama mexendo no celular, quando me ver levanta a cabeça.

— Posso pentear seus cabelos?

— Pode sim! _ falo sorrindo

Me sentei em um banquinho em frente para enorme espelho, enquanto ela penteava meu cabelo, entrou no banheiro e saiu com um pote com creme de morango.

Quando ela terminou de finalizar vi o quão lindo ficou.

— Ficou lindo! Acho que essa finalização vai durar uma semana.

— costumava finalizar o cabelo da minha irmã, o cabelo dela era lindo e longo igual o seu, mas quando vim morar com seu pai perdi essa rotina

— quantos anos tem sua irmã

— ela tem vinte seis, e melhor você se vestir, essa barriga precisa comida _ ela fala apertando minha barriga fazendo um sorriso espontâneo sair de meus lábios

Levanto-me pego uma camiseta verde do meu irmão e um short preto com estrelas, dobro as mangas da camiseta e vou para fora do quarto onde Valentina me esperava.

— Você está linda!

Sorrio e sigo ela até uma mesa onde tinha algumas pessoas sentadas

— Oi Ana, dormiu bem? _ David pergunta assim que sento na única cadeira vazia, em frente ao menino que encontrei ontem na cozinha

— dormi

— fiz pão com geleia para você _ uma garota que provavelmente é Vanessa fala com um enorme sorriso _ também tem leite com café e achocolatado

— você que matar a menina? _ um menino perguntou olhando com as sobrancelhas erguidas para Vanessa

— Sem ser chato hoje Lucas _ ela diz empurrando ele _ você gostou? _ ela pergunta enquanto eu levava o copo para minha boca

— É bom! _ e realmente era bom, por mas anormal que pareça, parecia que o gosto invadia minha boca

— Viu _ ela fala dando língua para ele _ sabia que você inhá gostar

— então minha irmãzinha é louca igual isso! _ ele fala tacando a colher na cabeça de Vanessa, fazendo um sorriso aparecer em meu rosto

— Ela é irmã de vocês? _ o menino pergunta com cara surpresa

— Sim! _ ela diz sorrindo para mim _ essa é Ana Alicia — Vanessa fala olhando para mim e o menino _ e esse é o Alex

— A gente já se conhece _ ele diz me olhando — Onde vocês se conhecem _ Lucas pergunta olhando para mim

— eu... _ Alex inha falar, mas é interrompido por Lucas

— quero ouvir minha irmã! _ fala olhando para Alex que solta um sorriso _ onde você conhece ele?

— ele me amostrou onde fica a água

— quando? _ Lucas falou me olhando

— Para de ser chato Lucas deixa ela

— não atrapalha Vanessa, quero ouvir a voz dela

— não você tá sendo chato

— esquece ela _ Lucas fala apontando para Vanesa _ como isso aconteceu, ontem você direto para o quarto, nem a gente viu você

— De madrugada _ Alex fala _ acredita que a irmã de vocês sabia nem que a água ficava na porta da geladeira e não dentro

— não deu para mostra a casa a ela, ela tava cansada, papai pediu para deixar ela dormir _ Vanessa fala levado a mistura que tinha no prato dela para boca

— aconselho não ficar perto dos amigos do David são iguais ele

— Lucas, conheço o seu papo, é assim que você começar _ Valentina fala com a sobrancelha erguida, enquanto passa a geleia no pão

— exato, o Lucas é um chato, ele sempre tem ciúme exagerado, só porque a gente dividiu espaço na barriga da mamãe e ele foi o primeiro a nascer

— sorte sua que tem aniversário só seu Alicia _ David fala com a boca cheia

— David olha os modos _ Valentina fala empurrando ele de leve e o mesmo ri

— Vocês são trigêmeos?

— Como você não sabe que eles são trigêmeos?_ Alex pergunta, e só aí percebo que não falei só no pensamento _ pensando bem nunca ouvi falar dela aqui, por quê? Se vocês chegaram aqui quando tinha dois anos, e ela nunca veio para cá, não que me lembro

Todos na mesa se entre olharam até Valentina resolver falar

— Ela morava na Espanha com o irmão dela, meio que é um assunto delicado, por conta da rotina e dos estudos nunca pode vir para o Brasil, mas com o ocorrido ela teve que abandonar a rotina corrida e ficará com a gente _ Valentina fala, fico olhando para ela por alguns segundos até ser interrompida por uma moça de uniforme cinza.

— Alex sua namorada está lhe esperando lá fora _ ele se despede de todos, pega uma mochila

— foi legal conhecer você _ ele diz olhando para mim e sai

Quando ele sai o clima ainda continua até Vanessa falar

— Sabíamos que você existia, mas papai nunca deixou a gente e ver você, falávamos com Davi por chamada de vídeo, mas papai não deixava a gente ver você, para não nos apegar _ Valentina diz com os olhos marejados

— Davi parou de dar notícia sobre você quando ele brigou com nosso pai por quê... Ele queria trazer você e o pai não quis, a gente tinha 8 anos quando paramos e receber notícia de você

Lágrimas escorriam em meu rosto, sabia que Davi tinha tentado vir para cá, ele era maravilhoso, mas agora perdi ele, nunca mais teria o seu abraço de volta.

— ei não chora _ Lucas fala se levantando da cadeira e me abraçando _ sei o quanto Davi era importante para você e quanto está doendo, mas eu vou sempre te defender

— vamos está sempre com você... sei que papai gosta de você _ Vanessa fala segurando minha mão

— Seu pai gosta muito de você querida _ Vanessa fala com os olhos marejados

— Nosso pai te ama, sei que tem um motivo pelo que ele fez _ David diz

Sei que eles não dizem por mal, é o pai deles sempre esteve presente, e eles amam ele, mas pelo modo como ele me tratou sei que não gota de mim e por, mas triste que pareça não consigo sentir esse momento nada por ele, não consigo sentir nem raiva desse homem que diz ser meu pai.

Lucas ainda me abraça, abraço dele era reconfortante, quentinho, lembrou o dia em que abracei meu Davi pela última vez

— Desculpe! Mas meu pai já se foi dias atrás _ falo apertando, mas Lucas em meus braços, que retribui o gesto

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.