Depois de outra noite juntos, era seu calmo suspiro que me despertava junto aos primeiros raios de Sol. Eu permanecia na cama, por segundos, admirando a beleza alheia. Aquelas leves loiras ondulações assanhadas, cada traço delicado, nariz afinado, e a pele tão alva e intocada.

Limpei o canto de sua boca, ainda sujo pelo resto do nosso jantar. Tão pequeno, inocente, eu desejava protegê-lo de exatamente tudo, pois bem conhecia como o mundo era mal.

No entanto, quando aqueles olhos certeiros despertaram, sorrindo após proferir um belo bom dia, permanecendo ali, analisando-me de forma certeira e determinada. Em momentos assim, eu sempre levantava pelas implacáveis lembranças que retornavam a minha mente na mesma velocidade que uma volta na montanha russa. Suspirando pesadamente, ainda permaneci sentado na cama, afogando o meu rosto contra as minhas próprias mãos.

A intensidade daquele olhar sempre a relembrava. O corte semelhante de cabelo, o doce toque e aquela coragem que nem as chamas alaranjadas pela inglesa crueldade conseguiram abalar. Recordo que desesperado, depois que terminei de cruzar a multidão, ela permaneceu me olhando, sem lágrimas, até que seus olhos se fecharam para sempre e a bela alma foi acolhida pelo vento, em cinzas.

Extremamente aflito e destruído por aquela cena em praça pública, restava-me admirar sua fé. Eu já não tinha aquela estranha força para lutar quando relembrava o seu sorriso... No fim, acredito que lutei demais com as atrocidades cotidianas, esquecendo-me de proteger aquela adorável guerreira que tanto prezava.

O pequeno me envolveu pelas costas, talvez por notar meus olhos marejados pelas tristes recordações. Eu sorri, acolhendo-o em meus braços e cerrando meus olhos, molhando a nossa cama com minhas lágrimas involuntárias, retribuindo o magnifico e caloroso abraço.

Como desejava abraça-la outra vez e poder assegurar que tudo iria terminar bem. Convertendo o peculiar sentimento, limpei as gotículas com o dorso de minha mão, convidando-o para a primeira refeição. Agora, ele era importante, e jamais aceitaria nenhuma luta e nem o deixaria em perigo. Temia que fosse capturado e alguém o transformasse em uma parte dolorida do meu coração como ela sempre será.

- Não chore, Fran. – Ele pediu de forma manhosa, aparentemente minha evidente tristeza o contaminava.

Maleando a cabeça negativamente, eu sorri, afagando seus cabelos como costumava motivá-la.

- Não choro por tristeza, e sim, pois estou feliz por te amar, Canadá.

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