O bilhete

11 Capítulo 5


Notas iniciais
Eu não sei por que ou como, mas o quinto cap não apareceu (eu tenho certeza de que o postei). Peço mil desculpas por isso, então, aqui vai ele. Ocorre logo depois dos marotos encontrarem o bilhete e lançarem suas teorias sobre quem poderia ser o autor.

As rondas costumavam ser agradáveis. Evans sempre lhe contava algumas histórias sobre o mundo trouxa, que realmente o fascinavam (os trouxas eram estranhos) enquanto ele, James, contava piadas ou casos engraçados que aconteceram com ele. Esses casos sempre envolviam os outros marotos.

Não estava sendo assim naquela noite. Após um jantar muito longo, ouvindo mais hipóteses sobre quem poderia ser a garota do bilhete e como ela tinha chegado ao caderno de James, ele agradeceu quando acabou. Remus tinha sido todo estranho, mencionando uma tal de Lois Lane e Linda Parker as quais ninguém nunca ouvira falar. Só Moony, aparentemente, pois ele tinha rido muito. O rapaz não era normal.

Enfim, Evans estava estranha aquela noite. Ela mal olhara para ele, mantendo toda sua atenção nos cantos dos corredores de Hogwarts. Tuuudo bem. Ele não reclamaria. Até perguntara se estava tudo bem, mas a garota apenas corara. Isso era muito estranho. Estranho é que ele já tinha usado essa palavra quatro vezes agora, mas não era culpa dele se tudo estava estranho mesmo. Olha lá, a quinta vez.

Por favor, James pediu, que ela não esteja assim por causa do Bones. Ele não sabia se aguentaria isso. Deveria se jogar da Torre de Astronomia caso acontecesse. Deixaria um bilhete para a mãe, dando-lhe Sirius como filho substituto e tudo ficaria bem. Ele revirou os olhos, os lábios repuxando em um sorriso. Que drama. Talvez ele estivesse mesmo choramingando como uma garotinha. Bem, ele não se jogaria da Torre de Astronomia, mas talvez ele acertasse Bones com um balaço no último jogo, mesmo que James fosse artilheiro e não rebatedor. Detalhes.

_James, você está ouvindo?

Ele parou, vendo a pose alerta dela. James riu baixinho, olhando para onde deveria estar um dos armários no final do corredor. As pessoas deveriam saber que ele notaria a falta de um armário de vassouras. Alguém tinha jogado um feitiço de invisibilidade no objeto.

Dito e feito, após Evans reverter o feitiço, eles encontraram Frank e Alice num estado pouco apresentável. James observou Evans evitar os olhos da amiga, mas ele conseguia ver o sorriso discreto nos lábios da ruiva. Após mandar o casal para os dormitórios, James fez menção de seguir em frente, mas sua companheira não estava fazendo o mesmo. Ela olhava para o interior do armário com relativo interesse.

_Evans?

O que havia lá dentro, afinal? Ele se aproximou, mas não tinha nada.

_Como eles couberam aí? Mal dá para uma pessoa.

James riu, vendo-a arregalar os olhos. Aparentemente, senhorita Evans nunca tinha experimentado um armário de vassouras. Claro, como se ele esperasse outra coisa da senhorita responsabilidade e perfeição.

_Acho que essa é a intenção.

_Eu tenho certeza que...

Antes que James pudesse ouvir o resto da frase, Evans tinha entrado no armário e o puxado junto. O lugar era realmente pequeno e eles estavam perigosamente perto. Tão perto que as respirações se misturavam, formando uma só. Seus corpos chegavam a se tocar e um arrepio o percorreu.

_Exatamente como pensei. Eu não sei como alguém conseguiria ficar em um lugar pequeno como esse.

Ele queria prestar atenção no que ela dizia, mas seus olhos estavam pregados nos olhos dela. Depois desceram para a boca, para o decote e voltaram para a boca. Não ficaria muito bem se ele fosse pego olhando para o decote dela. Algo lhe dizia que azarações podiam vir dali. Ela não tinha percebido a proximidade deles?

_James, o que...?

Sim, ela finalmente percebera. James esperou que ela se afastasse, até com repulsa nos olhos, tirando-o desse doce tormento. Mas não. Não foi isso o que ela fez. Lily Evans fez algo que chocou James como nunca ninguém havia feito antes. Ela se aproximou.

Foi um pequeno passo, discreto, mas ele notou. Ele notou também a respiração acelerada, o batimento frenético e os olhos turvos. O que estava acontecendo com ela? Se ele fosse objetivo, diria que ela o desejava. Mas aquela era Lily Evans, ela não o desejava. A mente distorcida dele devia estar pregando peças. Talvez, nesse exato momento, a ruiva estivesse para bater em seu rosto. Era melhor ficar esperto.

Os olhos dela se fixaram em um ponto e James viu, engolindo em seco, que ela olhava para a sua boca. Não de qualquer jeito, mas como se estivesse com sede. Ele não poderia resistir se ela continuasse agindo assim. Ele não sabia como se comportar com essa Lily Evans. Ela tinha de voltar ao normal agora ou ele não se responsabilizaria pelos seus atos.

As mãos dela encostaram-se ao peito dele. Ela lambeu os lábios.

Era o máximo que ele poderia suportar. Com um gemido, James se aproximou ainda mais, enlaçando a cintura dela.

_Lily... – ele falou, sussurrou ou cantou.

Ele só conseguia pensar em uma coisa, tocar os lábios dela. E foi o que fez, mas de forma tão intensa e apaixonada que não poderia ser classificado como um mero toque. No entanto, infelizmente, alguém se aproximava. James pulou para fora do armário, arrastando uma ruiva de aparência bêbada consigo.

Quem chegava era Filch. James sabia que parecia louco, suas mãos correndo desenfreadas pelo seu cabelo. Ele quis seguir Lily, mas Filch o impediu, guiando-o para longe dela (aparentemente havia alguns infratores no outro corredor). Mesmo brigando com os adolescentes hormonais, James estava com a mente longe dali. Ele só conseguia pensar que esteve com os seus lábios nos de Lily Evans. E que os dela eram muito, muito macios.

Notas finais
Linda Parker é a namorada do terceiro Flash, o Wally. Os lábios da Lily são macios, os meus também... James, venha me beijar! :O
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!