Amélia passa horas chorando,

Ela passa horas pensando,

E de novo chorando,

Lá se foram as horas... Voando.

***

Ela passa um batom ali,

Um rímel aqui,

E ela se olha... E chora,

E refaz tudo de novo e se olha,

Amélia se toca, se sente e não chora.

***

Amélia tem uma festa,

Tem o preto e o dourado,

Veste o preto e rasga o dourado,

Lança o perfume e caminha para o carro.

***

Todos os olhares estão voltados a ela,

Todos os olhares desejam Amélia,

Mas não são esses olhos que ela procura,

E sim, aqueles verdes olhos sem ternura.

***

Está lá o demônio desalmado,

Sua beleza é exuberante que até engana,

Lobo na pele de cordeiro pronto para devorar a jovem cigana,

Nem sabe o tolo que de longe Amélia planeja sua vingança.

***

O sedutor e fisgado pelo olhar faminto dela.

O sedutor e coagido a não resistir ao perfume de Amélia,

O sedutor, caí na arapuca da fera,

A fera ferida, que de todas é a mais bela.

***

Amélia escolheu a mais bela taça,

Da adega... O vinho da melhor safra,

E dos venenos... O da naja,

Maldito molestador... SUFOCA!

***

O beijo vermelho de Amélia,

Marca os lábios mortos de Fábio,

O sedutor que nunca mais fará mulher nenhuma de...

Amélia.

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