O beijo do anjo imortal

3 Capítulo III. Promessa


Quando despertei eu estava sozinha, se eu não tivesse as lembranças da noite anterior, os lençóis no leito revelavam que alguém de aroma aprazível esteve naquele aposento.

As vozes invisíveis realizavam todos os meus desejos de maneira incansável, vesti-me com um vestido branco que caía em minhas pernas em camadas suaves trazia delicadeza e conforto.

Numa apreciação a beleza do lugar eu frequentava o bonito jardim, um instrumento de corda trazia aos meus ouvidos um conjunto harmônico de acordes, dancei ao vento com o vestido esvoaçante.

Convicta que aquela criatura não poderia ser ruim quando a noite se aproximava eu me preparava para recebê-lo.

Os meus dias no palácio se tornaram solitários, os ajudantes invisíveis não mantinham um diálogo, eu pedia e era atendida, gastava meu tempo livre de diferentes maneiras, passeava no jardim, colhia as flores, me banhava no riacho, apanhava frutas, lia um livro, ouvia música e as cantava.

Depois de algumas noites em seus braços eu me sentia cada vez mais apaixonada pelo meu marido, quando eu acordava, ele já havia desaparecido, eu ficava suspirosa pelos nossos encontros noturnos.

Em completa escuridão eu recebia a sua visita ardente que me incendiava completamente, eu escutava a sua irresistível voz me dizer as mais belas palavras de amor.

No imenso palácio não havia mais medo ou conflitos dos sentimentos, existia apenas felicidade e muito amor.

Sobre o seu corpo eu perguntei.

— Os nossos encontros sempre vão ser assim?

Suas mãos repousadas em minhas costas me afagaram numa caricia íntima.

— Para o bem do nosso amor por nenhuma razão você poderá ver o meu rosto, se isso chegar a acontecer nós teremos que nos separar para sempre.

Diante do meu silêncio ele continuou.

— Prometa-me que você nunca tentara ver o meu rosto.

Eu soube, mesmo sem vê-lo, que ele não era nenhum monstro ou qualquer outra forma terrível de criatura, ali estava apenas o meu amado marido pelo qual eu esperei de maneira inconsciente encontrar o meu único amor.

— Eu prometo.

Fui arrebatada por um beijo de amor e mais uma vez fui envolvida por aquele sentimento.

Assim passaram-se os dias.

No imenso castelo não havia mais vestígios da solidão o que eu sentia era amor, o mais puro sentimento. o rosto oculto não fazia eu amá-lo menos eu estava determinada a cumprir a minha promessa.