O beijo do anjo imortal
5 Capítulo V. Sementes da dúvida
Protegido pela escuridão o meu amor envolvia-me com ternas carícias, eu me sentia protegida em seus braços quentes, eu estava feliz como nunca ousei ser, eu tinha tudo que desejava. Todavia, nada se comparava a minha felicidade de ter ao meu lado um marido amável que soube encontrar o caminho do meu coração, entretanto com o passar do tempo, angustiava-me pensar que a minha família acreditava que eu tinha tido um destino trágico.
Naquela noite, eu pedi a ele que me deixasse ir ao encontro da minha família.
Meu marido resistiu.
— Ir ao encontro da sua família poderá trazer acontecimentos terríveis.
Ele não entendia que eu só queria vê-los, a saudade crescente me afligia o seio.
Na noite seguinte eu insisti no pedido.
— Se ao menos eu pudesse ver as minhas irmãs…
Mais uma vez ele demonstrou resistência e pediu-me um dia de resposta, eu mal conseguia conter a minha ansiedade mais como uma impecável princesa, eu ocultei muito bem, mesmo contrariado ele concordou, pois, estaria longe durante o dia, no entanto, pediu-me para ter confiança em nosso amor.
Pela brisa da montanha Zéfiro trouxe as minhas irmãs ao Palácio, eu mandei preparar um banquete digno de rainha para recebê-las.
Ao atravessarem o bosque eu as recepcionei na entrada.
— Oh! Minha irmã que destino trágico a esperava. – Opala lamentou.
— Nós ficamos penalizadas diante da sua sorte. –Fedra demonstrou pesar.
Contei-lhes que estava mais feliz do que nunca.
Ambas ficaram admiradas ao escutarem as minhas palavras.
Nada poderia estar mais perfeito do que estava.
Eu havia encontrado o amor e era correspondida na mesma intensidade que amava.
Ao olharem em volta, Fedra me perguntou.
— De quem é esse Palácio deslumbrante?
Completamente regozijada eu lhes contei a verdade, aquele era o meu Palácio.
— É maravilhoso! E onde está o seu esposo? Questionou Opala.
Confessei jamais o ter visto nem a outro ser, desde a minha chegada aquele lugar encantado.
— Deve ser tão monstruoso que não tem coragem de aparecer.
— Psiquê se o seu marido for um monstro cedo ou tarde ele irá matá-la.
Eu tinha certeza que o meu esposo não era nenhuma criatura perversa, onde há amor não poderia ter tamanha maldade.
As garanti que eu estava absolutamente feliz com a vida que eu levava não precisava de nada tudo o que eu possuía me era suficiente. Elas demonstraram alegria em saber da minha felicidade e me garantiram que voltariam para me visitar.
À noite o mesmo ritual dos dias anteriores aconteceu no quarto escuro, o toque familiar, o êxtase total e finalmente a sua partida precoce.
As minhas irmãs apareciam com certa frequência e ambas ainda demonstravam preocupação devido à circunstância peculiar da minha união.
— Você pode estar casada com uma serpente que deve estar à espera do momento certo para lhe devorar.
— Não tem medo de ter que dormir todas as noites ao lado de uma criatura monstruosa?
Apesar de garantir a elas que o meu marido não era nenhum monstro, eu não poderia negar que havia perguntas em minha cabeça ausentes de respostas e a cada visita uma nova dúvida era implantada, como eu poderia ter tanta certeza sobre quem dormia ao meu lado não era uma serpente? Afinal o oráculo de Apolo previra que ele seria um monstro e se esse monstro me matasse um dia? A desconfiança me preenchia o coração.
— À noite, quando este adormecer, pegue uma lamparina juntamente com uma faca, use a lamparina para iluminar o rosto, se ele for realmente um monstro mate-o com a faca e fuja com os seus tesouros.
Os tesouros não me importavam, mas a imagem do homem se realmente era um, roubava-me os pensamentos.
Embora eu estivesse completamente feliz desfrutando da minha vida de casada vivendo como uma rainha, rodeada de todo luxo de que eu precisava e com um marido amoroso que me encontrava apenas no escuro, algo insistia em me incomodar.
Eu resistir aos conselhos das minhas irmãs o quanto pude, entretanto, o medo retornou junto com o efeito das suas palavras, era preciso agir não conseguia mais suportar aquelas emoções conflitantes, a confiança familiar juntamente com a curiosidade tornavam-se mais fortes.
Fale com o autor