O beijo do anjo imortal

1 Capítulo I. As filhas do Rei


Notas iniciais
Resolvi postar aqui também. apreciem.

Em um tempo em que se acreditava que os Deuses do Olimpo desciam do monte para andar entre os homens havia na Grécia um Rei de nome Mileto que tinha três filhas. Todos diziam que elas eram belíssimas, mas a beleza da mais nova não daria para descrever em palavras.

Sua fama era tão grande que alcançou reinos distantes, a beleza extraordinária trazia inúmeros peregrinos abastecidos de presentes que vinham para comprovar a veracidade do relato.

Através da minha janela eu observava as pessoas que afluem ao lugar vindo em romaria de outros reinos para prestigiar as filhas do rei Mileto, muitos se deixavam ficar pela cidade.

Eu me sentia alegre prestes a sair do castelo, posicionei a longa trança que prendia os fios na lateral do meu corpo, respirei profundamente e caminhei com candura até o salão principal. Na presença das minhas irmãs Opala e Fedra nos unimos ao cortejo que nos levaria para fora dos portões do castelo, pelas ruas de Mileto eram entoados músicas e poemas escritos com o meu nome.

“És tão bela

Linda Psiquê

Tão formosa como a primavera

Entre todas as mulheres

És mais bela que a própria Afrodite”.

O reino estava em celebração, os olhares de admiração deslumbrada nos seguiam onde quer que nós íamos, o rei já estava à procura de casamento para as filhas.

Agradava-lhe muito que os nobres das terras distantes tenham vindo para nos ver. O rei queria casar suas belas filhas e isso não era segredo para ninguém.

Não foi difícil arrumar bons pretendentes para as minhas irmãs ambas conquistaram afeições aos olhos de dois nobres herdeiros, após o casamento, elas foram morar em seus grandiosos palácios.

No entanto comigo a história foi diferente, os homens que se aproximavam sentiam-se repelidos e sequer ousavam me pedir em casamento.

Um pretendente do Reino do Sul disse-me que os homens não se atreveriam a desposar uma princesa com beleza divina. Sentia-me reconfortada por não ser apreciada, pois nenhum pretendente atraia a minha atenção.

Durante a maior parte do dia eu gostava de ficar nos jardins numa distração agradável na colheita de flores.

Ao cheirar o perfume das flores fui invadida por sentimento afetivo e inexplicável que me trazia uma sensação de paz tão grande em minha solidão voluntária. Completamente feliz eu fiz uma coroa de flores para a minha cabeça.

Na presença do rei eu descobri que o meu distanciamento e silêncio trouxeram preocupações a cabeça dele. O meu pai decidiu ir procurar o oráculo de Apolo, e com toda a obediência e resiliência eu aceitei sua determinação.

Fomos até o intermediário em busca de uma solução para as preocupações do rei.

—Sua filha não se casara com um mortal, mas com um ser alado e perverso que se compraza em ferir os homens e os próprios Deuses, a princesa deverá ser vestida em trajes de núpcias para ser conduzida até o alto de uma colina, onde a criatura irá desposá-la.

Todos ficaram desolados diante da tão terrível revelação.

A resposta não poderia ter sido pior do que realmente foi os meus olhos se encheram de lágrimas que desciam livres, uma aflição desesperadora tomava conta do meu ser.

Os braços maternais da minha mãe me amparavam na minha angústia. Meu destino infeliz e trágico já tinha sido selado.

De volta ao castelo o rei se afastou de todos com um olhar melancólico se recolheu em seus aposentos. Eu estava disposta a aceitar o meu funesto destino quando o rei ainda temeroso voltou atrás na sua decisão, pediu-me para fugir e ir o mais longe que eu pudesse do reino para que eu não fosse desposada por uma criatura terrível.

A esperança de dias melhores retornou ao meu coração, uma fuga era tudo o que eu precisava, a oportunidade de recomeçar em outro lugar me foi estendida e eu não a desperdiçaria.