O beijo
1 Nós temos a discussão mais ridícula da história
Notas iniciais
Annabeth e eu estávamos em uma louca pegação no meu antigo quarto do apartamento da minha mãe em Nova York e bem, vocês sabem, as coisas começaram a ficar alarmantes dentro do meu jeans. Eu parei de beijá-la de repente e ela me deu um olhar confuso que podia ser traduzido facilmente por “o que aconteceu?”.
Respondi.
— Preciso beber um pouco de água — o que significava algo do tipo: Preciso sair de perto de você antes que você descubra o que está acontecendo dentro das minhas calças.
Annabeth entendeu o que estava acontecendo antes mesmo de eu alcançar a porta do quarto.
— Você sabe que isso vai acontecer cedo ou tarde, nós não precisamos ter medo disso. Para casais da nossa idade isso é bem normal — ela falou.
Eu fechei meus olhos e suspirei. Às vezes eu odiava como Annabeth me lia tão bem, acreditem, isso era bem desfavorável em alguns momentos.
— Me desculpa, não é que eu esteja com medo disso. É só que… eu nunca fiz isso antes e eu odiaria se esse momento fosse decepcionante pra você.
Eu me escorei no portal da porta e cruzei os braços.
— E você acha que eu tenho algum tipo de experiência nisso? Deuses, Percy, você foi o primeiro cara que eu beijei na vida. Não é como se eu tivesse muito tempo de sobra pra engrenar namoros ou algo assim.
A informação me pegou de surpresa. Digo, Annabeth sempre foi muito bonita.
— Sério? Eu fui o primeiro cara quem você beijou? Mas você beijou alguém além de mim, certo? — eu perguntei.
Ela sorriu pra mim.
— Não. Você foi o primeiro e único.
Eu engoli em seco quando eu vi a curiosidade surgir em seus olhos e foi naquele momento que as coisas desandaram.
Eu lembrei de uma conversa que tive com Quíron, ele havia dito que Annabeth às vezes tendia a ser um pouco possessiva com as suas amizades.
— E você, Percy Jackson, teve a chance de beijar outras garotas além de mim? — seu tom de voz era o mais inocente possível e seu sorriso era meigo.
Eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas e isso me entregou mais rápido do que se eu tivesse dito sim. O sorriso de Annabeth derreteu e sua expressão me fez entrar em modo alerta.
— Bem, isso não me surpreende. Mas eu gostaria de saber quem você beijou — Apesar de ela parecer calma, seus braços estavam cruzados acima do peito o que geralmente era um mau sinal.
Eu pensei em mudar de assunto e deixar ela montar suas teorias, mas isso só ia piorar as coisas. Então eu tentei direcionar suas estratégias para o caminho verdadeiro e não perigoso.
Afinal, namorar uma estrategista tinha lá suas vantagens.
— Por quê importa saber quem? Aconteceu antes de começarmos a namorar — eu dei de ombros e me esquivei para a cozinha, mas ela me seguiu.
— Até onde eu sei, antes da oficialização do nosso namoro o nome de duas garotas te deixava bem nervoso, Calypso e Rachel — ela acertou na mosca.
Namorar uma estrategista tinha suas desvantagens também.
Eu comecei a ficar tenso. Era hora de parar.
— Por favor, deixa isso pra lá. Isso não importa agora. — Eu tentei, mas quando a olhei vi que ela não ia parar até descobrir.
— Se eu tivesse que chutar, diria que foi Calypso, às vezes eu ainda sinto você nervoso perto dela. Eu pensava que era porque você se sentia culpado-
Eu peguei uma garrafa de água e virei o líquido garganta abaixo tentando evitar contato visual com ela, mas bastou um nanosegundo pra ela achar a resposta nos meu olhos.
— Foi a Rachel — ela sussurrou incrédula.
— Pra deixar claro, ela me beijou.
Eu acho que vocês são familiarizados com os x-men o suficiente pra recordar de uma personagem. Então, vocês lembram da Tempestade? Aquela que quando começava a ativar seus poderes ficava com os olhos brancos, raios começavam a cair a sua volta, barulhos de trovões rugiam ao redor de todos enquanto ela levitava. Pela expressão da minha namorada, se ela pudesse provavelmente faria o mesmo.
— Isso aconteceu antes, depois ou dentro do labirinto? -Annabeth disse em uma voz controlada.
Todos os meus instintos gritavam fuja! Agora!
Mas eu tentei me manter calmo por fora.
— Essa discussão não tem sentido, Annabeth, nada disso importa agora.
— Dentro do labirinto é a possibilidade mais provável — ela não parecia estar falando diretamente comigo, era mais uma espécie de conversa interna escapando de sua cabeça.
— Espera. O quê? Qual é, todos nós estávamos ocupados e aterrorizados demais pra pensar nisso — Eu estava tão preocupado em me defender que eu não percebi que estava apenas encurtando as alternativas dela.
— Antes ou Depois, então.
— Sério? Nós realmente vamos discutir sobre isso agora?
Eu tentei fazer descaso, pois eu tinha entendido onde ela queria chegar, mas Annabeth me dava o mesmo olhar determinado quando lhe era apresentado algum desafio. Sabia que eu teria que falar a verdade de qualquer forma, não adiantava o quanto eu enrolasse ou fugisse.
— Depois — eu soltei.
Seus olhos escureceram.
— Então vocês se beijaram depois do nosso primeiro beijo? — ela fez a pergunta em tom de afirmação.
— Primeiro: isso não tem importância agora e Segundo: as coisas naquela época eram muito confusas, porque você parecia confusa sobre seus senti-
— Eu estava tão confusa que eu beijei você! — ela me interrompeu.
— Porquê você pensou que eu era o cara da última linha da sua profecia, mas eu não era — eu disse.
— Você realmente acha que foi só por isso que eu beijei você? Antes mesmo de nós entrarmos na droga do labirinto eu estava tentando fazer você perceber que eu gostava de você! — seu tom aumentou algumas oitavas.
— E quando você voltou daquela droga de ilha, você simplesmente colocou a Rachel entre nós.
— Nós precisávamos dela para achar a oficina — eu rebati no mesmo tom.
— Eu não estava falando disso, ela nos ajudou e poderia ter sido apenas isso. Eu te mostro como eu me sinto e um tempo depois você beija outra garota e cogita sair de férias com ela — ela gritou a última parte.
Aquela era uma briga inútil, mas assim como Annabeth eu tinha o gênio forte.
— Depois da batalha do labirinto eu não podia dizer oi que parecia que você ia me transpassar com a sua adaga — eu rebati mais uma vez.
— Porque você fingiu que nada aconteceu. Porquê você é um lerdo — ela acusou.
A porta do apartamento se abriu e minha mãe surgiu na cozinha preocupada.
— O que está havendo? — minha mãe perguntou.
Paul surgiu atrás dela com minha irmã no colo e uma sacola de mercado em um dos braços.
— Percy beijou Rachel — Annabeth apontou pra mim com raiva.
Minha mãe me olhou espantada e eu me adiantei.
— Isso aconteceu antes de nós começarmos a namorar. E foi ela quem me beijou.
Minha mãe pareceu mais aliviada e Paul riu.
— E aconteceu depois de eu te beijar — Annabeth continuou.
— E durante uma época que eu nem sequer podia respirar do seu lado sem você querer me estrangular — eu revidei.
— Porque você agiu como se nada tivesse acontecido, nem ao menos uma palavra!
— Hum… Isso é mal — Paul comentou.
— Eu já mencionei que eu não podia respirar do lado dela sem ela querer me estrangular até a morte?
Annabeth começou a dizer algo e antes mesmo de ela começar, eu já estava abrindo a boca pra me defender, mas minha mãe nos parou.
— Gente — ela gritou nos chamando a atenção.
— Eu entendo seu ponto Annabeth, em um relacionamento nós não devemos ter segredos-
Minha namorada já ia me dando um olhar vitorioso, mas minha mãe continuou.
— Mas essa discussão de vocês não tem sentido agora.
Foi a minha vez de dar o olhar da vitória. Annabeth ia argumentar mas Paul a interrompeu sem querer.
— Essa Rachel não é aquela amiga ruiva de vocês? Se é, não é tão sem sentido assim.
Minha mãe encarou o marido o repreendendo.
— É sem sentido porque aconteceu antes de nós começarmos a namorar e porque eu te amo — eu disse encarando Annabeth.
Seu olhar teimoso desmontou um pouco. Mas ainda assim ela tentou argumentar.
— Tem sentido porque eu também te amo — ela retrucou.
— Por que vocês não vão tomar um pouco de ar? E voltam vivos para o jantar — minha mãe propôs.
Paul parecia estar prendendo a risada do outro lado da cozinha.
Eu e Annabeth nos olhamos e fizemos um acordo silencioso.
Central Park? Perguntei.
Tanto faz. Ela respondeu de volta.
Eu dei um beijo no topo da cabeça da minha irmã e disse tchau, depois dei um beijo no rosto da minha mãe e disse tchau. Por fim acenei para Paul que acenou de volta.
— Por favor, dêem preferência para voltar para o jantar e não a missões suicidas. Eu vou fazer lasanha — minha mãe disse.
— Tudo bem — Annabeth e eu dissemos ao mesmo tempo.
Minha mãe sorriu.
Abri a porta do apartamento e esperei Annabeth passar por mim, nós descemos as escadas em silêncio até que ela perguntou.
— Mais alguém além de Rachel sabe desse beijo?
— Só Blackjack — dei de ombros.
— Você a levou pra passear no seu pégaso, então. Que romântico — ela disse azeda.
— Na verdade, nós estávamos passeando no carro de Paul quando Beckendorf apareceu montado nele pra me buscar para colocar o plano da explosão do Princesa Andrômeda em prática.
Annabeth havia passado a minha frente e estava abrindo a porta da rua quando ela virou. Sua expressão me fez entrar em alerta de novo.
— E no dia seguinte você me pede um beijo de boa sorte? — o tom de voz dela era raivoso
Eu senti que nós ficaríamos eternamente naquela discussão, precisava interromper o ciclo de algum jeito. Então eu tive uma ideia maluca.
Não era assim que eu pensei em fazer isso, queria fazer algo mais elaborado que a surpreendesse e não no meio de uma discussão sem nexo. Mas se eu não o fizesse agora, haviam chances de eu estar morto antes de planejar a ocasião.
Eu tirei minha carteira do bolso dando um suspiro cansado, ela me olhou confusa durante um segundo, mas se manteve firme.
De dentro de um dos compartimentos eu peguei um anel, enfiei a carteira rapidamente no bolso.
Elevei o anel a altura dos seus olhos.
A expressão raivosa de Annabeth deu lugar ao choque, ela arregalou os olhos quando entendeu o que estava pra acontecer.
— Casa comigo? — eu perguntei.
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