Caímos no chão e o senhor padrãozinho ficou por cima e distribuiu socos pelo meu rosto enquanto eu tentava defender, conseguia ouvir paralelamente alguns gritos, porém não discernia de quem eram ou o que tentavam dizer.

Depois de apanhar bastante, devolvi um dos socos e tirei-o de cima de mim, chutei suas costelas separando-nos no mesmo momento que o professor chegou gritando querendo saber qual o motivo daquela roda e algazarra.

O homem era baixo, de cabelo castanho claro e com duas entradas no início da testa, pele branca com alguns sardas e olhos castanhos, usava camisa social creme com um colete azul marinho, calças e sapatos social prestos, além de uma pulseira dourada sutil no pulso esquerdo.

Ele olhou para nós, eu nos braços dos meus colegas sendo segurada e o babaca sendo preso por outros caras, imediatamente falou para irmos à diretoria, de forma ríspida, grossa e com o pulso firme.

Fui ajudada a levantar e mesmo dolorida segui o cara, caminhamos pela escola com a cabeça baixa, ele andava rápido ao passo que eu tentava estancar o sangue dos machucados para não fazer uma trilha vermelha pelos corredores e acompanha-lo.

Chegamos diante da porta de madeira e o garoto bateu na superfície com receio, logo a diretora apareceu e encarou-nos surpresa, deveríamos estar mesmo mal, pois sua primeira reação foi acolher e não dar bronca.

Ela cuidou dos meus ferimentos, depois os do outro com cuidado e paciência dos nossos grunhidos de dor e afastamentos involuntários quando o álcool tocava a pele, após colocar os curativos, deu um copo de água para cada e sentou em sua mesa perguntando o que havia acontecido.

—Ele foi gordofóbico e maltratou verbalmente meus colegas, então chamei-o para brigar –Comecei um pouco alterada, mas a voz foi sumindo conforme percebia ter caído na pulha e errado também.

-Esse cara é maluco, já saiu querendo me socar, arranjar confusão com todos, é totalmente surtado –Falou o moreno gesticulando ansioso, fazendo-se de vítima da situação e distorcendo-a –Eu só fiz uma brincadeira e levei um soco.

—Certo, então Remi, cuidado com as suas brincadeiras, porque podem ofender, como futuro governante você deve tratar todos bem, independente da forma, cor ou opção –Explicou calmamente e séria –Agora Jonas, a violência não é solução, a realeza deve procurar o diálogo ao invés da brutalidade, afinal vocês devem ser exemplos.

Assentimos calados e arrependidos, ela ainda comentou sobre dar um último voto de confiança, e se ele for quebrado será obrigada a ligar para nossas famílias, o que me deixou em desespero. Se Paulo souber da confusão qual arrumei, não quero nem imaginar suas próximas ações.

Fomos dispensados e cada um foi para o seu canto, a aula estava no final, então e ousei aparecer ali. No entanto, não fazia ideia da próxima atividade, logo decidi ser cara de pau e ficar esperando na frente da sala.

Quando os alunos começaram a sair do local, olhavam para mim de uns jeitos estranhos, alguns arrogantes, medrosos e outros até misteriosos e indecifráveis. Assim que Zihaz e Arthur saíram, vieram na minha direção rapidamente.

—Wow, você ainda está vivo! Isso é muito bom –Comentou o loiro animado dando um leve soquinho no meu ombro, tentando quebrar o gelo –Você sempre arruma briga no primeiro dia para se enturmar? –Eu ri envergonhada com a brincadeira. Céus, eles devem me achar doida.

—Obrigado por me defender, mas não precisava ter iniciado tudo isso por nossa causa –O príncipe de Riage repreendeu encolhido, com a voz baixa e triste –Sabe, já estamos acostumados com esse tipo de coisa, é só ignorar quando falam isso.

Pedi desculpas por tê-los aborrecido, em seguida percebi um aglomerado se formando ao longe fazendo barulho, vários garotos estavam olhando uma televisão grande presa ao teto passando um jornal fazendo cobertura sobre alguma notícia.

Cheguei mais perto e ouvi o âncora comentando o desentendimento do rei de Unit e Nebula durante uma coletiva, como eram países muito influentes mundialmente e governantes teimosos e rabugentos, era preciso ficar de olho no estreitamento das relações entre os dois.

Engoli em seco, porem as pessoas ao meu redor garantiram uns aos outros não ser nada, logo tentei fazer o mesmo; entretanto uma pulga apareceu atrás da minha orelha e fiquei perguntando-me se as falas cuspidas de “está tudo bem” eram realmente verdade ou não passavam de frases ditas apenas para mascarar o medo.

Arthur puxou-nos para a próxima aula, dizendo que iríamos nos atrasar se ficássemos olhando o noticiário por mais tempo, estava na hora de aprender a arte da esgrima e aparentemente a professora não era uma pessoa muito flexível.

Fomos os primeiros alunos a chegar e nos deparamos com uma mulher baixa e magrinha, com roupa própria para o esporte, o cabelo preto chanel e os olhos castanho claro estreitos pareciam encarar nossas almas. Ela estava apoiada na mesa do educador e segurando com a mão delicada e unhas pintadas de rosa uma luva branca.

Estávamos na sala onde também era ensinado dança, era grande com azulejos brancos e paredes de vidro com vista para uma floresta e bem ao longe uma cidade, bem iluminada e com jeito de lavanda por alguma razão.

—Onde está o resto da turma? –Perguntou a moça aproximando-se de nós em passos firmes, sua voz era forte, alta e imponente, ecoando pelo espaço.

—Já estão chegando –Respondi tranquila e atraindo o olhar dela, que permaneceu encarando-me por um tempo com uma expressão indecifrável.

—Você é o aluno novo briguento, estou certa? Espero não ter problemas com você na minha aula –Comentou com as sobrancelhas levemente arqueadas, seu tom soando rígido e um pouco ameaçador, bem pouquinho. Assegurei-a não causar mais confusão, afinal o quanto mais despercebida passar pelo ano letivo, melhor.

Logo os príncipes foram chegando e todos caminhavam para o vestiário a fins de colocar a vestimenta adequada, respirei fundo ignorando o embrulho formando-se na minha barriga e entrei no cômodo onde havia tórax para todo lado, peça de roupa jogada a cada milímetro cúbico, garotos seminus conversando normalmente e rezei para que ninguém ultrapassasse esse limite de nudez.

Abaixei a cabeça e passei rapidamente pela multidão seguindo Zihaz enquanto repousava a mão sobre os olhos limitando minha visão, levantando o olhar apenas quando cheguei nos armários e vi um com o nome Jonas gravado.

Abri a porta e dei graças aos céus por ter uma cortina grossa, a qual eu poderia enrolar-me sem me preocupar. Puxei o círculo dobrável e deslizei o pano formando um mini box.

Tirei a roupa aliviada e arrumei a faixa branca que estava caindo, ouvi alguns burburinhos ecoando pelo local, porém nem cheguei a prestar muita atenção mais centrada em meu pequeno problema, até ouvir passos barulhentos vindo na minha direção.

Notas finais
Espero que estejam gostando da história, ficaria honrada em receber algum comentário isso ajuda muito
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.